As donas da ONG Pata Voluntária, que atua ajudando animais abandonados em Maceió (AL), foram presas nesta sexta-feira (5) acusadas de fraude para conseguir dinheiro em campanhas pela internet. Elas devem responder por estelionato, falsa comunicação de crime, organização criminosa e diversos delitos ambientais, incluindo maus-tratos.

De acordo com o G1, foram presas Amropali Mondal, 26 anos, Maria Gisele, 23, e Nayane Petrucia, 26. Nayane confessou o crime, segundo a polícia, mas as outras duas preferiram não falar. Uma advogada que representa o trio não quis atender a imprensa.

Ontem, o perfil da ONG nas redes sociais postou um pedido de ajuda relatando o caso de um assalto que o abrigo mantido pela instituição teria sofrido. O perfil tem cerca de 1,5 milhão de seguidores. “Estamos em pânico, com medo, sem forças pra nada, mas infelizmente não temos a opção de parar pra nos recuperar, temos que lutar pelos animais que resgatamos, pois eles não têm mais ninguém no mundo a não ser nós aqui e vocês. Os animais estão sem nada e não temos de onde tirar, o que tem na sede principal só dá para os animais doentes, estamos desesperadas. Por misericórdia imploramos que ajudem”, dizia o post. 

Hoje de manhã, um novo post incluia dois boletins de ocorrência, um em Maceió e outor em Messias. “Ontem ainda estávamos completamente em choque pelo trauma que passamos, pois não foi apenas um roubo, fomos humilhadas e agredidas”, explicava a mensagem. Dois delegados são agradecidos no post, Leonam Pinheiro e Bruno Lima, este último também deputado estadual em São Paulo. O procurador de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça Neto também estava marcado em agradecimento pelo apoio dado à ONG.

Horas depois, um post de conteúdo diferente foi feito no perfil. “Peço a todos que parem de doar. Infelizmente, descobrimos que não houve crime algum. Trata-se de uma fraude”, dizi a nova mensagem, assinada pelos delegados Leonam Pinheiro, Fàbio Costa e Thiago Prado.

Um vídeo foi feito mostrando o local onde deveria funcionar o abrigo. “Nós encontramos fechada, do jeito que estou mostrando, não tem absolutamente nada, nem estrutura, muito menos animais, está a sede totalmente abandonada. Aqui é o local onde supostamente teria acontecido o assalto, onde elas foram assediadas, onde estariam os animais”, relata um dos delegados.

Não há detalhes ainda sobre as ações das três responsáveis pela ONG. A conta da instituição no Instagram foi removida após o episódio. As responsáveis chegaram a criar uma outra vaquinha no começo do mês passado que atingiu a monta de cerca de R$ 77 mil, de acordo com o site de arrecadação. 

Voluntários e colaboradores da Pata Voluntária afirmaram que a instituição existia  e esperam por mais esclarecimentos. Alguns bichos estavam em uma outra sede, menor, e animais silvestres foram apreendidos na casa de uma das donas. Eles ficarão amparados por veterinários e pelo Ibama. À Veja São Paulo, um delegado afirmou que a ONG ajudava de fatos animais, mas tinha uma sede “bem menor” do que divulgava.

O caso é investigado pela Divisão Especial de Investigações de Capturas (Deic). 

Fonte: Correio