A Polícia Federal divulgou na manhã desta sexta-feira (16) que o laudo preliminar do exame necroscópico realizado após a exumação do corpo do líder indígena Emyra Waiãpi, morto no final de julho, no Amapá, não apontou indícios de lesões de origem traumática e fraturas, indicando que a causa da morte tenha sido afogamento. As informações iniciais davam conta de que Emyra teria sido morto a facadas durante confronto com garimpeiros da região.

O laudo realizado pela Polícia Técnica do Estado do Amapá (POLITEC/AP), assinado por dois médicos legisltas, indica que não há indícios de confronto corporal e que a ferida encontrada na cabeça de Emyra Waiãpi tratava-se de lesão superficial, que não atingiu planos profundos, e que não houve fraturas. Também não foram encontradas lesões traumáticas e outras evidências de enforcamento. Ainda segundo o documento, o exame do tórax também não evidenciou existência de lesões penetrantes, o que afasta a possibilidade do líder ter sido morto a golpes de faca.

“A PF ainda aguarda o laudo complementar toxicológico, com previsão de ser entregue em 30 dias, que tratará das amostras retiradas dos órgãos internos, encaminhadas ao Laboratório de Toxicologia Forense, cujo resultado servirá apenas para auxiliar na investigação das circunstâncias dos fatos, não interferindo, contudo, na conclusão pericial quanto à causa da morte por afogamento”, conclui o comunicado da PF. 

O presidente Jair Bolsonaro, que vem defendendo a liberação da prática do garimpo em terras indígenas, afirmou à época da morte do indígena que não havia indícios fortes de que o cacique tivesse sido assassinado. “Usam o índio como massa de manobra, para demarcar cada vez mais terras, dizer que estão sendo maltratados. Esse caso agora aqui… Não tem nenhum indício forte de que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF (Polícia Federal) está lá, quem nós pudemos mandar já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso aí”, disse o presidente.

Fonte: Agencia Brasil