O Forte de Santa Maria, no Porto da Barra, em Salvador, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938. Seu trampolim, que já serviu de inspiração para o diretor de cinema, João Rodrigo Mattos, em 2010, no longa-metragem ‘Trampolim do Forte’, hoje vive uma realidade diferente da que foi transmitida ao público nas telonas do cinema brasileiro.

Em estado de deterioração, com rachaduras e placas de alvenaria de pedra soltas, banhistas e turistas abandonaram o hábito de reproduzir as aventuras dos personagens Déo e Felizardo no filme, que pulavam da ponta do trampolim, realizando acrobacias antes de caírem dentro do mar.

Foto: Marina Silva/CORREIO

O banhista Manoel Silva até tentou se aproximar e arriscar um pulo da ponta do trampolim na manhã desta sexta-feira (30), mas, com medo, desistiu, vestiu a roupa e fez apenas uma selfie para registrar sua presença no local.

“Tentamos ir até a ponta para pularmos de lá, mas vimos que tem algumas partes soltas e desistimos, para evitar acidentes. É uma pena que um local como esse esteja desse jeito, muitos turistas gostam de ver o mar daqui e pular na água também”, lamentou.

Dono de uma barraca de praia no Porto da Barra, bem de frente ao trampolim, o comerciante Almir Francisco dos Santos, de 58 anos, trabalha no local desde os 18 e nunca viu o local num estado de conservação tão crítico.

Segundo o comerciante, os clientes que costumam passar o dia em sua barraca na praia reclamam com frequência. “As pessoas param e falam: ‘já pulei muito de lá da ponta’. Hoje em dia está com risco de desabar a qualquer momento. Vivem reclamando. Ainda tem banhista que continua indo lá, mesmo sabendo dos riscos que correm, mas eu sempre aconselho que não vá, porque nem quero imaginar se acontece um acidente com alguém”, disse Almir.

Hoje, o equipamento é fiscalizado pelo Exército Brasileiro. O CORREIO entrou em contato para saber se há algum plano de revitalização para o local, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Já a Marinha do Brasil informou por meio de nota que “a fiscalização e organização do uso desse tipo de estrutura não estão entre as atribuições da Marinha do Brasil, exceto em caso que ofereça risco à navegação, como um desmoronamento, quando o responsável pode ser acionado para realizar a recomposição do local ou a instalação de um auxílio à navegação para sinalização da área marítima afetada”.

O Forte, que já serviu para proteger a cidade de Salvador dos invasores holandeses no período de colonização, tinha como objetivo para assegurar a soberania portuguesa sobre o território brasileiro. Ele foi criado em 1614, pelo engenheiro-mor e dirigente das obras de fortificação do Brasil, Francisco de Frias da Mesquita.

Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Fonte: Correio