Empresa teria pago propinas por obras do metrô
Paulo Whitaker/Reuters

A procuradora especial para a Operação Lava Jato no Peru, Silvana Carrión Ordinola, viajará ao Brasil para participar de interrogatórios de ex-funcionários da construtora Odebrecht e também para assinar um acordo de colaboração da empresa com o Ministério Público do país na próxima sexta-feira.

Segundo resolução do Ministério da Justiça do Peru que autoriza a viagem, Carrión ouvirá na próxima quinta-feira Maria Lúcia Guimarães Tavares, ex-funcionária da divisão de Operações Estruturadas da Odebrecht, e Hidelberto Mascarenhas Alves da Silva, ex-coordenador do mesmo departamento, na Procuradoria Regional da Bahia, em Salvador.

Os procuradores peruanos querem que os dois ex-funcionários da Odebrecht esclareçam as propinas que teriam sido pagas pela empresa na construção da Estrada Interoceânica Norte e do Metrô de Lima. Ambas as obras foram executadas no segundo mandato do ex-presidente peruano Alan García, entre 2006 e 2011.

Segundo as investigações da Lava Jato no Peru, a Odebrecht depositou, usando empresas em paraísos fiscais, US$ 29 milhões em contas do empresário peruano Gonzalo Monteverde, que seria operador do esquema de repasse da propina para políticos envolvidos no caso.

García está impedido de deixar o Peru por causa das investigações. O ex-presidente é acusado de lavagem de dinheiro.

Na sexta-feira, a procuradora participará da assinatura de um acordo de colaboração entre o Ministério Público do Peru e a Odebrecht. O evento ocorrerá no consulado do país em São Paulo.

A assinatura estava prevista para janeiro, mas atrasou devido aos conflitos entre o agora ex-procurador-geral do Peru, Pedro Chávarry, e a equipe que coordena as investigações da Lava Jato.

Com o acordo, o Ministério Público do Peru espera receber as delações e material documental para formalizar as acusações de lavagem de dinheiro contra diversas figuras da política peruana, como os ex-presidentes Alejandro Toledo, Ollanta Humala, Pedro Pablo Kuczynski e a líder da oposição, Keiko Fujimori.

Os promotores peruanos seguem no Brasil até a próxima semana, quando irão ao Paraná para ouvir outros ex-funcionários da Odebrecht.