Em busca de frutas cada vez mais doces, cientistas acabaram de descobrir os fatores genéticos que provocam aquele sabor azedinho em algumas delas, principalmente nas cítricas. Não se trata apenas de identificar o chamado “grau brix” da fruta, uma referência mundial para medir os níveis de açúcar dos alimentos.

O estudo realizado por pesquisadores americanos e holandeses foi mais longe, buscou identificar os fatores genéticos que provocam o sabor azêdo, e envolveu a análise do DNA das petúnias, parentes distantes de plantas cítricas. Os cientistas descobriram que genes mutantes, conhecidos como PH1 e PH5, além de alterar a cor das flores ao aumentar a acidez das pétalas, também são capazes de influenciar na acidez dos frutos.

“As células de pétalas mais ácidas são avermelhadas; as menos ácidas são azuladas”, disse a pesquisadora Francesca Quattrocchio, umas das autoras do trabalho.

Depois de investigar as petúnias, analises foram realizadas com limões. As versões cítricas dos mesmos genes são altamente ativos em frutas como laranjas, pomelos e limões.

Os resultados mostraram ainda que as polpas das frutas ácidas contém mais íons de hidrogênio do que as das frutas doces. Estes íons provocam uma queda no pH da fruta, e promovem um sabor mais azedo.

Além de ajudar no melhoramento genético de várias frutas, os cientistas acreditam que a identificação dos genes que provocam o sabor azedo pode auxiliar na produção de frutas direcionadas para a fabricação de bebidas, como as uvas viníferas.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications  e divulgado no Brasil pelo Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

Para descobrir o gene que provoca sabor azêdo cientistas analisaram o DNA de frutas cítricas, como laranja e limão. (Foto: Georgina Maynart)

Amêndoas

Apurar o sabor dos alimentos é uma meta que mobiliza cientistas em várias partes do mundo. Recentemente, pesquisadores da Dinamarca, Espanha, Itália e Suiça também divulgaram ter desvendado o genoma das amêndoas, e as características do DNA que as tornam doces ou amargas.

Os estudos revelaram que uma proteína produzida por um gene é responsável pela ligação de dois outros genes que produzem a toxina amigdalina, que deixa as sementes com sabor amargo. A toxina é ausente nas variedades doces da amêndoa.

Cientistas identificaram genes que tornam amêndoas doces ou amargas.(Foto: CIB)

A nova descoberta vai permitir aos agricultores a identificação mais rápida da versão doce do grão. Antes era necessário esperar até 3 anos para descobrir se a árvore produzia amêndoas amargas ou doces.

Fonte: Correio