O Museu Nacional, que pegou fogo há um ano no Rio de Janeiro, já tem uma previsão de reabertura: 2022. A intenção é permitir que o público entre ao menos em uma parte do palácio nesta data, para comemorar o bicentenário da independência do país.

A reconstrução vai começar pela fachada e pelos telhados do edifício. O projeto está sendo feito por uma empresa contratada pela UFRJ (universidade federal responsável pelo museu), e a estimativa é concluir a licitação e iniciar a obra ainda neste ano.

Também estão em curso outros dois projetos – um da parte interna do edifício e outro museológico, sobre o que e como se quer expor dentro do museu -, ambos geridos pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Mas estes devem demorar um pouco mais.

A ideia é que, no futuro, a nova área expositiva tenha quatro “eixos”: a história do prédio e da família real, a evolução da vida, a complexidade cultural (onde mais será preciso doações nacionais e internacionais) e os biomas brasileiros.

A UFRJ pretende ainda construir um novo campus para abrigar os pesquisadores do museu que perderam seus espaços de trabalho com o incêndio. Os novos laboratórios devem ser montados em um terreno de 44 mil metros quadrados próximo ao Maracanã (zona norte do Rio), cedido pelo governo federal, já no ano quem vem.

As intenções foram anunciadas nesta quarta (28), em uma entrevista coletiva para marcar o primeiro ano da tragédia. Pela primeira vez, a instituição fez um balanço do que foi ou não achado. De um total de 37 coleções, 17 foram total ou parcialmente perdidas, 13 foram ou estão sendo resgatadas e 7 não foram atingidas porque estavam em outros prédios que pertencem ao museu.

Ainda é impossível, porém, fazer esse balanço em número de peças, diz a arqueóloga Luciana Carvalho, uma das coordenadoras da equipe de resgate do acervo, que hoje conta com 47 funcionários do museu -além de alunos e pesquisadores que ajudam em buscas pontuais. 

O que há é um registro de quase 4.400 formulários preenchidos pelo grupo até agora, mas cada formulário representa um lote, portanto pode conter centenas de peças ou fragmentos. 

Desde o incêndio, essa equipe vem fazendo buscas nos escombros para resgatar o acervo, que passou pelo que chamam de “três tragédias”: o fogo, a água (dos bombeiros e da chuva) e o desabamento do prédio.

As salas são divididas em quadrantes, e as peças vão sendo coletadas manualmente, encaminhadas para a triagem, estabilizadas (processo para evitar sua deterioração) e depois armazenadas, tudo isso em contêineres montados do lado de fora do museu.

Considerando a área plana de 2.000 m2 do palácio (já que a maior parte do primeiro e segundo andares caiu), eles já “limparam” 50 de 71 áreas. As outras 21 devem ser finalizadas até o primeiro semestre de 2020.

Nos últimos dois meses, os trabalhos de coleta do acervo praticamente pararam, por falta de contêineres para guardar as peças achadas e de funcionários para ajudar na parte mais física, de carregar entulhos, por exemplo. 

Enquanto isso, os pesquisadores têm focado no cuidado com as peças que já foram retiradas. Questionada, a nova reitora da UFRJ, Denise Pires, afirmou que a universidade já está licitando os contêineres e buscando as contratações para retomar as coletas o mais rápido possível.

Fonte: Agencia Brasil