A Arquidiocese de Salvador divulgou nesta segunda-feira (23) uma imagem do relicário que será entregue ao Papa Francisco no dia 13 de outubro, na canonização de Irmã Dulce, a baiana que será a primeira santa brasileira. No relicário estará um pequeno fragmento do osso da costela do Anjo Bom da Bahia, que ficará guardado na Capela das Relíquias, no Vaticano.

O arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, já tinha antecipado ao CORREIO que o relicário seria acompanhado de uma pedra ametista, em formato de coração. “Como aquela que foi feita e viveu para amar”. 

Esse tipo de presente pode soar estranho, mas é prática comum no catolicismo. No ano passado, por exemplo, o Papa Francisco doou ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I um relicário com alguns fragmentos de ossos de São Pedro. 

(Foto: Divulgação)

Algumas relíquias de Santo Antônio de Pádua, como sua língua, também foram guardadas. Até hoje, o relicário dourado que guarda o resto mortal recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos da cidade de Pádua, na Itália. Os relicários, segundo o Papa Francisco, têm uma importância histórica e arqueológica, mas principalmente espiritual e religiosa.

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As relíquias mortais, como se refere ao que restou do corpo de Dulce, estão guardadas em uma caixa, sob um protótipo da santa – exposto na Capela das Relíquias, no Templo da Bem-Aventurada, no Largo de Roma, em Salvador. 

Visita 
Aberto em definitivo na última quarta-feira (18), o túmulo revelou aos olhos desacostumados de dezenas de fiéis a escultura em tamanho real, sob os moldes da religiosa. Ao ser descoberta, a urna de vidro envolta pelas bandeiras de Salvador, da Bahia e do Brasil revelou uma imagem que, de tão próximo da realidade – garante quem conheceu Dulce -, emocionou aos mais saudosos.

Quem viu Dulce de perto, e com vida, detaca a semelhança: “Linda, como sempre. Igualzinha, a mesma coisa, é uma emoção como nunca antes vivi, nem quando estive ao lado dela falando e sorrido”, comenta a aposentada Alcione Carneiro, 70 anos. 

Protótipo ficará exposto definitivamente em no Santuário de Dulce, no Largo de Roma (Foto: Betto Jr./CORREIO)

Faz 30 anos que Alcione mora em Monte Serrat, região vizinha à Roma de Dulce. Durante o tempo, contabiliza as vezes que esteve com a freira. “Ela não era uma mulher de convento, mas da rua, subia e descia ajudando aos pobres. Um privilégio enorme tê-la aqui conosco”, comenta, sob a emoção de quem garante ter sido agraciada por um milagre.

Reitor do santuário, o Frei Giovanni Messias explicou que a representação foi feita por artistas plásticos de Nápoles, na Itália. “As relíquias se encontram numa caixa, embaixo do protótipo. Um pedacinho do corpo que já foi retirado para ser entregue ao papa”, disse, sem especificar qual seria o fragmento. “Toda parte é relíquia”, se limitou a dizer.

Fonte: Correio