Mais que um líder religioso ou uma referência do espiritismo, o baiano Divaldo Franco, 92 anos, tornou-se uma importante voz da fraternidade e do amor. E é isso que mostra o filme Divaldo – O Mensageiro da Paz, que retrata a vida do criador da Mansão do Caminho desde a infância, quando vivia em Feira de Santana, até a vida adulta, quando  se firmou como um dos nomes mais importantes da religião propagada internacionalmente por Allan Kardec (1804-1869).

E a maior qualidade do filme dirigido por Clovis Mello (experiente diretor de publicidade e do longa Ninguém Ama Ninguém por Mais de Dois Anos/2015) é ser, ao contrário de outras produções que envolvem o espiritismo, muito mais que um instrumento de divulgação da religião.

O filme é um belo retrato de um homem conhecido por propagar a paz e a tolerância e que é um exemplo para toda a humanidade, muito mais que para os seguidores de uma doutrina.

Divaldo Franco tem 92 anos e é um dos nomes mais importantes do espiritismo no mundo (Foto: Divulgação)

“Desde o início, queria fazer um filme que não fosse dogmático, até porque a doutrina espírita não é excludente. Ela agrega e a Mansão do Caminho [obra social que funciona no bairro de São Marcos] confirma isso: na creche de lá, talvez a maioria das crianças seja evangélica e tem candomblecistas, umbandistas, católicos…”, afirma Clovis, que esteve em Salvador para divulgar o filme e conversou com o CORREIO.

O diretor observa ainda que Divaldo Franco, como mostra o filme, sempre aceitou outras religiões e nunca entrou em conflito com elas.

Elenco

Divaldo é interpretado por três atores: na infância, por João Bravo; na fase adulta, por Guilherme Lobo e Bruno Garcia. “Tive contato com Divaldo em Salvador. Acompanhei uma reunião mediúnica bem intensa. Há cenas de reuniões no filme e alguns trechos foram retirados de reuniões reais. Conversei também com Ana Landi, biógrafa dele”, diz Guilherme Lobo, que se tornou conhecido por sua atuação como um garoto cego em Hoje eu Quero Voltar Sozinho (2014).

Os pais de Divaldo são interpretados por dois baianos: Laila Garin, também conhecida por sua carreira como cantora, e Caco Monteiro, atualmente em cartaz na peça Godó – O Mensageiro do Vale. No elenco, destaque-se ainda a atuação de Marcos Veras, ex-Porta dos Fundos, que prova mais uma vez ser muito mais que um ator cômico. Ele interpreta um espírito obsessor que realmente existiu e atormenta a vida de Divaldo. Seu personagem dá um interessante tom terrorífico ao filme e pode ser visto como uma figura demoníaca realmente perturbadora.

Marcos Veras, como um espírito obsessor, dá tom  de terror ao filme (Foto: Divulgação)

Há espaço até para alguns momentos cômicos no filme, proporcionados pela atuação de Guilherme Lobo, como na cena em que Divaldo conversa com o espírito da mãe de um padre que, naturalmente, só é “vista” por ele. “Quando assisti à primeira palestra dele, decupei o que era Divaldo, queria um filme que tivesse a mesma métrica de uma palestra dele. O filme tem o humor que Divaldo tem, a história dele e a emoção que ele consegue tirar das pessoas”, afirma Clovis, que é também o roteirista do filme.

Divaldo – O Mensageiro da Paz, apesar de ser uma cinebiografia conservadora em seu formato, coleciona acertos, como a ótima atuação de Guilherme Lobo e um roteiro que emociona, longe de ser piegas. Além disso, é uma lição de tolerância importantíssima neste momento.

 Bruno Garcia  vive o médium baiano na fase madura (Foto: Divulgação)

Fonte: Correio