Duas tartarugas foram encontradas mortas na praia da Boa Viagem, durante as ações pelo Dia Mundial da Limpeza, comemorado no sábado (21). Ainda não se sabe a razão das mortes. De acordo com o fundador do Projeto Tamar, o oceanógrafo Guy Marcovaldi, provalvemente elas foram mortas por redes, que hoje representam a principal causa de mortes de tartarugas marinhas no Brasil e no mundo.

“Muita gente confunde com plástico, não deixa de ser um plástico. O plástico é prejudicial às tartarugas, mas as redes são mais ainda”, avalia Marcovaldi. De janeiro a agosto, a Bahia registrou 778 encalhes de tartarugas, sendo que apenas três delas conseguiram sobreviver e foram devolvidas ao mar. A informação é do Projeto Tamar e da ong A-mar, que atuam na proteção a esses animais.

A maioria dos registros, 683, ocorreram no litoral norte da Bahia, entre a Praia do Forte, em Salvador, até a praia de Mangue Seco (na fronteira com Sergipe). A área é de monitoramento do Projeto Tamar.

O restante dos casos – incluindo as três tartarugas que foram salvas – foi registrado no litoral sul do estado, nas cidades de Maraú, Itacaré, Ilhéus e Uruçuca (em Serra Grande), onde o monitoramento é feito pela A-mar.

Os números deste ano já são maiores que os registros do ano passado, quando houve 684 encalhes nas duas áreas de monitoramento (550 casos no litoral norte e 134 no litoral sul).

A diferença de números entre um litoral e outro se dá porque as tartarugas estão mais presentes no litoral norte, onde o Projeto Tamar monitora, durante a temporada da desova, cerca de 8 mil ninhos. De acordo com Marcovaldi, o perímetro entre Salvador e o Rio São Francisco é considerado a maior área de desova da tartura marinha da América do Sul

Das sete espécies de tartarugas marinhas que existem no mundo, cinco ocorrem no Brasil: cabeçuda, de oliva, de pente, verde e de couro, sendo que a maior parte das que realizam a desova são as tartarugas de oliva.

Cada uma das tartarugas consegue colocar até 120 ovos, e a cada mil filhotes que conseguem chegar ao mar apenas três conseguem chegar à fase adulta, com 20 anos de idade. O Tamar estima que até dezembro estará soltando o filhote de número 40 milhões.

O que fazer ao se deparar com um animal marinho morto
Ao longo de todo o ano, diversas aparições de tartarugas, pinguins, golfinhos, focas, lobos-marinhos e, principalmente, de baleias são registradas nas praias soteropolitanas. A temperatura um pouco mais quente, correntes marítimas mais altas, ventos fortes e o clima tropical favorecem a chegada desses visitantes inusitados às areias da capital baiana.

O aparecimento de mamíferos marinhos chama a atenção dos banhistas, mas a orientação dos especialistas é que os curiosos mantenham distância dos animais, até mesmo para tirar fotos. Na última sexta-feira (30), uma baleia jubarte morreu após encalhar na praia do bairro de Coutos. O mamífero era um adulto, media cerca de 15 metros de comprimento e pesava, aproximadamente, 39 toneladas.

Somente neste ano foram registrados 42 encalhes de baleias no litoral brasileiro pelo o Instituto Baleia Jubarte, sendo que 14 deles foram na Bahia. Em Salvador, de janeiro a agosto, duas baleias morreram após encalhe.

Segundo o Instituto Baleia Jubarte, o fenômeno de aparição dos animais ocorre porque é neste período, entre os meses de julho a novembro, que eles aproveitam as águas quentes do arquipélago de Abrolhos e do litoral da Bahia para se reproduzirem.

Os locais mais propícios são as águas calmas e com alimentos, áreas onde a plataforma continental sofre um alargamento e mantém as águas rasas por mais de 200 quilômetros mar adentro. O instituto lembra ainda que o maior número de encalhes que vem ocorrendo nos últimos anos é decorrente da recuperação da população de baleias jubarte.

De acordo com o supervisor do Grupo Especial de Proteção Ambiental (Gepa), Robson Pires, das 26 espécies de baleias, 19 visitam o litoral brasileiro, por ser um ambiente rico em biodiversidade e gerar condições para reprodução e crescimento de milhares de animais e vegetais.

“As baleias que chegam à nossa costa ou já estão mortas ou muito debilitadas, devido a ataques de predadores, doenças ou politraumatismos provocados por choques contra grandes embarcações. Nesses casos, as chances de sobrevivência são poucas e o tempo para o socorro é curto”, afirma Pires.

Ele lembra ainda que, mesmo machucados ou doentes, estes animais têm a capacidade de nadar até a praia como último recurso para manter o orifício respiratório fora da água e conseguir respirar.

“O contato com o animal é muito perigoso pelo risco de transmissão de doenças, seja pelo contato direto ou respirando o ar que ele expele quando respira. No caso de animais dentro d’água e na zona de arrebentação, há risco de afogamento ou de o animal se debater, podendo ocasionar ferimentos graves como fraturas e até mesmo causar a morte. Por isso, sempre recomendado que a população não se aproxime”, afirma o coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, Milton Marcondes.

O titular da Coordenadoria de Salvamento Marítimo de Salvador (Salvamar), Yure Carlton, recomenda que, em situações como essa, o cidadão deve acionar os órgão competentes para fazer a remoção do animal. “Só uma equipe especializada poderá identificar as condições do animal, ver se está ferido ou tem alguma indicação de doença, antes de fazer a remoção de maneira rápida e segura. Se aproximar de um animal desse porte é muito perigoso, porque quando eles encalham, entendem que estão sob algum tipo de risco e pode acabar machucando quem estiver por perto”, explica Carlton.

Em caso de aparecimento de animais silvestres ou marinhos, a população deve acionar a Guarda Civil Municipal, através do número (71) 3202-5312. Além de órgãos como a Salvamar, Ibama, Polícia Ambiental e o Instituto Baleia Jubarte.

Fonte: Correio