Vinte e uma jovens mentes inovadoras se reuniram nesta segunda-feira (16) para participar do workshop de design thinking, que é parte do Prêmio Correio de Futuro. As sete equipes discutiram, organizaram, planejaram e apresentaram nove ideias que mostram novas formas de fazer jornalismo e também de como os jornalistas se relacionam com o leitor. 

Após a apresentação das nove ideias, algumas – não há número definido – serão escolhidas para disputar a grande final do prêmio, que acontecerá nesta sexta-feira (20). Nesta última etapa, as equipes selecionadas irão apresentar seus projetos para uma banca, que escolherá a grande campeã. 

No mesmo dia, além da última fase do projeto, também acontecerá uma palestra da gerente de Pesquisa e Treinamento em Novas Mídias do La Nación, Florencia Coelho. O bate-papo acontecerá às 9h, no auditório 2 da Rede Bahia, e terá acesso gratuito para quem se inscrever através do site. As vagas são limitadas.

Foto: Divulgação

Os ganhadores vão ter a oportunidade de desenvolver seu projeto, durante três meses, contando com a mentoria de profissionais de diversas áreas do CORREIO, e a equipe vencedora ganhará R$ 10 mil em prêmios.

Sem fronteiras
Mais de 14 horas dentro de um ônibus não foram um obstáculo capaz de impedir a vontade dos pernambucanos Débora Oliveira, Saulo Alexandre de Barros e Roberto Alfredo Peixoto de Mendonça, estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Eles, que souberam do prêmio através de amigos, não escondem a empolgação em participar do concurso, principalmente por ele ter como foco a inovação.

“Antes de estudar jornalismo eu trabalhava no Centro de Inovações da Microsoft, onde eu sempre buscava sair do lugar comum para encontrar soluções para problemas. Ao começar o meu curso, eu acabei deixando isso um pouco de lado, o que foi bem ruim. Felizmente eu soube desse prêmio que dá essa chance de nós inovarmos e o jornalismo é uma área muito carente destas mudanças. Hoje, na universidade, se ensina da mesma forma que há décadas atrás, quando toda a estrutura jornalística e a relação com o leitor era diferente”, defende a estudante Débora Oliveira.

A ideia de ter a inovação como mote do Prêmio Correio de Futuro saiu justamente desta necessidade do jornalismo se adaptar às novas realidades de mercado e de relação com o público leitor. A editora-chefe do CORREIO, Linda Bezerra, defende esta adaptação para que a área se mantenha sustentável, sempre tendo como foco a qualidade e a credibilidade.

“É um prêmio que celebra a inovação. Eu não conheço nenhuma iniciativa que tenha ousado assim, reunindo pessoas de diversas áreas, como design e tecnologia da informação, para pensarmos juntos ideias para melhorar o jornalismo. E esse é justamente o grande barato de programa, essa junção de bagagens, onde eles aprendem um pouco sobre o que nós, jornalistas precisamos e a gente aprende sobre as soluções tecnológicas e inovadoras que eles trazem”, comemora a editora-chefe.

Além disso, Linda exalta a chance destas ideias se transformarem na oportunidade destes estudantes construírem uma carreira. “É muito importante para o jornalista perceber que o universo de sua profissão é muito maior que trabalhar numa redação ou em uma assessoria. Por exemplo há produtos apresentados que não dão soluções apenas para o jornal, mas que podem ser adaptados para toda a cidade”, afirma.

Já a curadoria do projeto está à cargo do editor de inovação do CORREIO, Juan Torres. Ele destaca que o ponto mais importante do prêmio é a convergência das áreas de jornalismo, design tecnologia, que para ele é uma área ainda muito pouco utilizada dentro das redações, mas que pode ser uma ferramenta para ajudar na reportagem e em uma entrega melhor de conteúdo ao público.

“O desafio era montar um prêmio que agraciasse não algo já feito, mas o futuro, o jornalismo do futuro. E, para isso, nada melhor que pegar os futuros jornalistas, que estão com cabeça fresca, cheia de ideias para construir os próximos anos. E hoje, através da tecnologia, podemos otimizar toda a cadeia de produção de uma notícia. Desde a pauta até a maneira como ela será apresentada ao leitor”, defende. 

Workshop
No workshop de design thinking, as equipes puderam se reunir para colocar no papel tudo aquilo que tinham em mente para transformá-lo em um protótipo, que teve três minutos para ser apresentado. A organizadora da oficina, Iracema Marques, diz que este é um ótimo meio de tornar a ideia viável.

“Às vezes as ideias surgem em momentos caóticos e nós temos que organiza-las. E as pessoas pensam que suas sugestões são ótimas, mas deixam de imaginar como ela será utilizada pelas pessoas. E esse é o momento para saber como a ela será aplicada e ver se tem sentido e se tem algo de inovador”, explica Iracema.

Conheça as equipes e projetos

Equipe: Carla Galante (Jornalismo/Ufba), Cristiane Schwinden  (Jornalismo/Ufba), Daniel Aloisio (Jornalismo/Ufba) e Victor Lucca Cerqueira Ferreira (Jornalismo/Ufba)
Projeto: Minha Fonte
Descrição: O projeto tem como objetivo criar um banco de dados das fontes aqui do CORREIO. Esta plataforma também será aberta para as pessoas se cadastrarem para também serem fontes do jornal. E o jornalista terá a facilidade de encontrar um personagem ou especialista, podendo pesquisar tanto por nome quanto por ocupação, sexo e idade.

Equipe: Thídila Salim (Jornalismo/Ufba), Emanuel Estrela Bessa (Ciência da Computação/Unifacs) e Carlos Magno (Jornalismo/Ufba)
Projeto: Agenda Cultural 
Descrição: A ideia é uma agenda cultural da cidade com uma nova experiência de visualização e experimentação. A plataforma planeja possibilitar um maior engajamento entre os leitores, o jornal e a cultura. Através dela a pessoa poderá saber quais eventos, tanto os grandes quanto os pequenos, estão acontecendo em Salvador e se programar para frequentá-los e criar a sua própria agenda.

Equipe: Yasmin Cíntia Macêdo da Cunha (Jornalismo/Unifacs), Victor Higor Borges Correia (Design/Unifacs) e Victor Fernandes Baião Raton  (Ciência da Computação/Unifacs)
Projeto: Operação Gatewashing.
Descrição: Através desta ideia cada leitor terá um site “Correio24horas” único de acordo com as suas preferências demonstradas em suas redes sociais. Por exemplo, alguém que goste de esportes encontrará as notícias desta editoria em destaque quando abrir o site do jornal. A ideia é que, ao invés de procurar o Google ou as próprias redes sociais para encontrar o conteúdo que deseja, o leitor abra o Correio24horas e encontre, de cara, aquilo que procura.

Equipe: Débora Oliveira (Jornalismo/UFPE), Saulo Alexandre de Barros (Ciência da Computação/UFPE) e Roberto Alfredo Peixoto de Mendonça (Jornalismo/UFPE).
Projeto: Chatbot
Descrição: Um mecanismo inteligente de envio de mensagens pelo WhatsApp é a ideia dos pernambucanos. Com ele o leitor se cadastraria e começaria a receber notícias em seu celular de acordo com os seus interesses. O robô também teria uma programação diária para se adaptar aos hábitos do leitor. Por exemplo: se ele lê duas reportagens quando recebe 10, o chatbot iria começar a enviar apenas duas;

Equipe: Elisa Cristina Pie Brotto (Jornalismo/Unifacs), Ícaro Ariel Carneiro Leite (Sistemas de Informação/Uneb), José Diôgo da Silva Carneiro (Sistemas de Informação/Uneb) e Fernando Azevedo Maia Júnior (Sistemas de Informação/Uneb). 
Projeto: Leitor pauteiro
Descrição: A ideia também é a construção de um chatbot para captar leads e pautas dos leitores do CORREIO. Com ele, as pessoas poderão enviar sugestões de pautas ao jornal e o robô o organizará por editorias. Aí quando alguém desejar fazer uma reportagem sobre cultura, por exemplo, poderá encontrar algumas sugestões enviadas pelo público.

Equipe: Fellipe Narde Oliveira da Hora (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba), Thiago Santos Moreira (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba) e Andre Gomes Bahiense  (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba)
Projetos: Coralina e BumpIA.
Descrições: A Coralina é um chatbot onde os leitores poderão mandar mensagens para receber notícias de acordo com seu interesse. Por exemplo: se ele escrever que gosta do Bahia, automaticamente começará a receber notícias do time. Já o BumpIA é um é um organizador automático do banco de fotos e imagens do CORREIO. Ele pode organizar e caracterizar as imagens a partir do nome delas.

Equipe: Jéssica Carolina Teixeira Lima (Design/Ufba) e Marcos Victor dos Santos Fernandes (Engenharia da Computação/Ufba)
Projetos: Editor Inteligente e WhatsApp do Correio
Descrições: O editor faria muito mais que apenas editar textos, mas os ajudaria a melhorar. Quando o repórter escrevesse algo ele imediatamente iria sugerir algo. Por exemplo: se escrever jogador do Vitória, iria aparecer a lista de atletas. E caso o jornalista clicasse em Felipe Gedoz iria aparecer todos os dados dele na temporada. Já o WhatsApp do CORREIO seria uma ferramenta para que o leitor pudesse comunicar ao jornal o que está acontecendo na cidade. Com isso o CORREIO ganharia em agilidade e poderia quase em tempo real fazer a cobertura da cidade. 

Correio 40 anos
O projeto Correio 40 Anos tem oferecimento do Bradesco, patrocínio do Hapvida e Sotero Ambiental, apoio institucional Prefeitura de Salvador, e apoio de Vinci Airports, Senai, Salvador Shopping, Unijorge, Claro, Itaipava Arena Fonte Nova, Sebrae e Santa Casa da Bahia.

*Com supervisão do editor Wladmir Pinheiro

Fonte: Correio