Arte de Francisco Brennand (foto/divulgação)

Quando se fala em arte de qualidade logo se pensa nos Estados Unidos e Europa. Não é bem assim, temos artistas de grande inventividade na China, Japão, Austrália e continentes africano e latino americano. No fundo, é uma questão de divulgação, que a mídia internacional não foca, nem críticos de arte se dispõem a buscar nestes rincões quem está produzindo arte. É bem mais cômodo investigar o trabalho de quem está por perto. Nova Iorque e Paris que ir investigar à África.

Não se pode comparar a mídia africana, com o poderio norte-americano ou europeu. Aqui mesmo no Brasil, o eixo Rio-São Paulo tem visibilidade muito maior que todo o Nordeste composto de 9 estados. O Nordeste é considerado o terceiro mundo do Brasil, quando aqui nasceram ou passaram artistas seminais para a identidade visual de nosso país como: João Câmara, Francisco Brennand, Rubem Valentim, Antonio Maia, Raul Córdula, Samico, Sérvulo Esmeraldo, Miguel dos Santos, Montez Magno, Carybé, Antonio Bandeira e Vicente do Rego Monteiro.

O Nordeste, apesar da crescente influência na arte brasileira, permanece isolado do ponto de vista da mídia e do fator econômico-cultural e talvez ,por isso, preserve valores autênticos da cultura popular, o que dá sentido e identifica a cultura brasileira.

Também críticos de arte nordestinos como José Valladares, Geraldo Edson de Andrade, Clarival do Prado Valladares, José Simeão Leal, Ferreira Gullar, Mario Schenber, Antonio Bento, Mario Pedrosa Maria Helena Flexor, Wilson Rocha, Benedito Nunes Matilde Matos.

Destes os que imigraram para Rio – São Paulo fizeram grande sucesso, tiveram mercado e reconhecimento nacional. Deixaram um legado excepcional.  Alguns artistas nordestinos conseguem furar este cerco, mas com grande dose de sacrifício.

O que ocorre com o Nordeste em relação ao Sul-Maravilha, ocorre com a América do Norte e Europa em relação com a África, Ásia, Antártida, Austrália e Oceania. Artistas e críticos americanos e europeus, assim como galeristas, leilões, museus, tem uma diferença extraordinária. Artistas latinos – americanos de grande peso, fizeram sucesso nestes dois continentes, porque foram morar lá estudando e trabalhando.  León Ferrari, Antonio Berni, Julio Le Parc, Jesús Rafael Soto, Carlos Cruz – Diaz, Siqueiros, Cuevas, Posada, Wifredo Lam, Alberto Korda, Moisés Barrios, Fernando Botero, Arturo Borda, Enrique Tábora. No Brasil nossos artistas por melhores que sejam não são reconhecidos internacionalmente. Não temos brasileiros com visibilidade e mercado como estes latino-americanos citados. Vale a pena refletir sobre esse fato.

César Romero é pintor, crítico de arte e escreve toda segunda-feira

Fonte: Correio