A Polícia Militar instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte do estudante João Guilherme Santos da Mota, 15 anos. Ele foi baleado na cabeça na última sexta-feira (13) no bairro de Caminho de Areia, em Salvador. A família do jovem acusa policiais da 17ª Companhia Independente (CIPM/Uruguai) pelo crime.

O Inquérito Policial Militar (IPM) tem prazo de conclusão de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20 dias.

Segundo parentes de João Guilherme, na sexta-feira, o adolescente saiu de casa por volta de 21h para encontrar com um amigo na Rua Manoel Barros de Azevedo, na localidade conhecida como Bairro Machado. Os dois conversavam perto de um grupo de rapazes quando os policiais chegaram.

“A rua onde o amigo de meu sobrinho mora é um local onde todo mundo sabe que anda muita gente que tem envolvimento com a criminalidade, mas nem todo mundo é envolvido. O amigo dele não era e meu sobrinho se sentia tranquilo em ir lá porque geralmente eles não mexem com quem é da comunidade”, contou uma tia da vítima que pediu para não ser identificada.

Familiares do jovem fizeram uma camisa em homenagem (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

Segundo os relatos, era por volta das 22h quando uma equipe da PM chegou ao local atirando e todos correram, inclusive João Guilherme e o amigo. “Só que o amigo teve o reflexo de correr para dentro da própria casa, mas o meu sobrinho, talvez por imaturidade, correu na direção dos demais. Ele seguiu o rastro dos outros e entrou num beco que dá para uma rua. Só que ninguém contava que já havia um outro policial militar esperando quem saíssem do beco”, contou a tia.

João Guilherme foi baleado na cabeça e foi socorrido para o Hospital do Subúrbio pela equipe policial que estava na viatura de número 9.1710. Os policiais alegaram que a situação foi resultado de um confronto com bandidos. A equipe era comandada pelo sargento Cláudio da Cruz Alves.

No sábado (14), os parentes do adolescente estiveram na Corregedoria da Polícia Militar, onde registraram um boletim de ocorrência. João Guilherme estudava o 8º ano numa escola particular em Roma. Tinha uma lava jato na porta de casa e à noite trabalhava fazendo entregas de bicicleta.

Fonte: Correio