Quatro casos de sarampo foram confirmados na Bahia, sendo que apenas um deles é de paciente que reside em Salvador. Os outros três são de São Paulo (2) e Minas Gerais (1) e estiveram na Bahia doentes e são, portanto, considerados casos importados. Dos quatro registros, um foi na capital – de uma adolescente de 12 anos que viajou para a Espanha e voltou doente de lá -, dois em Porto Seguro e um em Souto Soares.

Em todo o estado, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), são 103 casos em investigação até 10 de agosto. Em Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde investiga 52 casos suspeitos da doença.

Nesta quinta-feira (5), às 14h, na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), no Centro Administrativo (CAB), haverá a reunião da Comissão Intergestora Bipartite (CIB) com secretários municipais de saúde e o governo estadual. Uma das pautas será o sarampo e a necessidade de ampliar a cobertura vacinal nos municípios.

De acordo com dados da Sesab, a cobertura da segunda dose da vacina está em apenas 49% no estado (até o mês passado). A cobertura da primeira dose está em 63% – quando o ideal é 95% de cobertura.

Alerta 
Na terça-feira (3), a pasta alertou para que todos os baianos com viagem marcada para o estado de São Paulo sejam vacinados contra o sarampo. A medida foca em viajantes que nunca foram imunizados ou que tenham esquema vacinal incompleto, principalmente crianças.

De acordo com o  esquema vacinal por idades, a partir de 6 meses, a criança deve receber a primeira dose da vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. Já as crianças de um ano devem  receber a segunda dose com a vacina Tetra Viral (sarampo, rubéola, caxumba, catapora) ou a Tríplice Viral e varicela monovalente. 

Quem tem entre 12 e 29 anos e não tenha sido vacinado anteriormente deve receber duas doses da vacina Tríplice Viral, com intervalo de 30 dias. Finalmente, quem tem entre 30 e 49 anos, caso não tenha sido vacinado anteriormente, deve receber uma dose da vacina Tríplice Viral.

A medida se deve ao fato de o estado paulista concentrar 99% dos casos confirmados de sarampo no Brasil. São três as mortes confirmadas pela doença após um período de 22 anos sem o vírus fazer vítimas fatais em território paulista.

Os passageiros que retornaram, nos últimos 30 dias, do estado paulista ou destinos internacionais com risco aumentado para o sarampo, caso apresentem febre e manchas vermelhas pelo corpo, acompanhado de tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, devem procurar uma unidade de saúde para atendimento imediato.

Aumento de 18%
O Brasil registrou, nos últimos 90 dias, 2.753 casos confirmados de sarampo em 13 estados. O aumento de 18% em relação ao último boletim divulgado, em 28 de agosto, se deve à confirmação clínica de casos que estavam em investigação anteriormente.

De acordo com o novo boletim epidemiológico da doença, divulgado nessa quarta-feira (4) pelo MInistério da Saúde, entre 9 de junho a 31 de agosto de 2019, o Brasil notificou 20.292 casos, sendo 15.430 em investigação e 2.109 descartados.

O levantamento apontou também quatro óbitos em decorrência da doença: três mortes no estado de São Paulo (duas crianças e 1 adulto) e uma no estado de Pernambuco (uma criança). Em nenhum dos quatro casos foi comprovada a imunização contra o sarampo.

O ministério informou que destinou 1,6 milhão de doses extras da vacina tríplice viral a todos os estados, para garantir a dose extra contra o sarampo em todas as crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias. Só para os 13 estados que estão em situação de surto ativo de sarampo, incluindo a Bahia, vão ser destinadas 960.907 doses.

Os casos confirmados estão concentrados em 13 estados, sendo a maioria, 98,37% no estado de São Paulo (2.708), seguido do Rio Janeiro (15), Pernambuco (12), Distrito Federal (3), Goiás (1), Paraná (1), Maranhão (1), Rio Grande do Norte (1), Espírito Santo (1), Sergipe (1), Santa Catarina (7) e Piauí (1). Para o ministério, a Bahia tem apenas um caso, da menina que vive em Salvador, embora a Sesab considere quatro, todos eles importados.

Fonte: Correio