(Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO e Acervo pessoal)

Um ano e nove meses depois do assassinato de Geovanna Nogueira da Paixão, 11 anos, as testemunhas do caso foram ouvidas pela justiça. A menina foi baleada na cabeça durante uma incursão policial no bairro de Jardim Santo Inácio, em Salvador, em janeiro de 2018. Os policiais militares Nildson Jorge Sousa França e Emerson Camilo Sales Pereira são acusados pelo crime.

Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), na audiência desta quinta-feira (26) foram ouvidas duas testemunhas de defesa e seis de acusação. O processo segue em fase de instrução.

Familiares e vizinhos da menina contaram, na época do crime, que Geovanna estava sentada no sofá de casa quando viu que a avó chegava para fazer uma visita. A menina correu ao encontro dele, mas foi baleada com um tiro na cabeça antes de alcançar a idosa. O corpo dela ficou caído na porta da residência.

Geovanna foi baleada na porta de casa (Foto: reprodução)

Os policiais alegam que a Geovanna foi baleada durante uma troca de tiros provocada por traficantes. Já os moradores afirmam que não houve troca de tiros no momento em que a menina foi baleada e contaram que foram os policiais que mataram a criança.

A defesa dos policiais, feita pelo advogado criminalista Daniel Keller, alegou nos autos que “não possui preliminares a arguir e que se reserva ao direito de enfrentar o mérito da presente ação penal em alegações finais”. O advogado também afirmou que vai requerer a absolvição dos policiais

Conforme laudo pericial realizado em procedimento administrativo, ficou comprovado que os projéteis encontrados no local, bem como o que atingiu Geovanna, foram disparados pela arma do soldado da PM Nildson. Os dois PMs eram lotados na 48ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/ Sussuarana).

Após finalização do inquérito policial, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou a dupla por homicídio, em 2 de setembro de 2018, e pediu o encaminhamento deles ao Tribunal do Júri. “Ao atirar naquelas circunstâncias, os acusados assumiram o risco de atingir alguém, o que efetivamente aconteceu”, escreveu a promotora Armênia Cristina Santos.

Caso comoveu a comunidade (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

Relembre o caso
No dia 24 de janeiro de 2018, por volta das 7h20, os dois policiais militares chegaram à localidade da Mata Escura, na Avenida Brasil, a bordo de um veículo modelo Ford Ka, sem identificação.

Quando os disparos começaram, Geovanna, que tinha 11 anos, tinha ido até a porta de casa para receber a avó, Valdete Maria Paixão, que tinha acabado de chegar. Ao ver a neta caída no chão, a mulher gritou: “olha o que vocês fizeram!”. A mãe da menina estava dentro de casa, amamentando o filho caçula.

À época, a avó mostrou revolta com a versão da polícia e desabafou: “Nunca vou esquecer da minha primeira neta, minha filha, caída em uma poça de sangue”. Parentes afirmam que a polícia já chegou ao local atirando.

O inquérito policial concluiu que “há indícios da prática de crime militar, na modalidade culposa”, pelos dois policiais. Logo após a finalização do procedimento administrativo, que levou ao afastamento dos militares da guarnição, o MP-BA denunciou a dupla à Justiça, dando lugar à ação penal atualmente em curso.

Fonte: Correio