O corpo da escritora, atriz e roteirista Fernanda Young foi velado na tarde deste domingo (25) no  Cemitério de Congonhas, em São Paulo. a, atriz e roteirista. Fernanda morreu na madrugada deste domingo (25), aos 49 anos, após ter uma crise de asma seguida de uma parada cardíaca.

A cerimônia de despedida reuniu os amigos e os familiares de Fernanda, que deixa o marido Alexandre Machado e quatro filhos: as gêmeas Cecília Maddona e Estela May, de 19 anos, Catarina Lakshimi, de 10 anos, e John Gopala, também de 10 anos.

Segundo informações da Quem, a mãe de Fernanda, Leila Quintanilha, chegou ao velório chorando muito e foi amparada e consolada por amigos. Amigos e familiares de Fernanda enviaram várias coroas de flores para a família. Entre os que mandaram flores para demonstrar seus pêsames estavam a cantora Rita Lee e a atriz Tatá Werneck, protagonista de Shippados, série escrita por Fernanda e pelo marido.

Por volta das 16h40, amigos e familiares saíram em cortejo até o local do sepultamento a fim de darem o último adeus a Fernanda. Às 17h05, Fernanda foi sepultada sob aplausos.

Fernanda Nobre se emocionou também. A atriz falou com a Quem sobre a morte precoce dela, com quem atuaria na peça Ainda Nada de Novo, que entraria em cartaz no dia 12 de setembro, em São Paulo. “Eu recebi a notícia hoje de manhã. Ontem eu falei com ela o dia todo, ela estava muito feliz. Muito feliz com a peça, muito feliz com o que a gente estava criando juntas, estava muito animada. E agora está difícil de cair a ficha do que aconteceu. É uma perda irreparável: feminina, para a nossa cultura, para esse momento que a gente está vivendo. Eu me sinto muito lisonjeada de ter vivido um pouquinho com ela, de ter bebido um pouco dessa fonte. Eu espero que eu tenha aprendido muito com ela e que eu fique parecida com ela”, disse à quem.

Ela contou ainda que a conheceu por causa da peça, mas era uma relação muito intensa, muito íntima. “Muita entrega, muita confiança, foi muito bonito. Ela é para a minha vida toda”, acrescentou, sem saber dizer o que vai acontecer com a peça. “Não consigo nem pensar nisso. A peça não tem mais nenhuma importância”.

Também à Quem, a atriz Marisa Orth lembrou a última vez que viu Fernanda. “A gente era próxima, a minha última lembrança foi quando a gente deu muita risada no lançamento do livro infantil  de Rita Lee. Uma amizade que se fortaleceu quando a gente gravou a primeira temporada do programa ‘Saia Justa’, no GNT, então a gente manteve essa amizade. A Rita era sempre uma honra para nós duas, a gente levou nossos filhos no lançamento do livro dela. Ela levou os quatro dela e eu levei o meu no lançamento do livro infantil. A gente deu muita risada. É difícil dizer o legado que ela deixa porque ela era uma mulher irrepetível, dá para aprender com pedaços dela: maravilhosa, super trabalhadora, uma das pessoas mais corajosas que eu já conheci, do tipo pensava, falava e agia igual. A Fernanda não era de reclamar. Amava a vida, era uma mulher alegre. Além de ser essa trabalhadora incrível, ainda era linda, super bem montada, comprava as brigas. Era uma figura deliciosa. Ela foi uma autora que me revelou muito como atriz, desde ‘A Comédia da Vida Privada’, ela me deu deu chances como atriz, ela e o Alexandre. Fiz ‘Os Normais’, ‘Edifício Paraíso’, ‘Aspones’… Ela me achava boa atriz para caramba e eu achava ela boa autora para caramba. Recebi muito mal a notícia, ela era muito nova. Tinha muitos planos e estava no auge. Ela é uma mulher que deve ser louvada. Louvem-na!”, disse.

Emocionada, a jornalista Lilian Pacce falou sobre a amizade com Fernanda. “É difícil! Uma morte precoce de uma grande amiga. E não só isso, uma grande profissional, admirada por todos. Fernanda era brilhante, grande amiga, um coração gigante, uma pessoa que tinha uma justiça enorme, genial e inquieta, então é chocante a gente ver como que uma crise de asma provoca esse estrago repentino que deixa todo mundo muito chocado e muito triste. Mas deve ter algum sentido, vamos ver o que é que acontece. Nesse momento a gente tem que dar todo o apoio para a família, para os filhos, para o Alexandre, para a Renata e para a mãe dela. Porque a Fernanda era um grade alicerce para a família inteira, segurou todos os problemas de saúde que a família teve e era uma guerreira, com aquele maravilhoso humor que ela tinha. Fernanda tinha um cuidado com tudo, com as palavras, adorava a língua portuguesa, as pessoas. É uma perda gigantesca. Quarenta e nove anos, muito jovem. Nosso primeiro contato foi há mais de 20 anos, eu chamei a Fernanda para fazer uma capa, eu dirigia a revista ‘Mercado Mundo Mix’, a gente fez uma capa juntas. Em seguida eu fiquei grávida e ela também e a gente fazia academia juntas todo dia. A gente se divertia muito e ela estava animadíssima com o novo trabalho, com a peça e os outros projetos que ela tinha. Ela tinha muitos planos, não é possível ela não conseguir realizar. A última vez que nos falamos foi na quinta passada, na academia. A gente brincava muito uma com a outra, a gente estava sempre se preparando, não desistia. Tinha saído a foto dela com a Fernanda Nobre e a gente falou como ela estava bem. Ela falava muito do Duda Molinos, que era um grande amigo que ela perdeu. Ela falou: ‘o Duda me ensinou a me aceitar do jeito que eu sou. Hoje em dia eu acho que eu estou ótima’. Ela era uma observadora do comportamento humano como poucos e sabia traduzir isso no trabalho dela. O que vai ficar dela em mim é o horror que ela tinha pela mediocridade e o senso de justiça que ela tinha na vida”, afirmou.

A cantora Marina Lima se emocionou demais ao falar sobre Fernanda. “Foi uma coisa inesperada, ela foi um gênio, uma estrela, um cometa que passou por aqui. E a gente tem que ficar aqui eternizando. Uma mulher à frente do tempo. Estou esperando a ficha cair. Eu enterrei o Cazuza, o Renato e agora a Fernanda. Uma coisa totalmente precoce e ela estava no auge”, disse.

Fonte: Correio