Durante o curso no Centro Juvenil de Ciência E Cultura (CJCC), Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Severino Vieira, Vitória Souza Santos, 17 anos, foi desafiada a tentar resolver um problema do seu dia a dia. E, mesmo sem saber, acabou inovando junto com os seus colegas. O processo que foi apresentado a ela e a seus colegas é o considerado um bom exemplo de como se deve estimular os estudantes a inovarem: sem pressão e aproximando o assunto escolar da realidade deles. 

Vitória conta que na escola tem acesso a uma disciplina cujo objetivo é ajudar os estudantes a realizarem desafios criativos. Foi lá que ela e um grupo de colegas desenvolveram uma solução robótica chamada “Bag To Rise” – um dispositivo que pode ser usado em aplicativos de transporte para fazer doações a pessoas sem teto. Com o produto, a equipe venceu o Desafio Fórum Agenda Bahia/Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). E, além disso, reforçou o processo de aprendizagem da turma. 

A ideia é usar a rede logística, o meio de transporte e os motoristas dos apps para distribuir mantimentos, roupas e material de higiene pessoal. Tudo seria colocado dentro de uma mochila, que pode se transformar também em um saco de dormir. Daí o nome do projeto.

“Hoje eu consigo me ver como uma pessoa que pode criar coisas interessantes e me sinto mais confiante”, conta a estudante. Segundo ela, mesmo as ideias que não resultam em projetos vencedores como o dela são valorizados no processo de aprendizagem. “Nós aprendemos a analisar aquilo que nós fizemos, a rever e a buscar modificar o que for preciso”, explica a estudante. 

Aluna do terceiro ano do ensino médio, a jovem sonha em continuar a resolver problemas no futuro, mas como advogada. “Meu sonho agora é estudar Direito e ser uma advogada”, conta. 

O professor Elton Borges de Sena Barreto dá aulas de robótica. Ele diz que busca inserir o conteúdo a partir da realidade dos seus alunos. “A gente pede que o aluno identifique alguma demanda em seu dia a dia e a partir daí vamos trabalhar na resolução deste problema através de uma solução completamente nova ou melhorando alguma coisa que já existe”, explica. 

Segundo ele, a proximidade com algo do cotidiano amplia o interesse dos estudantes pelo assunto. “Para o aluno, tudo acontece de maneira muito natural, até porque a palavra inovação só vai surgir na realidade dele depois. Ele não vai tentar fazer uma grande descoberta para ganhar um Prêmio Nobel, vai tentar resolver uma demanda que é próxima à realidade dele”, diz. “A inovação se torna realidade na vida deles junto com a solução”, explica. 

Elton Barreto tomou conhecimento da ideia da bag de Vitória e mais duas colegas, Ana Clara Souza Santos e Leila de Jesus Nascimento. Daí, sugeriu a inclusão de alguns alunos do curso de robótica no processo. “A tecnologia deve ser utilizada para a resolução de problemas. E a robótica pode ser uma ferramenta neste sentido”, diz. 

Foco no professor
A gerente de Educação e Cultura do Sesi na Bahia, Cléssia Lobo, conta que todo o trabalho de estímulo ao desenvolvimento da inovação nas nove unidades de ensino da rede aqui na Bahia passa pela valorização do professor. “Nós nos preocupamos muito com o profissional e com o estabelecimento de uma boa metodologia. Investimentos em estrutura? Sim, mas com a consciência de que é o educador quem faz a diferença”. 

Segundo ela, a rede de ensino busca estimular que os professores criem ambientes que estimulem os alunos a buscarem soluções de problemas. “Nosso interesse é, cada vez mais, oferecer um ambiente e um processo que favoreçam uma postura mais ativa dos alunos. Isso importa mais que laboratórios ou qualquer outro tipo de estrutura”, acredita a gestora. 

“Nós buscamos fazer com que os alunos se tornem protagonistas no processo de aprendizado, que não fiquem passivos, e que os professores se tornem facilitadores”, destaca. 

Concepção de inovação
Professor Titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, Nelson Pretto, considera importante definir corretamente a concepção de inovação. Para ele, aquela ideia de “simplesmente sair correndo atrás de tecnologia de ponta para atender uma lógica de mercado” teria pouca relação com o processo educacional. 

“A relação entre a inovação e a educação pode se dar a partir do momento em que se busquem soluções criativas para questões próximas à realidade das pessoas”, acredita Pretto. 

Para o professor, a inovação em si seria na realidade a consequência de um  profundo desenvolvimento criativo e tecnológico. Isso, acredita ele, só aconteceria em um contexto educacional mais amplo. 

“A disrupção (processos inovadores que causam grande mudança social) necessita de um profundo conhecimento em diversas áreas de conhecimento”, destaca Pretto. Além disso, acrescenta ele, uma visão mais ampla é necessária também para permitir avaliar diferentes consequências de mudanças tecnológicas. “Uma formação mais ampla, diferente do censo comum, vai olhar mais para as qualidades individuais e ligadas ao relacionamento social dos indivíduos”, acredita.

O Fórum Agenda Bahia 2019 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Sotero Ambiental, apoio institucional da Prefeitura de Salvador, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) e Rede Bahia e apoio da Braskem e DD Education.

Alunos podem vivenciar desafios no Senai
Todos os alunos que fazem cursos técnicos no Senai passam por disciplinas de inovação, empreendedorismo e gestão de projetos. Além disso, no trabalho de conclusão de curso, os estudantes têm a abertura para desenvolver o seu trabalho propondo a solução de problemas reais, explica a gerente de Educação Profissional do Senai, Patrícia Evangelista. 

“A nossa proposta é colocar o aluno o tempo inteiro diante de desafios e focado em problemas reais relacionados à indústria”, diz. Segundo ela, além de ter uma carga horária significativa de aulas práticas, a formação do aluno é enriquecida com a oportunidade de trabalhar com ferramentas de realidade aumentada e aplicações de realidade virtual. Alguns livros didáticos disponibilizados, por exemplo, possuem objetos de realidade aumentada. “O aluno consegue visualizar situações práticas do dia a dia da indústria”, conta. 

Uma nova ferramenta que vai favorecer o desenvolvimento dos alunos, acrescenta Patrícia, é o labmaker. O espaço vai permitir que os estudantes desenvolvam suas ideias até a fase de protótipo, dispondo de ferramentas como impressoras 3D, entre outras. 

Saiba como  participar, gratuitamente

O que  O Agenda Bahia chega aos 10 anos promovendo discussões sobre inovação, compe-
titividade, qualificação e sustentabilidade.

Onde  No Senai Cimatec, na Avenida Orlando Gomes, dia 3 de outubro, entre as 9 e 18 horas

Inscrições  Inscreva-se grátis no endereço  oferta.correio24horas.com.br/agendabahia10anos

SEMINÁRIO [A.R] EVOLUÇÃO – 03 de outubro

MANHà
ARENA DO CONHECIMENTO

08h00 às 9h00   – Credenciamento

09h00 às 09h30   – Palestra “Tudo muda o tempo todo”, com Peter Kronstrom, head para América Latina do Copenhagen Institute for Future 
Studies e fundador do Future Lounge

09h30 às 10h00  – Bate-papo com Peter Kronstrom moderado por Flavia Oliveira, colunista do jornal O Globo e da Globonews

10h00 às 10h30  – Palestra “O Futuro é agora: como o empoderamento digital transforma vidas e cidades”, com Rodrigo Baggio, presidente da Recode, organização social presente em 8 países e 689 centros de empoderamento digital

10h30 às 11h00  – Bate-papo com Rodrigo Baggio moderado por Flavia Oliveira, colunista do jornal O Globo e da Globonews

11h00 às 12h00  – Painel “Distopia ou disrupção: como se preparar para o amanhã?”, com os palestrantes Peter Kronstrom e Rodrigo Baggio e moderação de Flavia Oliveira.

12h   – Intervalo para almoço

TARDE
ARENA DA VIVÊNCIA
14h30 às 16h00  
– Painel “Do robô ao roubo de dados: as novidades na Educação, na Agropecuária, na Construção Civil e na Saúde”, com Silas Cunha, CEO da Abitat, startup Construtech que busca a gestão mais eficiente de empreendimentos através de IoT (Internet das Coisas), Banco de dados e Machine Learning, Ana Carolina Monteiro, sócia da Hackel, consultoria em Marketing Conversacional e soluções em Educação que trabalha com tecnologias de automação e inteligência artificial. como Internet das Coisas e Chatbots, Matheus Ladeia, CEO do E-rural, o maior marketplace de pecuária do Brasil e especialista em agtech, growrth strategi e growth marketing e Vicente Vale, sócio da REP Educa, plataforma digital que utiliza Realidade Aumentada e Inteligência Artificial para ampliar a aprendizagem dos alunos.

14h30 às 16h00 – Oficina “Como programar um robô com sentimentos”, com Peterson Lobato, fundador da Mini Maker Lab e professor na área de robótica, programação e impressão 3D.

14h30 às 16h00  – Oficina “Circuito de Experiências em tecnologias para Educação e para Indústria”, com Fernanda Mikulski Guedes, coordenadora de ações de avaliação educacional, inovação e competições da Escola Técnica Senai-BA e Igor Nogueira Oliveira Dantas, coordenador de projetos de inovação educacional na unidade de Inovação e Tecnologias Educacionais do Senai-BA, Adalício Neto, especialista em Automação no SENAI CIMATEC e responsável pelo portfólio de serviços 4.0.

14h30 às 16h00  – Os desafios do Bitcoin no Brasil, com Thiago Avancinni, diretor de Educação e Tecnologia da DD Corporation.

16h00 às 17h00  – Desafio “Fórum Agenda Bahia/Olimpíada Brasileira de Robótica”, uma parceria jornal Correio e Sesi.

Fonte: Correio