Nos anos 1980, ainda estudante do então segundo grau (equivalente ao ensino médio atual), Sandro Ornellas, 47, interessou-se pelos poetas que estudou na escola. Gostou tanto que resolveu ir além e foi atrás da obra de Rimbaud (1854-1891), Nietzsche (1844-1900) e da geração beatnik. Pouco depois, já se aventurava escrevendo seus próprios versos, às vezes em forma de canções.

Agora, cerca de 30 anos depois, Sandro se prepara para lançar hoje seu quarto livro de poemas, Em Obras. O lançamento será no Instituto Goethe, a partir das 16h. Segundo o autor, “o livro foi se formando aos poucos e é resultado da experiência de viver no Brasil nos últimos oito anos”.

Questionado pelo repórter sobre a forma de seus textos, que ora se apresentam como um poema, ora se apresentam como prosa, Sandro diz não estar preocupado com classificações, mas com a experiência de escrever: “O livro é uma linguagem que vai se fragmentando. São 27 fragmentos, sendo que alguns se colocam em pé de forma mais autônoma. Alguns, você vai se perguntar se são prosa ou poesia, mas realmente não sei dizer, porque não pensei nisso. Mas posso assegurar que eles têm um ritmo”.

Sandro também não se preocupa com um tema comum entre os textos e o autor não sabe dizer se há uma unidade de assuntos entre eles. “Mas posso garantir que a unidade é a língua, o esforço de dizer algo fugindo dos lugares-comuns que circulam por aí”, afirma.

Que ninguém crie expectativa de ver Sandro recitar seus textos hoje: “Eles não pra ser lidos em voz alta e além disso não recito bem”, diz, bem-humorado. O livro está à venda no site da editora a R$ 44, mas hoje o leitor paga o quanto achar justo.

Fonte: Correio