Você já pensou em resolver os problemas da Terra e do espaço? Pois acredite que tem muita gente disposta a isso. Tanto que a Agência Aeroespacial Americana realiza, desde 2012, o Nasa Space Apps Challenge, uma competição feita simultaneamente em várias cidades do mundo, incluindo Salvador, que desde o ano passado participa do desafio internacional. Referência em inovação na região, o Hub Salvador foi novamente escolhido como cenário ideal para receber o maior hackathon do planeta, que será realizado 18, 19 e 20 de outubro.

No ano passado, a competição reuniu em sua maioria estudantes universitários, startupeiros e profissionais das mais diversas áreas. “Pode participar qualquer pessoa maior de idade, com vontade de resolver um problema da humanidade”, explica Leka Hattori, 44 anos, representante oficial do Nasa Space na Bahia. As pré-inscricões já estão abertas e devem ser realizadas até 10 de outubro através do site www.spaceappssalvador.com.

Após o período de inscrição é feita a seleção dos competidores que participarão efetivamente do evento. No primeiro dia (18/10), começa o bootcamp (palestras) e, no final, equipes de cinco participantes são formadas, escolhem um dos desafios e têm 24 horas para desenvolver uma solução para aquele problema.

Depois, cada uma apresenta seu pitch para uma banca de jurados, que pontua os projetos. Os dois primeiros com maiores pontuações competirão na final mundial. Os vencedores são escolhidos pela Nasa.  Dentre os jurados, um nome já confirmado é Francisco Costa Neto, CEO, ou melhor, Multiplicador de Alegria da Aviva, detentora de dois ícones do segmento de Turismo e Entretenimento do Brasil: o Rio Quente Resorts e a Costa do Sauípe.

Como prêmio, as duas melhores equipes do mundo visitam o Nasa Kennedy Space Center, na Flórida, nos Estados Unidos. As de maior destaque ganham visibilidade para um mercado com empresas e investidores que buscam novos talentos.

“É uma oportunidade de se tornar conhecido para uma empresa do porte e magnitude da Nasa, desenvolver habilidades de criação colaborativa e poder ser encubada pela agência. Os vencedores de Salvador no ano passado ficaram mundialmente conhecidos pois apareceram no site mundial do evento, interagiram com outros participantes mundiais. Foi uma grande vitrine”, dá a dica Leka.

“Em Salvador haverá premiações simbólicas. Também há possibilidade de concorrer a uma bolsa para o programa de aceleração de startups do Founder Institute”, completa.

Para garantir subsídios suficientes e chegar às soluções, os participantes têm acesso ao banco de dados da Nasa, colhidos através de missões, pesquisa e tecnologias desenvolvidas pela própria agência. “Os desafios são reais, propostos pela Nasa, por isso, durante a maratona, os dados dos seus arquivos são abertos para o competidor desenvolver sua ideia baseado na realidade”, pontua a produtora.

“Este é o grande diferencial deste evento, os desafios são reais, os dados são verdadeiros e cabe a eles usarem a criatividade para solucionar um problema da humanidade”, ressalta Leka.

Além da Bahia, quase todos os estados do Sul e Sudeste e Centro-Oeste participam do Hackathon, que chegou ao Brasil em 2017. No Nordeste estão ainda Pernambuco, Paraíba e Ceará. No mundo, ano passado, foram 18 mil participantes, em mais de 200 cidades em 75 países.  “Em Salvador tivemos mais de 200 inscritos, dos quais 100 participaram apresentando 17 projetos. Os dois finalistas concorreram mundialmente, mas não foi desta vez que a Bahia foi vencedora”, explica Leka.

Em 2019, a realizadora tem planos ambiciosos para Salvador: “Quero um projeto vencedor na etapa mundial. Para isso, este ano, com apoio da Prefeitura, Hub Salvador, Lighthouse e Daten, mais que dobramos o número de vagas para participantes: serão 250. Os mentores e mentoras serão mais que o dobro também, em torno de 60”, conta. Na mentoria, contamos com apoio da UCSAL, ABAS (Associação Baiana de Staturps) e AJE (Associação Jovens Empreendedores da Bahia), além de empreendedores do All Saints Bay.

Leka Hattori também desenvolveu uma estratégia para conquistar o topo da competição. “Junto com a F2 Data, que foi minha parceira ano passado, fizemos um estudo sobre os projetos vencedores de edições passadas. Esses dados foram disponibilizados no site www.spaceappssalvador.com/construindo-campeoes/, assim podemos direcionar melhor os participantes”, revela a empresária, que junto com a F2 Data também está organizando o evento no interior de São Paulo, na cidade de São José do Rio Preto, onde sua a família reside.

Participação feminina
Empreendedora em diversos segmentos, como o da Gastronomia – ela é administradora e chef de cozinha responsável por vários projetos – Leka tem outro desafio para o hackathon em todo o país: dar mais espaço para o sexo feminino. “Eu me uni a grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba, e estamos alinhados em ter 40% das participantes mulheres”, revela. No ano passado, esse número chegou à 22%.

“Eu tenho divulgado nas redes sociais o projeto Artemis (que já tem o nome feminino, que é a irmã de Apollo na mitologia grega) da NASA, que é o de levar a primeira mulher à Lua. Estou buscando apoio na divulgação de eventos nas redes de empreendedorismo feminino, como a Câmara da Mulher Empreendedora da Fecomercio, da qual faço parte, e nas demais, como Rede de Mulheres Empreendedoras”, reforça a empresária, que também convidou duas mulheres para compor o júri do hackathon em Salvador.

Leka Hattori é também uma das diretoras do Founder Institute, a maior aceleradora de startups do Vale do Silício, e lá tem um foco primordial de atrair mais mulheres para o segmento de tecnologia, inclusive com oferta de bolsas de pesquisa. “Trago um histórico de ter vencido em um ambiente machista, que é o da Gastronomia, mesmo no exterior, e quero criar oportunidades para que outras mulheres conquistem seus espaços”, diz.

Os desafios propostos pela NASA para sua competição mundial são:

OCEANOS DA TERRA: das praias e pântanos salgados ao oceano aberto, gelo marinho e fundo do mar, os oceanos da Terra são dinâmicos. Esta categoria solicitará que o competidor use os dados da NASA para monitorar e entender melhor os oceanos da Terra.

PLANETAS PRÓXIMOS E DISTANTES: dos planetas vizinhos aos visíveis apenas através dos telescópios mais poderosos, outros corpos planetários há muito fascinam cientistas, artistas e exploradores. Esta categoria de desafio solicitará que use os dados da NASA para explorar os sistemas de outros planetas, próximos e distantes.

NOSSA LUA: ao longo da história humana, nossa lua tem sido um farol fiel para os observadores do céu da Terra. Os desafios desta categoria solicitarão que o participante pense criativamente sobre a Lua e interprete os dados e conceitos da NASA para encontrar soluções.

PARA AS ESTRELAS: Se os interesses dos competidores estão em no sistema solar ou além, o espaço sideral oferece uma oportunidade aparentemente interminável de estudo, exploração e inspiração. Os desafios desta categoria os convidarão a pensar muito e a serem criativos sobre ciência e exploração espacial, seja seu ponto de vista científico, tecnológico, artístico – ou todos os três.

VIVENDO EM NOSSO MUNDO: a Terra é composta de sistemas complicados – terra, água, ar, seres vivos e o próprio planeta. É importante entender como esses sistemas funcionam juntos. Os desafios desta categoria solicitarão que os participantes criem soluções usando dados da NASA – uma história, um jogo, um vídeo, qualquer produto de seu projeto – que capturam como é viver na Terra.

Fonte: Correio