Marco do desastre ambiental de Mariana, há quase quatro anos, a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, mais conhecida como Candonga, no limite de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata, teve um papel fundamental na retenção de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos – um quarto do que vazou da barragem de Fundão –, impedindo que sedimentos seguissem pelo leito do rio Doce. As consequências, no entanto, foram grandes e ainda estão sendo remediadas.

O desligamento das turbinas e a consequente interrupção da produção de energia elétrica afetaram, especialmente, as cidades de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, dependentes economicamente da usina. Para que a hidrelétrica seja limpa e volte a operar, a Fundação Renova, entidade criada para reparar os danos do desastre de Mariana, tem investido em técnicas inovadoras de engenharia para a retirada dos rejeitos.

Barramento metálico construído para contenção de rejeitos
Foto: Nitro Imagens/Divulgação

O trabalho inclui a retirada da lama, a limpeza das turbinas e a averiguação das condições estruturais da usina como um todo. “A etapa de limpeza contou com mergulhadores especializados, que desciam lá no fundo para tirar materiais, como troncos, blocos e até poste de energia, manualmente. Assim conseguimos limpar 100% das três turbinas, as chamadas de Unidades Geradora de Energia”, conta Willians Arruda, líder de projetos e obras da Fundação Renova.

As soluções propostas viabilizaram, até aqui, a retirada de quase 1 milhão de metros cúbicos de rejeito depositados em um trecho de 400 metros do reservatório de Candonga. Os trabalhos de reparação começaram em 2016 com a construção de três barreiras metálicas para segurar o rejeito que foi carreado até a estrutura.

A princípio, o projeto de limpeza de Candonga previa a construção de um dique principal e um dique intermediário para o tratamento do rejeito. “Com as alterações da legislação de barragem, em janeiro de 2019, o conceito geral do processo foi alterado e o dique principal foi extinto. Optou-se pela adoção de estruturas menores, que representam menor risco operacional”, detalha Moyzes Rosgrin, gerente executivo de grandes obras da Fundação Renova.

O material é dragado da represa para duas ensecadeiras, onde é decantado. O efluente líquido vai para bacias, onde é tratado, filtrado e devolvido ao rio Doce.

O material seco é levado para a área chamada Fazenda Floresta, a três quilômetros de Candonga, onde é armazenado em zonas de empilhamento.


Sistema de bombeamento retira o rejeito depositado em um trecho de 400 metros do reservatório de Candonga
Foto: Nitro Imagens/Divulgação

Retomada

Todas as decisões técnicas relativas à Candonga precisam passar pela anuência de órgãos públicos e comunidade. O religamento da usina tem importância social, econômica e ambiental para toda a região.

“A retomada da hidrelétrica será muito importante. Primeiro, para a retomada da vida das comunidades e arrecadação do município. A partir do momento que fecharmos as comportas, a velocidade diminui e a água que vai sair de Candonga sairá mais limpa. E isso já vai ajudar no processo de reparação”, explica Juliana Bedoya, líder dos programas de manejo de rejeito da Renova.

A Renova não estipula uma data exata para a retomada de operação de Candonga, uma decisão que será definida pela concessionária que administra a hidrelétrica.

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Fonte: Agencia Brasil