Quando a lama de rejeitos da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central do Estado, invadiu o rio Doce e seus afluentes, em novembro de 2015, cidades ficaram até cinco dias desabastecidas, criando um verdadeiro caos urbano. Como medida emergencial, caminhões-pipa foram enviados aos municípios e foi montada uma operação para distribuir água potável para a população atingida.

Para evitar novos desabastecimentos, a Fundação Renova, entidade criada em agosto de 2016 para coordenar as ações de reparação e compensação pelos danos do desastre, implementa ações de segurança hídrica. Entre elas, executou melhorias em Estações de Tratamento de Água (ETAs) e busca outras fontes de captação alternativa em localidades abastecidas pelo rio Doce, entre cidades e distritos impactados. Treze ETAs estão recebendo melhorias e nove sistemas alternativos de captação viabilizados.

As ações vão desde a estrutura física dos prédios a procedimentos e treinamentos dos operadores dos sistemas.”Era preciso diminuir a dependência dos municípios da captação do rio Doce. No processo de reparação ficou estabelecido, então, que precisávamos identificar novos mananciais. Nos municípios com menos de 100 mil habitantes, deveríamos garantir 30% de abastecimento com fontes alternativas ao Doce. Para cidades maiores, a meta estipulada foi de 50%”, explica Yone Fonseca, coordenadora do programa de melhoria dos sistemas de abastecimento de água da Renova.

No caso de Governador Valadares, a maior cidade da região atingida pelo desastre, a meta é que 67% do abastecimento tenha origem independente do rio Doce. Uma adutora de 35 km de extensão está sendo construída para abastecer o município. “A captação será feita no rio Corrente Grande, que é o manancial alternativo. Todas as tubulações da adutora já estão lá e as obras estão em andamento”, conta Yone.

Adutora de Governador Valadares terá 35 km. Foto: Leonardo Morais/Divulgação

A água é captada na zona rural e transportada por tubos, que atravessam a BR-381 e a ferrovia Vitória-Minas até a área urbana. Três estações de tratamento de água serão abastecidas. A obra gera 770 empregos diretos e indiretos na região. Com investimentos de R$ 155 milhões, a adutora deve ficar pronta no primeiro semestre de 2021.

Desafios

Segurança hídrica é um termo técnico usado na gestão de riscos das águas para que populações e mesmo o meio ambiente não sejam impactados em períodos de seca, inundações, falhas geológicas ou mesmo em desastres como o rompimento da barragem de Fundão. Um diagnóstico feito após a tragédia revelou precariedades no sistema de abastecimento de água na bacia do rio Doce, algo comum em diferentes cantos do país.

“Em alguns lugares não existia estação de tratamento de água. Então além das ações de melhoria, que pode ser reforma, algumas ETAs também foram construídas. Fizemos um diagnóstico de cada uma das localidades que ficaram sem abastecimento e de cada estação de tratamento de água. A partir daí foram propostas melhorias físicas, estruturais e de procedimento”, acrescenta a especialista do programa de melhoria dos sistemas de abastecimento de água da Renova, Maria de Lourdes Santos.

Para o superintendente operacional da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) no Vale do Rio Doce e Vale do Aço, Albino Campos, as intervenções darão, de fato, uma segurança para a população abastecida pela rede. “As localidades beneficiadas terão melhores condições de tratar adequadamente a água captada no rio, caso haja outro sinistro da mesma natureza que provoque a elevação abrupta da turbidez do manancial”, destaca Campos.

A Copasa, de toda forma, esclarece que todas as localidades atendidas pela companhia já recebem água tratada conforme preconiza a Portaria de Consolidação nº 05 do Ministério da Saúde. As melhorias chegam para somar. “A Copasa entende que a criação de sistemas de captação alternativos de água é de extrema importância para que, caso haja qualquer outro sinistro desta natureza, a população não sofra com o desabastecimento de água potável”, completa o superintendente operacional da Copasa.


ETA de Governador Valadares também passou por reforma. Foto: Bruno Correa/Nitro Imagens

Após a reforma das ETAs, começa um novo desafio. A operação e manutenção dos sistemas não é de responsabilidade da Renova, e sim dos órgãos reguladores dos municípios. “Serão três meses de operação assistida para garantir a funcionalidade do sistema durante um ano após a entrega da obra. É uma garantia de que vamos entregar o sistema pronto e funcionando de forma correta”, explica Maria de Lourdes.

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Fonte: Agencia Brasil