Sexta-Feira Muito Louca (2003), Quero Ser Grande (1988), Tal Pai, Tal Filho (1988)… O que essas comédias americanas têm em comum? Nelas, os protagonistas de repente trocam de corpo e se deparam com os transtornos que isso causa. No Brasil, o exemplo clássico é Se Eu Fosse Você, com Tony Ramos e Glória Pires, produção de 2006 que, graças ao enorme sucesso – com mais de 3,5 milhões de espectadores-, ganhou uma sequência em 2009.

Agora, é a vez do público adolescente ir aos cinemas assistir a uma comédia que tem essa faixa etária como alvo, algo raro quando se trata de produções nacionais. Socorro! Virei uma Garota conta a história de Júlio, um menino tímido e nerd pouco respeitado pelos colegas que, ao ver uma estrela cadente, pede para se tornar a pessoa mais popular da escola. O desejo é realizado, mas vem acompanhado de uma surpresa: ele está preso ao corpo de uma menina, Júlia.

Victor Lamoglia em Socorro! Virei uma Garota

No elenco, o destaque é a muito talentosa Thati Lopes, conhecida pela participação nos esquetes do Porta dos Fundos, que vive Júlia. A versão masculina da personagem é vivida por Victor Lamoglia, que atua em outro canal cômico do YouTube, o Parafernalha. Uma curiosidade: Thati e Victor são namorados.

Direção

Na direção, está o estreante em longas Leandro Neri, que na TV já dirigiu produções voltadas ao público jovem, como Malhação e Sandy & Júnior. Mas Leandro avisa que evitou uma estética televisiva no filme: “Uma das minhas preocupações era fazer um filme comercial e popular, mas com cinematografia. Não transpor fielmente uma estética de TV para o cinema, como acontece com alguns diretores”.

Dois outros nomes muito bem-sucedidos nas bilheterias e que estão envolvidos no filme são o roteirista Paulo Cursino e o diretor Roberto Santucci, ambos do sucesso De Pernas pro Ar. Desta vez, no entanto, Santucci é apenas supervisor artístico.

Cursino, para se manter em dia com o universo teen, diz que teve a ajuda informal de uma enteada adolescente: “Ela me ajudou bastante. O mundo adolescente muda o tempo todo e mais rápido do que a gente imagina. Um padrão de comportamento muda em poucos anos, uma gíria envelhece em meses, referências e memes não duram duas semanas”.

Thati Lopes diz que o filme, além de apresentar temas como amadurecimento e relações familiares, discute outras duas questões importante, como a fragilidade masculina: “É interessante ver como o filme lança um olhar muito divertido sobre a fragilidade masculina, quando um homem se vê no corpo de uma mulher e precisa acessar o seu lado feminino que, tantas vezes, a sociedade ensina os meninos a esconder ou a ignorar. O filme contribui  para entender que somos livres e para acabar com os estereótipos ”. 

Fonte: Correio