A ideia é que você, leitor, possa enviar sugestões de pautas e acumule pontos pelas ideias. Um robô organizará as propostas e oferecerá as melhores opções para o repórter, a depender da editoria. Assim, o leitor participa ativamente do processo de produção e enxergar sua ideia no papel e na página online do CORREIO. Esse projeto, batizado de “leitor pauteiro”, foi o vencedor da primeira edição do Prêmio Correio de Futuro.

Os estudantes executarão o plano em três meses, com auxílio de mentoria, e receberão R$ 10 mil em prêmios. Antes da premiação, a gerente de pesquisa do La Nación, Florencia Coelho, explicou como a inteligência artificial pode revolucionar o jornalismo.

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

O grupo vencedor é formado por quatro amigos: uma estudante de jornalismo da Universidade de Salvador (Unifacs) e quatro estudantes de Sistemas de Informação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Antes, a única aproximação dos meninos com o mundo das notícias tinha sido Elisa Pie Brotto, a aspirante a jornalista do grupo. O evento, inciado às 9h, foi aberto ao público, e os grupos tiveram cinco minutos cada para apresentar suas ideias. 

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

“Nossa única aproximação com o jornalismo era a própria Elisa. É um novo conceito, uma nova área, pode assustar, mas toda nova área nos mostra novas plataformas a explorar”, falou José Diôgo da Silva. 

Foram duas semanas de levantamento de ideias até que, finalmente, precisaram optar por uma. “Foi uma tempestade de ideia, tivemos ajuda dos professores e escolhemos a que achamos mais promissora”, disse Elisa, quem viu o anúncio do prêmio lançado pelo CORREIO nas redes, em julho. As inscrições foram abertas em agosto. O quarteto passou por uma seleção que incluiu 38 pessoas inscritas, de 18 cursos e 7 universidades. 

No dia 29 de julho, os inscritos já haviam participado do Seminário o Futuro do Jornalismo, com participação do co-fundador e editor-chefe do Nexo, Conrado Corsalette; a diretora de produto do Jota, Paty Gomes, e o líder técnico da Operação Serenata de Amor, Mário Sérgio. O jornal visitou sete faculdades de Salvador para apresentar o projeto, que integra as comemorações dos seus 40 anos. 

“Normalmente os prêmios premiam trabalhos já feitos. Essas pessoas buscaram soluções, buscaram dialogar com outros cursos. Precisava fazer sentido pra todo mundo. Só de se inscrever queríamos que a pessoa já estivesse aprendendo”, afirmou o editor de inovação do CORREIO e um dos idealizadores da premiação, Juan Torres.

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

As ideias foram avaliadas por um corpo técnico de jurados formado, além de Juan Torres, por Linda Bezerra, editora-chefe do jornal, Mariana Rios, coordenadora da editoria Minha Bahia, Wladmir Lima, coordenador digital, e Claudio Sampaio, da Convergence Works, responsável pela parte técnica do site. Os jurados evidenciaram como o jornalismo pode, e deve, se comunicar com a tecnologia. Florencia também integrou o time.

Mariana Rios, Linda Bezerra, Juan Torres, Claudio Sampaio e Wladmir Lima
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

“Esse diálogo do jornal com a universidade é fundamental para continuar, continuar vivo, pulsante. Para mim, pessoalmente, foi um aprendizado”,  falou Linda.

Saga 
Na plateia, um grupo formado por quatro pernambucanos organizava os últimos detalhes da apresentação. Na noite anterior, viajaram 15 horas, de ônibus, de Recife a Salvador para apresentar o projeto de um robô que conseguiria enviar notícias conforme o desejo do leitor. 

“Já há muito tempo o jornalismo precisa disso, é uma necessidade dialogar com a tecnologia. A gente só cosegue fazer isso se inovar os métodos de produção e distribuição”, diz Débora Oliveira, estudante da Universidade Federal de Pernambuco. 

Equipe de Recife apresentou projeto de um robô que conseguiria enviar notícias conforme o desejo do leitor
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Os grupos que não passaram para a final também acompanharam a palestra de Florencia Coelho. Foi o caso de Carlos Magno, estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia que, junto a uma colega de curso, procuraram um estudante de Tecnologia da Informação para formular um projeto. Antes não havia tido qualquer contato com aplicação de tecnologia no jornalismo.

“O projeto surgiu a partir de uma coisa que Juan falou lá, do problema de cobertura em cultura, já que em Salvador acontece muita coisa“, lembra Magno. 

Os objetivos do projeto foram combinar expertises do jornalismo, tecnologia e design para pensar em soluções inovadoras para problemas da rotina jornalística. “Foi muito rico o jornal reconhecer que precisa aprender. Aqui estão estudantes que estão propondo soluções sensacionais pra pessoas que já estão formadas, trabalham há anos no jornalismo”, afirmou Wladmir Lima. 

A inteligência no jornalismo
Há 12 anos, a jornalista Florencia Coelho iniciou sua aproximação com o uso de inteligência artificial no jornalismo. “Digamos que eu sou mais velha, mas não uma expert. O que sei é com quem eu tenho que trabalhar. Então, isso é esperança”, brincou a gerente de pesquisa e treinamento em novas mídias do La Nación, em entrevista antes do início da palestra.

Mas o que, afinal, é a inteligência artificial? A jornalista ensinou duas divisões padrão: IA fraca e IA forte. A fraca compreende sistemas inteligentes, mas que não são capazes de raciocinar sozinhos. Ou seja, a atuação do ser humano é direta tanto na concepção quanto no manejo do sistema. Já a forte consiste na criação de computadores que possam pensar por si próprios, depois de finalizada a participação humana. 

“Eu acho que elas [empresas jornalísticas] ainda têm medo, não entendem. Éminha missão fazer com que eles entendam. Não é como se os robôs fossem aniquilar a gente. Para nós, é importante saber que os robôs podem ter atuações que podem te impactar diretamente”, afirmou.

A jornalista apresentou iniciativas exemplo do uso de inteligência artificial no jornalismo. Em 2018, por exemplo, o The New York Times publicou matéria em que mostrava, através de compilação de dados e uso de satélite, como os aplicativos sabem todos os seus passos. E como eles são vendidos. 

“Você, como jornalista, mas também como integrante da sociedade, precisa saber que isso impacta o jornalismo. Não que você precisa saber tudo, mas é preciso saber com quem está, onde se apoiar, buscar conhecimento”, defendeu.

A questão, acredita Florencia, é saber que “a inteligência artificial não é algo de Hollywood, é algo daqui”. “Eu acho que, ainda, no Brasil, pessoas de fora têm sido trazidas de fora. Mas nós temos que nos ensinar a tentar detectar esse tipo de iniciativa. Nós temos que tentar aprender. Como estamos fazendo aqui hoje. Fazer uma data aberta para a comunidade, por exemplo”. Na Universidade Federal da Bahia (Ufba), por exemplo, um novo laboratório propõe o aprendizado em inteligência artificial. 

Laboratório de inteligência artificial na Ufba 
Há duas semanas, a Ufba ganhou o primeiro laboratório de inteligência artificial de Salvador. Da idealização até a formalização do projeto, houve uma espera de um ano. Lá, no espaço localizado no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos, no campus Ondina, alunos de todos os cursos e universidades podem formar equipes e trabalhar com inteligência artificial para resolução de problemas.

Hoje, são nove estudantes da graduação diretamente ligados ao laboratório. Duas equipes que ficaram em segundo e terceiro lugar no prêmio frequentam o espaço.” Meu papel no desenvolver dos projetos foi orientação e ajudar a maturar, formalizar as ideias, pensar nas ideias que poderiam ser viabilizadas dentro do escopo do projeto”, contou o professor do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba, Francisco Barretto, idealizador e coordenador do Lab Icon. 

Francisco Barretto esteve na Rede Bahia
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

A ideia do laboratório surgiu há um ano, quando o professor, formado em Ciências da Computação, percebeu uma lacuna do uso de algoritmos de Inteligência Artificial em Salvador. O principal interesse é entender como é possível registrar, em diferentes plataformas, a massa de dados hoje disponível. 

“A gente vive hoje um momento muito interessante porque estamos a todo tempo registrando dados. A gente gera uma massa de dados grande. Hoje, temos capacidade computacional para analisar esses dados. Essa tecnologia são algoritmos de Inteligência Artificial”, afirmou.

Os interessados podem entrar em contato com o laboratório por meio do instagram @lab.icon. A metodologia, brinca Francisco, é da “persistência”. “Fica quem conseguir montar as equipes e continuar investindo aqui”. As portas estão abertas.

Correio 40 anos
O projeto Correio 40 Anos tem oferecimento do Bradesco, patrocínio do Hapvida e Sotero Ambiental, apoio institucional Prefeitura de Salvador, e apoio de Vinci Airports, Senai, Salvador Shopping, Unijorge, Claro, Itaipava Arena Fonte Nova, Sebrae e Santa Casa da Bahia.

Conheça os vencedores

1º lugar: Leitor pauteiro

Equipe: Elisa Cristina Pie Brotto (Jornalismo/Unifacs), Ícaro Ariel Carneiro Leite (Sistemas de Informação/Uneb), José Diôgo da Silva Carneiro (Sistemas de Informação/Uneb) e Fernando Azevedo Maia Júnior (Sistemas de Informação/Uneb). 

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Descrição: A ideia também é a construção de um chatbot para captar leads e pautas dos leitores do CORREIO. Com ele, as pessoas poderão enviar sugestões de pautas ao jornal e o robô o organizará por editorias. Aí quando alguém desejar fazer uma reportagem sobre cultura, por exemplo, poderá encontrar algumas sugestões enviadas pelo público.

2º lugar: BumpIA

Equipe: Fellipe Narde Oliveira da Hora (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba), Thiago Santos Moreira (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba) e Andre Gomes Bahiense (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba)

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Descrições: O BumpIA é um é um organizador automático do banco de fotos e imagens do CORREIO. Ele pode organizar e caracterizar as imagens a partir do nome delas.

3º lugar: Coralina

Equipe: Fellipe Narde Oliveira da Hora (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba), Thiago Santos Moreira (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia/Ufba) e Andre Gomes Bahiense  (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tec.

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Descrição: A Coralina é um chatbot onde os leitores poderão mandar mensagens para receber notícias de acordo com seu interesse. Por exemplo: se ele escrever que gosta do Bahia, automaticamente começará a receber notícias do time.

Correio 40 anos
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* Orientada pela chefe de reportagem Perla Ribeiro

Fonte: Correio