Hoje, a Bahia tem festas literárias espalhadas por todo o Estado: em Ilhéus, a Flios; em Mucugê, a Fligê; em Salvador, a Flipelô; em Jequié, a Felisquié… e por aí vai. Mas talvez nenhuma delas existisse se não fosse a pioneira Flica – Festa Literária Internacional de Cachoeira, que chega neste ano à nona edição e acontece de 24 a 27 de outubro. O evento foi lançado oficialmente ontem, na Governadoria, no Centro Administrativo.

Entre os participantes das mesas de bate-apo desta edição, estão os autores Lilia Schwarcz, Thalita Rebouças, Bráulio Bessa e o baiano Itamar Vieira Júnior. As participações estrangeiras incluem Mariana Komisseroff, da Argentina, e Maria do Rosário Pedreira, de Portugal.

Bráulio Bessa

Emmanuel Mirdad, coordenador geral da Flica, explica por que Cachoeira foi escolhida para sediar o evento literário que ele idealizou há dez anos: “Quando criamos a Flica, a única festa literária do Nordeste era a Fliporto [em Pernambuco]. Escolhemos Cachoeira por ser perto de Salvador. Paraty [no RJ, onde acontece a Flip], fica a quatro horas do Rio de Janeiro, enquanto Cachoeira está a uma hora e meia de Salvador, o que facilita a logística. Além disso, é uma cidade histórica e isso deixa o evento mais charmoso”.

Mirdad é também diretor da Cali, que, junto com a iContent (empresa da Rede Bahia), realiza a Flica. O evento tem patrocínio da Coelba e do Governo do Estado, além de apoio institucional da Rede Bahia e apoio da prefeitura de Cachoeira.

“Dentro do nosso portifólio de eventos culturais, a Flica é importantíssima para a iContent. É um evento muito bacana, bonito, que acontece numa cidade belíssima”, diz Paulo Sobral, diretor executivo de entretenimento da Rede Bahia.

O governador Rui Costa justificou o apoio do Estado à Flica e disse que cultura e educação não podem ser separados: “Não podemos separar a tradição e a história da gestão pública. Precisamos conversar de forma transversal. Cultura tem tudo a ver com educação”.

Itamar Vieira Júnior

Homenageada

Como aconteceu em outros anos, a Flica vai homenagear um escritor: desta vez, é a baiana Gláucia Lemos, de 89 anos, que está comemorando 40 anos de carreira. No ano passado, a homenageada foi a mineira Conceição Evaristo e no ano anterior, o baiano Ruy Espinheira Filho. Gláucia, que participou de uma mesa da Flica na segunda edição, retorna a Cachoeira agora para receber a homenagem. “Ainda bem que recebo essa homenagem em vida, porque morrer não está nos meus planos. Pode ser que um dia aconteça”, disse a escritora, muito bem humorada.

Gláucia é poeta, cronista, romancista e autora de livros infanto-juvenis, como os da coleção Marujo Verde. Na Flica, ela vai participar da mesa Criação, Contemplação e Mergulhos, no dia 26, um sábado. Em um bate-papo intermediado pelo escritor Carlos Ribeiro, a escritora vai falar sobre seu processo criativo e sobre como transita entre a prosa e a poesia. A escritora vai aproveitar a Flica para lançar seu próximo livro, Sonetos Verdes, pela editora baiana Mondrongo.

“Gláucia tem importância ímpar na literatura baiana, que representa todos os escritores da Bahia, não só pelo talento, mas pela versatildiade. Transita entre conto, crônica, ensaio, versos e atua com talento e desenvoltura em cada uma dessas áreas. E os 40 anos dela como escritora representam a resistência da literatura baiana”, afirma Kátia Borges, que pela primeira vez realiza a curadoria da Flica.

As crianças novamente foram lembradas e terão um espaço exclusivo, a Fliquinha, que acontece pela sétima vez, de novo no Cine Teatro Cachoeirano. A curadoria é de Mira Silva e de Lilia Gramacho. “Continuamos estimulando a capacidade de imaginar e de impulsionar a relação da criança com o livro”, afirma Mira. 

Desta vez, 17 autores vão participar da Fliquinha, contando histórias para as crianças e batendo um papo informal com elas. 

O escritor Peter O’Sagae vai ministrar uma oficina gratuita para adultos que desejam escrever para crianças. O curso, de dez horas, deve interessar a educadores, mas, como observa Mira, pode ser uma boa pedida para os pais que desejam criar suas histórias para contar aos filhos.

Programação

24 de outubro – Quinta-feira

Mesa 1 – “Cartografias do Brasil contemporâneo”
Autoras: Lilia Moritz Schwarcz e Eliana Alves Cruz
Mediação: Zulu Araújo
Horário: 15h
Mesa 2 – “Cartografias da subalternidade: a construção do lugar do outro”
Autores: Itamar Vieira Júnior e Marcelo Maluf
Mediação: Wesley Correia
Horário: 19h

25 de outubro – Sexta-feira

Mesa 3 – “A leitura não precisa ser essa coisa chata”
Autores: Thalita Rebouças e Saulo Dourado
Mediação: Ronaldo Jacobina
Horário: 10h
Mesa 4 – “A literatura que ousa dizer o seu nome”
Autoras: Mariana Komisseroff (Argentina) e Natália Borges Polesso
Mediação: Mariana Paim
Horário: 15h
Mesa 5 – “Estratégias do eu-lírico, esse eterno fingidor”
Autores: Maria do Rosário Pedreira (Portugal) e Antonio Brasileiro
Mediação: Mônica Menezes
Horário: 19h

26 de outubro – Sábado

Mesa 6 – “Pra cada canto que eu olho, vejo um verso se bulindo”
Autores: Bráulio Bessa e Antônio Barreto
Mediação: Maviael Melo
Horário: 10h
Mesa 7 – “Diásporas íntimas no caminho das estações”
Autores: Landê Onawale e Jovina Souza
Mediação: Lívia Natália
Horário: 14h
Mesa 8 – “Quer que desenhe? Perspectivas negras nos Quadrinhos”
Autores: Marcelo D` Salete e Hugo Canuto
Mediação: Luana Assiz
Horário: 17h
Mesa 9 – “Contemplação, criação e mergulhos”
Gláucia Lemos – Autora homenageada 2019
Mediação: Carlos Ribeiro
Horário: 20h

27 de outubro – Domingo

Mesa 10 – “A poesia apresenta suas armas”
Horário: 10h
Autores: Irmandade da Palavra convida Slam das Minas Bahia

Fonte: Correio