Amanda Santana, Camila Everlin, Josana Santos, Noriah Santos, Gabriel Pitta, Leonardo Hellber, Carlos Cruz.  Todos são modelos, passaram pelo Afro Fashion Day e hoje constroem carreias bem-sucedidas fora de Salvador. Em novembro, quando o desfile de moda realizado pelo CORREIO com seu casting 100% negro acontecer, nenhum deles estará na passarela, já que moram em outros estados e até países. Nos lugares deixados, uma nova safra de gente talentosa e cheia de atitude e pronta para ganhar o mundo.

Nestas segunda e terça-feira (24), 140 modelos baianos participam da seletiva de modelos agenciados em busca dessas tão sonhadas vagas. Gente como Jefferson Brandão, 17 anos, Stephanie Conceição, 18, e Alana Cordeiro, 19, e mais nove rapazes e moças que integram o Jovens Periféricos – em sua estreia como uma das 15 agências que apresentaram suas apostas para desfilar no Afro Fashion Day. “Sempre foi um sonho desfilar no Afro. Participei das seletivas de bairro em 2018, fique entre os melhores, mas não consegui vencer. Mas não desisti e hoje estou aqui de novo”, conta Alana.

Oportunidade
Para o booker Pepê Santos, da One Models, participar de um evento como o Afro Fashion Day agrega valor, experiência na carreira e no currículo desses jovens que sonham em pisar em uma passarela. “Muito não têm oportunidade por “X” motivos e requisitos, que sabemos quais são. E o Afro, quebra esse paradigma e chega na hora certa de oportunizar o modelo comercial que não tem 1,75 ou 1,85 de altura, a modelo Plus Size, que pouco se vê nos grandes desfiles de moda em Salvador, ocorrendo essa chance na passarela do Afro”, afirma.

“Boa parte dos modelos negros que passam por mim em avaliações na agência citam a vontade de fazer parte do cast do AFD e me pedem ajuda nessa jornada. Eu fico extremamente grato e feliz por saber que venho desempenhando um bom papel e dando um auxilio e contribuição no que for preciso nessa carreira”, conta Pepê. Na lista, nomes como Gisele Moraes, Gabriel Pitta, Larissa Yla, Naiara Arcuri, Leonardo Helber, Carlos Cruz e Noriah Santos, modelos que saíram da Bahia, pisaram na passarela do Afro estão em grandes campanhas de desfiles no Brasil e mundo, “mas que sempre dizem que nada se compara ao Afro, inclusive por ser realizado na sua cidade de origem”.

Noriah com o look do estilista João Damapeju, que fechou o desfile do ano passado (Foto: Thiago Borba)

“O AFD foi a última passarela que desfilei antes do SPFW desse ano. Tive a honra de fechar o desfile ano passado antes de entrar na carreira nacional e internacional. Devido a nova rotina da carreira não estarei no Brasil esse ano, mas fica a vontade de algum dia retornar a passarela mais negra do Brasil. Participei do evento durante os três últimos anos seguidos e foi uma experiência ímpar”, conta Noriah Santos, agenciada em São Paulo pela Agência Another e pela Iconic na Alemanha. Ela recentemente participou do Berlin Fashion Week, já fez shooting para Marie Claire Brasil, Vogue Brasil e estará na edição de outubro da Glamour Brasil.

Um time descoberto pelo scouter Vivaldo Marques também já passou pelo Afro e segue fazendo nome em outros estados. É o caso de Amanda Santana, que mora em São Paulo e vai para Milão final do ano, Josana Santos, que estampou um editorial da Vogue Noiva, e Camila Everlin, que participou do Afro em 2016 e não voltou mais para o Brasil. Sua última campanha foi para a grife de luxo MiuMiu. “O Afro dá a elas a chance de se ver nesse mundo que é tão cheio de padrões a serem quebrados, e deslancharem. São resultados assim que me fazem acreditar que é possível. E o Afro Fashion Day é para muitos desses meninos e meninas a oportunidade de dar esse primeiro passo”, acredita.

Jadison Palma comanda em Fazenda Coutos 3, onde nasceu, em Plataforma e no Pelourinho o projeto Jovens Periféricos (Foto: Reprodução)

É com esse ideal que Jadison Palma, 25, comanda em Fazenda Coutos 3, onde nasceu, em Plataforma e no Pelourinho o projeto Jovens Periféricos. O que surgiu da busca de modelos para desfilarem com sua marca de camisetas virou um projeto social que empodera gente de 5 a 35 anos através da educação. “Comecei com 15 pessoas há dois anos e hoje já são 178, só em Plataforma. O jovem hoje sonha em se tornar jogador de futebol ou modelo, mas a gente abre um leque de oportunidades através de oficinas de teatro, moda, música, dança e palestras sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e direito penal. Temos hoje uma parceria com a Universidade Estácio de Sá, que oferece 60% de bolsa para nossos alunos”, revela. “Esse ano estamos como uma das agências do Afro. Um sonho que almejei realizar. Participei das seletivas de modelos nos bairros por dois anos seguidos, fui para a final e representei quase 600 jovens do projeto”, completa.

Conquista semelhante à de Gabriel Pitta, 18, que credita ao desfile a abertura de muitas portas. “Agora moro em São Paulo, estou trabalhando com a Way Model e presente em várias campanhas de marcas incríveis como a Osklen, Renner, Hering, Riachuello e por aí vai”, conta. “Sinto muita falta de desfilar no Afro Fashion Day, por que foi lá que comecei a ser conhecido”, revela.

Gabriel Pitta na campanha da Osklen (Foto: Reprodução/Instagram)

Leonardo Hellber teve a primeira experiência com o Afro em 2016, mas não passou no casting. “Me preparei durante um ano e, com a ajuda da minha agência (a One Models), em 2017 fui apresentado novamente e recebi a aprovação”, acredita. Segundo o modelo, a experiência com o AFD lhe deu visibilidade. “Fui destaque em algumas matérias em 2017 e 2018 e isso me deu confiança para encarar o mercado nacional. Hoje faço parte do casting da agência Allure em São Paulo e estou estrelando campanhas para grandes marcas, como Centauro, Netshoes e Zattini, entre outros.

Leonardo Hellber no Afro Fashion Day do ano passado (Foto: Reprodução)

Quando chega novembro
Outro modelo com campanhas poderosas e trabalhos para estilistas respeitados como João Pimenta é Carlos Cruz. Depois de dois anos no Afro, ele seguiu para São Paulo. “É um evento reconhecido em cenário nacional. Fiz uma exposição com Paula Magalhães e uma das fotos é utilizada em meu composite na agência que integro, a Allure Mgt”, explica.

Assim como Gabriel e Noriah, Carlos sente um negócio diferente quando novembro chega. “Bate um frio na barriga e a vontade só aumenta de visitar minha família. Sempre converso com Pepê e com a One em tentar ir e participar, mas com as correrias de trabalho, já há dois anos que não é possível, mas assisto pela internet, vejo as seletivas, acompanho tudo de muito perto e fico feliz com o sucesso do evento”.

Carlos Cruz em uma das imagens da exposição assinada por Paula Magalhães e Léo Amaral em 2017 (Foto: Og Marcelo)

O Afro Fashion Day chegará à sua quinta edição em novembro, celebrando mais uma vez o mês da Consciência Negra, levando para sua passarela um time formado por modelos de agência e jovens descobertos em seletivas realizadas no Pelourinho, Ribeira, Itapuã, Liberdade, Plataforma e Pirajá e que homenageará os blocos afro Olodum, Filhos de Gandhy, Malê Debalê, Ilê Aiyê, Muzenza e Cortejo Afro. Todas as roupas e acessórios desfilados estão sendo produzidos por marcas 100% baianas.

Para quem não é de agência ainda, mas também ficou com vontade de desfilar na passarela mais negra do Brasil, a oportunidade é já. Nesta quinta-feira (26), das 14h às 17h, acontece a última seletiva para modelos não agenciados do ano, na sede do Cortejo Afro (Caminho 31, n 5, Rua Mário Lago, Conjunto Pirajá I). Para participar, basta acessar o link bit.ly/afdseletivas2019 e se inscrever gratuitamente.

Fonte: Correio