Com séculos de tradição, cultura e ancestralidade impressos em suas páginas,  o livro e songbook Ògun: Ogun OniIre Alákoro, Gù Alágbede, do estudioso Adelson de Brito, foi lançado ontem, no Instituto Histórico e Geógrafico da Bahia.

O lançamento  reuniu o povo de santo  e interessados na cultura africana. O  autor ressaltou a  importância dos livro como instrumento de combate ao preconceito e à intolerância religiosa. Este é o segundo lançamento do projeto Salvador Savalu: Uma Ponte Nagô-Vodun Entre Dois Continentes, que lançará mais 15 títulos dedicados aos orixás. O primeiro focou em Exu e o próximo, em Oxóssi.

“A cultura ocidental muitas vezes enxerga o Candomblé como algo amorfo. Existe esta visão folclórica de que somos manifestações culturais, sem cunho religioso. O que não é verdade e os livros mostram exatamente isso, que somos uma religião que não permaneceu fossilizada no tempo, mas sim que se manteve atualizada e dinâmica”, afirmou o autor, que também é Mawó, sacerdote do Culto Nagô-Vodun.

O livro explora os cânticos e cultos celebrados pelo Candomblé (Foto: Betto Jr. /CORREIO)

O título, que é resultado de anos de estudo, revela boa parte daquilo que pode ser divulgado ao grande público sobre a religião. Além do resgate litúrgico, a obra também mostra os panteões do Candomblé, seus cultos e cânticos, entoados principalmente nas línguas iorubá e fon e que somam 34. Os cânticos  poderão ser escutados no songbook que acompanha o livro.

Durante muito tempo, religiões ocidentais enxergaram o Candomblé como inferior, por não  possuir um livro, como o Alcorão e a Bíblia, para repassar ao longo das gerações os seus ensinamentos. Para candomblecistas como Josué Debesy, que é Ogan Asogun, esta visão é equivocada. Por isso,  ele ressalta a importância das publicações.

“Esses livros são importantes para o resgate da nossa identidade religiosa. Uma vez que, durante muito tempo, todas essas prerrogativas religiosas ficaram na oralidade e por isso muitos ensinamentos e tradições se perderam. Obras como estas preservam nossos cânticos para que as próximas gerações entendam como funciona a estrutura da nossa religião”, defendeu.

Já o pedagogo Adinelson Kambundu, 42, destacou que “essas obras cristalizam e salvaguardam nossa história, mas ainda assim ela poderá passar por transformações, já que temos um começo, mas não um fim”, disse. Gabriel Moura, com orientação da editora Ana Cristina Pereira
 

Fonte: Correio