Uma conversa informal no bar sobre o dia difícil na firma ou uma selfie nova no feed para mostrar o quanto é movimentada sua rotina no trabalho. Parecem situações comuns e até inofensivas, porém, escondem ali alguns riscos que podem comprometer não só sua carreira, mas a imagem da empresa onde trabalha. E em casos extremos, custar o  emprego. 

Segundo um levantamento feito pela consultoria de ética e compliance ICTS Protiviti, o vazamento de informação foi o incidente mais ocorrido nas empresas brasileiras nos últimos quatro anos. O tipo de informação mais vazada foi relativo a processos operacionais, que compreendem informações confidenciais como estratégias e regras de negócios da empresa, representando 25% do total de incidentes. Os dados de clientes (15,61%) e a divulgação de salários (11,01%) também estão entre os mais frequentes. 

A maior parte destes vazamentos saiu de profissionais que ocupam cargos de gerência, 21% dos casos. Em seguida, os analistas foram os que deixaram alguma informação importante escapar (19%). Na sequência, os coordenadores (11%), prestadores de serviço (9%) e supervisores (7%). 

“O dado que mais chama atenção é a alta incidência dos vazamentos de informações, que compreenderam 70% dos incidentes. Seja por displicência, indisciplina ou má-fé, esse dado ratifica a existência de um fluxo de informações que expõe as empresas que não adotam medidas preventivas para a segurança de seus dados”, analisa o diretor  executivo de operações na ICTS Protiviti, Fernando Scanavini. 

Mais cuidados

Este uso indevido é cada vez mais monitorado pelas corporações. Para não em cilada e perder a vaga, especialistas em carreira e recrutamento apontam, pelo menos, cinco armadilhas que devem ser evitadas quando o assunto é informações sobre a empresa (veja abaixo). Entre elas estão, por exemplo, as conversas sobre o trabalho, a falta de conhecimento do código de ética e conduta e até as confusões de senhas pessoais com as corporativas.

“As organizações têm investido bastante em treinamentos para guardar informações mais sigilosas. O colaborador precisa entender o motivo desse sigilo”, explica o diretor executivo do PageGroup, Rodolfo Pagano. 

Ainda de acordo com Pagano, vale ficar atento a todo tipo de exposição que se refira à empresa, principalmente quando está fora dela. “Suponhamos que dois profissionais de diferentes empresas se encontrem no elevador e um comenta  com o colega que está ali para fechar uma negociação com um novo cliente. São dados que acabam caindo em mãos erradas”, mostra.

É uma questão de confiança, como destaca a especialista em RH da Luandre, Bárbara Alves. “Rompe-se o laço de confiança por parte da empresa. O cuidado com informações profissionais deve ultrapassar o ambiente de trabalho. É fundamental ter compromisso com a confidencialidade”.  

Punições

Para o advogado especialista em Direito do Trabalho e sócio do escritório Santos & Novelli Advocacia e Consultoria, Breno Novelli, além da demissão por justa causa, prevista por lei, o colaborador pode sofrer também um processo de danos morais por parte da empresa, fato para se redobrar a atenção. Em situações que violem segredos empresariais, a exemplo de marcas, patentes e fórmulas, o processo envolve ainda danos materiais.

“A fidelidade e a lealdade devem ser mútuas. O empregado deve confiar que o empregador não fará exposição indevida de sua privacidade e intimidade, e, em via contrária, o empregador espera que o trabalhador guarde sigilo sobre dados confidenciais”.

AFASTE-SE DO PERIGO

1. Conversas informais Naquela mesa de bar, em um Happy hOur de sexta-feira, você está falando mal do seu chefe. Por um acaso, o melhor amigo dele está na mesa ao lado. E aí, com certeza, essa conversa informal vai ter uma repercussão negativa, e mais: pode comprometer seu emprego. Cuidado com o que diz, com quem conversa e onde está. 

2. Selfies e vídeos no ambiente de trabalho Quem nunca fez uma selfie onde trabalha? Parece só uma foto, mas imagina se lá no fundo tem um mural com as metas do mês? Informações estratégicas que podem cair nas mãos da concorrência na mesma velocidade da publicação de um stories no Instagram.

3. Senhas pessoais x senhas corporativas Outro alerta: revise bem os e-mails corporativos e não misture em hipótese alguma contas e senhas pessoais com os logins de sistemas e contas da empresa. A chance de você encaminhar um e-mail pessoal errado é muito grande. É preciso saber separar bem as duas coisas e não confundir estes acessos.  

4. Detalhes da sua rotina  É muito difícil não falar sobre o seu trabalho e dos desafios que você enfrenta todo dia. Porém, evite dar detalhes desnecessários sobre a sua rotina fora deste ambiente. Também não leve trabalho para casa, sobretudo documentos importantes, como uma nova proposta de contrato por exemplo. 

5. Não finja que o código de ética e conduta não existe Sim, ele pode estar ali meio empoeirado no canto da mesa, mas existe. Conheça a cultura da empresa e as normas que ela estabelece. Isso evita, por exemplo, passar por situações que podem colocá-lo em uma saia justa, simplesmente por nunca ter lido o código. 
 

Fonte: Correio