Os passageiros de voos domésticos e internacionais do Aeroporto de Salvador compartilham, agora, da mesma área para embarque. A novidade começou nesta segunda-feira (26), com passageiros de um voo da TAP.

A integração dos públicos acontece simultaneamente à entrega da ponte 13, a primeira internacional do novo píer do aeroporto – que, segundo a Vinci, aumenta a capacidade de movimentação de 10 para 15 milhões de passageiros ao ano.

Outras seis pontes serão instaladas no equipamento, sendo três domésticas e três internacionais e, até 31 de outubro, quando 100% das obras de infraestrutura exigidas pela Agência Nacional de Aviação (Anac) estiverem concluídas, Salvador contará com 17 pontes no total, sendo quatro internacionais e 13 domésticas.

Com a unificação, os passageiros internacionais, que antes embarcavam da ponte 11 [fechada para requalificação], agora passam a embarcar do segundo pavimento – para onde, desde abril, foram realocados os voos domésticos.

À frente da administração do terminal aéreo da capital desde janeiro de 2018, a concessionária justifica a mudança. O porta-voz da Vinci Airports, Júlio Ribas, explica que “a baixa demanda do aeroporto de Salvador acompanha a da maioria dos aeroportos do Brasil” quando o assunto são destinos internacionais. O fato criava uma área de embarque e desembarque internacional independente, mas também ociosa. A distinção dos espaços físicos dos domésticos implica em mais opções de lazer durante o tempo de espera e lojas com mais chances de retorno financeiro para os comerciantes, reforça Ribas.

A concessionária informou que uma equipe estará nas áreas comuns do terminal para orientar os passageiros, especialmente os dos voos internacionais. A concessionária orienta, ainda, que as pessoas que forem viajar para outros países, ao menos nos próximos 20 dias, cheguem ao local com antecedência para “se familiarizar com o fluxo, dinâmicas de funcionamento e embarque”.

Inspeções
Hoje, o passageiro de um voo internacional passa pela inspeção padrão – a dos voos domésticos – e, na hora do embarque, quando for direcionado ao novo píer, já na ponte 13, a pessoa é submetida à segunda vistoria, com requisitos de segurança internacional e padrões definidos pela Polícia Federal.

Todo esse processo aumenta o tempo de embarque em cerca de 20 minutos, a partir da realização do check-in. De acordo com o porta-voz, a expectativa é que as vistorias também sejam unificadas, já que “não faz sentido que haja duas inspeções”.

A empresária Marita Rosa, 50, elogiou: “Achei o novo embarque lindo, muitos serviços de produtos que gosto disponíveis e isso para mim faz diferença. Dá para passar o tempo já no embarque, sem precisar ficar lá embaixo”.

Para quem trabalha com a oferta de produtos no local, como o comerciante Eduardo Lago, a unificação traz a possibilidade de melhoria que ele “espera há muito tempo”. Proprietário do Point da Cachaça, ele disse ao CORREIO que foi testemunha das “piores fases do aeroporto”. “Para mim, que alcancei situações tão difíceis, como a crise da Infraero é muito bom, agora, ter a expectativa de dias melhores.”

Obras 
De maio ano ano passado até agora, de acordo com a Salvador Bahia Airports, o terminal aéreo recebeu as seguintes intervenções: reforma e melhora da pista auxiliar 17/35 e das taxiways; novas áreas de escritórios e balcões de vendas das companhias aéreas; checkin em novo layout; troca de toda a iluminação convencional por LED em todas as áreas já reformadas; instalação de Wi-Fi gratuito de alta velocidade; instalação de 2km de tubulações para o sistema de refrigeração e ventilação; construção de nova central de água gelada; modernização de banheiros e fraldários; estação de tratamento de efluentes, com 99,5% de eficiência; sistema de detecção e combate à incêndio.

Foi instalada ainda uma nova Central de Resíduos sólidos; requalificação e modernização do sistema elétrico e de todas as subestações de energia; construção de uma nova sala de geração de energia com quatro geradores; implantação das RESAS (área d segurança de fim de pista) das cabeceiras da pista principal 10/28; instalação de sistema de drenagem, luzes de balizamento no início e fim da pista, proteção vegetal, sinalização horizontal e placas de sinalização na pista 10/28; seis novos elevadores, além de iluminação LED com sensores automáticos de funcionamento; seis escadas rolantes e duas esteiras rolantes para passageiros, com 50 metros cada, e Ponte 13. Ainda este ano, estão previstas a expansão do terminal de passageiros e 22 mil m², além de reparo no sistema de refrigeração e iluminação.

Turismo
As mudanças animam o setor turístico de Salvador, que reconhece que, antes das obras, o aeroporto não era confortável para os usuários. Por ser a porta de entrada para os turistas que vêm à capital baiana, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Bahia (ABIH-BA), Glicério Lemos, aponta que as melhorias eram muito esperadas e o novo terminal vai ajudar a vender a cidade como destino. 

“O aeroporto ficou muitos anos abandonado e, agora, está ficando capacitado para receber os baianos e os turistas. Antes, a gente não possuía um portão de entrada à altura da Bahia. Agora, nós vamos ter”, afirmou.

Roberto Duran, presidente da Salvador Destination, afirma que um aeroporto com mais conforto e um melhor atendimento não aumenta a quantidade de turistas em uma cidade – diferente de um aeródromo com problemas, que é capaz de afetar de forma negativa o número de visitantes.

“Os passageiros estão ficando mais confortáveis em saber que os problemas estão sendo corrigidos e que, até o final de outubro, vai ser inaugurada uma estação em pé de igualdade aos aeroportos de outras cidades”, disse ele.

A Associação Brasileira de Agências de Viagens da Bahia (Abav-BA) também aponta que as mudanças não devem afetar no número de turistas, mas podem causar uma boa impressão em quem chega na cidade.

Fonte: Correio