O pedido de habeas corpus feito pelos advogados do digital influencer Iuri Santos Abraão, conhecido como Iuri Sheik, foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele pretendia responder ao processo em liberdade, o que foi negado.

O digital influencer é acusado da morte do ex-sócio da banda de pagode Black Style, William Oliveira. O empresário morreu no dia 23 de junho, durante uma festa de São João em Santo Antônio de Jesus, após levar dois tiros no peito. A vítima chegou a ser operada, mas não resistiu e morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Santo Antônio de Jesus, para onde foi socorrido.

Apesar da negativa do pedido de habeas corpus, divulgada na última quinta-feira (26), o advogado de Sheik, Victor Valente, acredita que o digital influencer vai conseguir aguardar o julgamento em liberdade.

“Existe uma série de possibilidades de recursos. Têm alguns outros habeas corpus em tramitação e estamos confiantes porque ele possui todos os requisitos necessários para aguardar em liberdade”, afirmou. De acordo com Valente, o julgamento do novo pedido para responder em liberdade está marcado para a semana que vem, com a data a ser definida.

O advogado de Iuri afirmou ainda que o processo tramita com vagareza, o que motiva ainda mais o pedido de liberdade. “Em relação à análise de mérito, o processo em si está tramitando de forma morosa, exclusivamente por conta do juiz de lá. Ainda não foi iniciada a instrução processual”, criticou.

Iuri Sheik está preso de forma preventiva desde o dia 26 de junho, no Complexo Penitenciário da Mata Escura. De acordo com o delegado Edilson Magalhães, titular da 4ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Santo Antônio de Jesus), que investiga o caso, o digital influencer confessou o crime.

O caso teria acontecido porque William teria se recusado a cumprimentar Sheik na festa. Segundo a polícia, os dois já se conheciam antes do crime e não se davam bem por conta de “fofocas”. 

Indenização
A família de William entrou com uma ação indenizatória de R$ 1 milhão contra o Iuri Sheik. O pedido foi encaminhado para a 5ª Vara Cível e Comercial de Salvador, em 4 de julho, segundo o advogado Gabriel Bonfim, que representa os familiares da vítima. De acordo com ele, o valor é para auxiliar as três filhas  do empresário, que dependiam do sustento do pai para sobreviver. Quando ele morreu, as meninas tinham 9 anos, 7 anos e 40 dias de vida.

Além da indenização, a família também solicita uma pensão por morte no valor de um salário mínimo para cada uma das meninas. Se o pedido foi acatado, o digital influencer deve para mensalmente o valor até que elas completem 18 anos.

Relembre o caso
O empresário William Oliveira tinha 28 anos quando foi assassinado. O crime aconteceu no dia 23 de junho, um domingo e véspera de São João. Will estava em uma festa em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo, quando encontrou com o digital influencer Iuri Sheik.

Eles se desentenderam e William foi baleado duas vezes no peito. A vítima foi socorrida com vida para o Hospital Geral de Santo Antônio de Jesus, onde foi operada, mas não resistiu aos ferimentos e morreu três dias depois.

A polícia de Santo Antônio de Jesus começou a ouvir as testemunhas e surgiram várias versões sobre a motivação do homicídio, mas todas apontavam Iuri como o autor dos disparos. No dia seguinte, foi decretada a prisão dele e três dias depois Will morreu.  

Iuri Sheik chorou e falou em suas redes sociais após o crime (Foto: Reprodução)

Nessa mesma data, durante a tarde, Iuri Sheik se apresentou no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Salvador, onde foi ouvido pela primeira vez.

Segundo a polícia, Iuri e Will já se conheciam antes do crime e não se davam bem por conta de fofocas e picuinhas. A vítima teria sido baleada porque se recusou a cumprimentar o digital influencer na festa.

“Todos ouvidos até agora contam que Iuri estendeu a mão e William disse: ‘não vou dar a mão porque não gosto de você’. Então, Iuri foi no carro, pegou a arma e atirou”, contou o delegado Edilson Magalhães, responsável pela investigação, um dia depois da prisão.

Iuri Sheik foi encaminhado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) para a realização de exames de corpo de delito e, depois, para o Complexo Penitenciário da Mata Escura, onde segue preso.

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Fonte: Correio