Após a paralisação das atividades dos seguranças terceirizados da Universidade Federal da Bahia (Ufba) na noite da última terça-feira (20), o vice-reitor da instituição, Paulo Miguez, se reuniu com representantes do Sindicato dos Vigilantes (Sindivigilantes). Apesar do encontro, que terminou sem um desfecho, haverá nesta quinta-feira (22) uma assembleia dos seguranças, às 8h30, na portaria do campus de Ondina.

De acordo com o presidente do Sindvigilantes, José Boaventura Santos, será discutido o pedido de suspensão das atividades dos vigias por parte da MAP, empresa que detém o contrato de terceirização dos 380 vigilantes que prestam serviços à instituição, com quem a Ufba possui uma dívida de R$ 15 milhões. Na ocasião, a classe também debaterá a possibilidade de uma nova paralisação. Mesmo antes da reunião, o presidente do sindicato já aponta que há uma “grande chance de haver uma suspensão das atividades” dos seguranças na universidade já nesta quinta.

Caso seja confirmada a suspensão, os 380 seguranças terceirizados que trabalham na Ufba ficariam até 180 dias em casa e sem receber – período em que instituição deveria quitar as dívidas com a MAP. Para que os seus representados não sejam prejudicados, o sindicato dos vigilantes apresentou uma proposta para a universidade.

“A nossa proposta é que a Ufba pague o salário dos vigilantes de forma direta, sem o envolvimento da empresa. Queremos garantir o trabalho deles. A fatura é um problema da empresa”, explicou Boaventura.

Ele acrescenta ainda que, na reunião com o vice-reitor, a instituição disse que busca resolver o problema do atraso nos pagamentos. Em nota, a instituição afirmou que busca “solucionar [os atrasos] através de sucessivas tentativas de diálogo com o Ministério”.

Dívida
O sócio administrador da companhia de segurança, Sisnando Ribeiro Lima apontou que a Ufba possui dívida de R$ 15 milhões com a MAP. Por meio de nota, a universidade confirmou que possui faturas em atraso, mas não revelou o número nem o valor da dívida. 

Segundo o gestor, o valor é referente a 12 meses de atraso. Ao CORREIO, ele explicou que a universidade não pagava as suas faturas integralmente e, por isso, as dívidas foram se acumulando. “A empresa estava esperando, a Ufba disse que ia pagar e vinha amortizando a dívida. Nesses últimos cinco meses, piorou. Com a fatura de agosto, emitida no final do mês, o valor pode chegar a 16,3 milhões”, pontuou.

Relembre o caso
O presidente do Sindivigilantes afirmou que a orientação para a paralisação partiu da própria empresa. O Sócio administrador da MAP nega a afirmação do sindicalista. “Os vigilantes fizeram uma paralisação. Eles param por iniciativa própria. O sindicato colocou no jornal que eu tinha dado entrada no rito processual para suspensão das atividades e eles entraram em pânico”, afirmou Sisnando. 

Nesta quarta-feira (21), a categoria trabalhou normalmente e as aulas ocorreram normalmente. Em nota, a Ufba também reforçou que “o trabalho de vigilância prossegue normalmente, no dia de hoje, sem qualquer interrupção, e as aulas, em todos os turnos, serão ministradas”.

Com os problemas do pagamento, a MAP deu entrada no rito processual para suspensão das atividades na última sexta-feira (16). Agora, as partes devem debater o tema para que haja uma definição sobre a possível suspensão.

“A empresa tem direito de suspender o contrato com 90 dias de atraso. A MAP entrou com uma correspondência para o sindicato laboral, patronal e para a ufba. Os vigilantes no contrato posso ficar até 180 dias com o contrato suspenso”, explicou Sisnando.

A Ufba também afirmou, em nota, reconhecer que a “grave situação orçamentária instituição atravessa, produto da defasagem da dotação acumulada nos últimos cinco anos, do contingenciamento de recursos e do bloqueio de 30% de seu orçamento pelo Ministério da Educação, afeta diretamente a vida dos membros de sua comunidade, entre eles os trabalhadores terceirizados”. A Federal da Bahia também informou que os cortes impedem o pagamento aos fornecedores em dia e que a instituição busca solucionar o problema com diálogo com o MEC.

Fonte: Correio