Até o início do mês de novembro, a cidade-arquipélago de Cairu, a 392 km de Salvador, no sul da Bahia, fará a própria gestão do lixo gerado em suas 26 ilhas. 

O projeto-piloto será implantado em etapas e pretende ser absolutamente sustentável para o município, contemplando processos como a coleta seletiva, criação da unidade de tratamento de resíduos orgânicos, distribuição de ecopontos, pontos de coleta de eletroeletrônicos e medicamentos vencidos, substituição das bombonas por caixas big bags e caixas estacionárias, criação da estação de transbordo, implantação do sistema de transporte dos materiais recicláveis e, por fim, o encerramento dos lixões.

De acordo com o subprocurador municipal de Cairu, Alcides Bulhões, o lixo sempre foi um desafio para a cidade que, por sua peculiaridade geográfica, sempre gastou muito para retirar os resíduos sólidos das ilhas, demandando a necessidade do uso de balsas.

“O custo da gestão de resíduos sólidos sempre foi elevado, especialmente porque não temos uma cultura de colaboração entre os municípios para realizar essa gestão na forma de consórcios, por exemplo”, explica o subprocurador, salientando que, por lei federal, os municípios brasileiros têm até 2021 para encerrar os lixões a céu aberto e implementar um plano de Gestão de Resíduos Sólidos.

Para a secretária de Desenvolvimento Sustentável de Cairu, Fabiana Pacheco, a iniciativa é um grande passo, uma vez que dos 417 municípios baianos, apenas 43 já conseguiram se adequar à legislação, conforme relatório da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (Sedur). 

“A implementação do plano de resíduos sólidos é de vital importância para sustentabilidade das gerações futuras do arquipélago de Cairu, hoje contamos com uma equipe técnica apta para trabalhar em conjunto com a comunidade conceitos como reciclar, reduzir, reutilizar e principalmente repensar”, pontuou a representante do município. Ela faz questão de salientar que, para alcançar a meta em relação à gestão dos resíduos sólidos, foi preciso investir em educação ambiental, especialmente no ambiente escolar.

Lixo sustentável

A proposta do município não se limita a conseguir gerir o próprio lixo, mas também torná-lo sustentável. 

“Nossa proposta é que 75% do lixo possa ser reaproveitado na forma de reciclagem e para compostagem, possibilitando que a produção de adubo seja usado nas praças do município e o excedente possa ser comercializado”, esclarece Bulhões. 

Segundo ele, tudo o que for de rejeitos será encaminhado para uma área onde o lixo será encapsulado e retirado do arquipélago e será enviado para uma fábrica da região para ser usado como material inflamável. 

“Ao final de dois anos, queremos estar com o processo finalizado e funcionando completamente”, esclarece o subprocurador, ressaltando que todo o processo iniciado na sede do município também será implantado em Itinharé (onde fica Morro de São Paulo) e Boipeba. “Nossa meta é que, ao final de tudo, possamos fechar o lixão e que consigamos gerenciar o processo de modo que ele mesmo se pague”, finaliza. 

 

Fonte: Correio