Um dos tipos de tumor mais comuns entre as mulheres, o câncer de mama já encontra diversos avanços, não apenas em termos de prevenção, mas também no seu tratamento, permitindo às pacientes maiores chances de sobrevivência. Um tratamento aprovado recentemente pela Anvisa é a imunoterapia, que se mostrou eficaz em diversos casos de câncer de mama do tipo metastático.

O tema será abordado pelo oncologista Jorge Leal, diretor executivo do Instituo de Pesquisa Carlos Aristides Maltez, na tarde desta sexta-feira (13) no II Simpósio Internacional de Tumores Femininos, que acontece em Salvador até sábado (14). Ele explica que o tratamento consiste em terapias que bloqueiam uma via do sistema imunológico, chamada de check point.  

A imunoterapia é aplicada de forma intravenosa e busca estimular o sistema imunológico para combater as células cancerosas, que conseguem “enganar” o mecanismo de defesa do organismo. De acordo com Leal, as pacientes baianas já têm acesso ao tratamento em clínicas de oncologia e, atualmente, é indicado no Brasil para pacientes que têm câncer de mama do tipo metastático ou inoperável. 

“Esse tratamento, comparado apenas com a quimioterapia, aumenta a taxa de resposta tumoral, trazendo alivio dos sintomas do paciente, aumentando também a chance de sobrevida”, explica Leal. 

Outro ponto positivo da imunoterapia, de acordo com o oncologista, é a possibilidade de a paciente permanecer mais tempo com o mesmo tratamento. “Isso é muito importante do ponto de vista terapêutico, social e de qualidade de vida. Porque para a paciente que possui um câncer de mama metastático, a mudança de tratamento sempre traz à tona a ideia de que a doença pode estar voltando. Ter um tratamento que funcione por mais tempo e tenha resultados eficazes é muito mais positivo nesse processo”. 

Leal afirma que casos de tratamento por imunoterapia podem ter respostas positivas em períodos que variam entre 12 e 24 meses.   

O câncer de mama ainda é o tipo da doença que mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%. O câncer de ovário é a segunda neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do câncer do colo do útero.

Aprovação
A imunoterapia já é aplicada desde 2010 para outros tumores. Os primeiros tratamentos aprovados foram para o câncer de próstata. A partir de 2011, a imunoterapia foi aprovada para outros tipos de câncer, como melanoma, câncer no pulmão, rim e bexiga. 

No caso do câncer de mama, a aprovação do tratamento se deu em setembro de 2018 na Europa e nos Estados Unidos, após comprovação de sua segurança e eficácia. Jorge Leal ressalta que a aprovação no Brasil, que se deu cinco meses depois, se deu em um tempo recorde. “É normal ter um delay entra a aprovação exterior e no Brasil. Mas no caso do tratamento por imunoterapia para o câncer de mama, não consideramos que houve uma demora”. 

Simpósio
O II Simpósio Internacional de Tumores Femininos acontece no Hotel Deville Prime, em Itapuã, desde quinta-feira (12). Especialistas do Brasil e de diversos países debatem o tema, que, apesar dos avanços no diagnóstico e tratamentos, ainda é uma preocupação no cenário global, já que uma em cada seis mulheres no mundo terá algum tipo de tumor ao longo da vida, segundo dados do relatório anual da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assuntos como prevenção, genética, rastreamento e terapêutica  dos cânceres de mama e ovário, assim como as doenças oncoginecológicas serão discutidas pelos especialistas durante o evento.

Fonte: Correio