Foi presa pela polícia nesta segunda-feira (9) uma mulher, de 42 anos, que é suspeita de matar a enteada, de 11, por envenenamento em Cuiabá, no Mato Grosso. A vítima, de acordo com inquérito da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica), recebeu doses diárias de veneno durante aproximadamente dois meses.

De acordo com a polícia, a criança morreu no dia 14 de junho após dar entrada em um hospital particular já sem vida. Inicialmente houve suspeita de meningite, bem como de abuso sexual, pois havia inchaço na genitália, mas depois foi descartado o abuso durante a necropsia do Instituto de Medicina Legal (IML). Após colheita de materiais para exames complementares, foi constatado no sangue da vítima duas substâncias, uma delas veneno que provoca intoxicação crônica ou aguda e a morte. “Essa substância não é encontrada em medicamentos, portanto, sua ingestão por humanos somente pode ocorrer de forma criminosa. Os sintomas da sua ingestão são: visão borrada, tosse, vômito, cólica, diarréia, tremores, confusão mental, convulsões, etc.”, explicaram os delegados Francisco Kunze e Wagner Bassi, que conduzem as investigações. 

Os delegados informaram ainda que todas as vezes que a menina passava mal era socorrida e levada ao hospital, lá ficava internada de três a sete dias e melhorava. Mas ao retornar para casa, voltava a adoecer novamente. O sofrimento durou cerca de dois meses, neste período a criança foi internada por nove vezes.”Notamos que a menina era envenenada a conta gotas, ou seja, ela ia dando um pouquinho do veneno, para não aparecer, porque chega no hospital, a criança está passando mal, morre de causa indeterminada, por alguma infecção, pneumonia, meningite, como muitas vezes suspeitaram”, salientam.

 

Motivação

A polícia informou ainda que a menina pode ter sido assassinada porque havia recebido uma herança milionária, ao nascer, fruto de uma indenização pela morte de sua mãe, durante parto dela em um hospital, na capital, por erro médico.

A ação foi movida pelos avós maternos da criança, que ingressou na Justiça pela indenização, que em 2019, após 10 anos, foi encerrado o processo, com causa ganha a família de R$ 800 mil, incluindo os descontos de honorários advocatícios. Parte do dinheiro ficaria depositado em uma conta para a menina movimentar somente na idade adulta.

O pagamento da ação iniciou em 2019. Até 2018, a menina era criada pelos avós paternos. Em 2017, a avó morreu e no ano seguinte o avô faleceu também, passando a garota a ser criada, naquele mesmo ano, pelo pai e madrasta. A partir daí iniciou o plano da mulher para matar a criança com o objetivo de ter acesso ao dinheiro.

A mulher, que não teve o nome divulgado ainda, foi ouvida após a morte da menina e contou que convive com o pai da vítima desde que ela tinha dois anos de idade e que se considerava mãe dela. A acusada foi presa temporariamente por 30 dias.

Fonte: Agencia Brasil