Integrando as ações do projeto Salvador Memória Viva, a Fundação Gregório de Mattos promove hoje palestra e lançamento  do livro ijexá, O Povo das Águas, do antropólogo  Vilson Caetano de Sousa . O livro é o resultado de um estudo   feito pelo autor  sobre a comunidade do terreiro  Ilê Axé Kalè Bokùn, tombada pela prefeitura no ano passado, e que serviu de base no processo de  tombamento.

A obra reconstrói a história desse grupo de  africano Ijexá, que no final do século XIX migrou do centro da cidade para a Península de Itapagipe.  Vilson  encontrou parentes do fundador do Kalè Bokùn – terreiro localizado hoje no bairro de Plataforma – e outros núcleos de africanos Ijexás de bairros como Dique  e Pau Miúdo. “O meu ponto de partida foi o depoimento oral e depois fui para documentação histórica,  cruzando os dados”, explica o autor. A pesquisa que foi feita em 2016, ainda contou com entrevistas feitas aqui em Salvador e na cidade do Rio de Janeiro.

Vilson Caetano lança livro em Salvador sobre comunidade Ijexá

(Foto: Divulgação)

Pós-doutor em antropologia, Vilson Caetano é professor da UFBA e desenvolve pesquisas na área de antropologia das populações afro-brasileiras. Segundo ele, todas as suas pesquisas culminam na publicação através de livros e com esse não foi diferente.

“Ijexá são os nomes das terras onde corre o rio Oxum. Os africanos quando chegaram aqui no Brasil foram procurar lugares com água”, explica o professor, sobre a origem da comunidade que foi a primeira a organizar o presente de Iemanjá em um terreiro nas proximidades do Dique do Tororó. Essa pesquisa é o primeiro estudo feito no Brasil sobre a nação ijexá. De acordo com o levantamento feito pelo professor, o número de comunidades do candomblé que se autodeclara Ijexá em Salvadoe não chega a 20.

Salvador Memória Viva é o programa de atividades de proteção e estimulo à preservação dos bens materiais e imateriais do município promovido pela FMG. A palestra para o lançamento do livro vai contar com a participação da Yalorixá Vânia Amaral, representando a comunidade do Terreiro Ilê Axé Kalè Bokùn. 

O evento gratuito acontece nesta terça (3), no Espaço Cultural da Barroquinha, às 17. “A escolha do Espaço Cultural da Barroquinha não foi à toa. É um espaço muito simbólico para nós que somos de santo porque lá foi um dos lugares onde os primeiros candomblés se organizaram e um dos fundadores dos primeiros candomblés era Ijexá”, conta Vilson.

* Com orientação da editora Ana Cristina Pereira

Fonte: Correio