Assim como a máquina a vapor, a eletricidade e a internet marcaram as revoluções industriais que transformaram períodos históricos, a inteligência artificial chegou para pontuar uma nova era: a quarta revolução industrial. Mas, como pensar soluções tecnológicas em um país tão desigual? Rodrigo Baggio, presidente da Recode, uma organização social que está presente em oito países e com mais de 740 centros, tem uma resposta na ponta da língua: empoderamento digital. 

Em sua palestra no Fórum Agenda Bahia, que aconteceu ontem, no auditório do Senai Cimatec, em Piatã, Baggio trouxe exemplos de transformações sociais através do conhecimento digital. “Quando a gente fala de empoderamento digital a gente pega os exemplos de uma jovem de 18 anos, Marina, formada pela Recode no Rio. Antes de aprender a usar a tecnologia, ela dizia que só via portas fechadas. Imagine, uma menina que só via portas fechadas”, falou. “Ou então o Renan, formado e aluno da Recode no Morro da Formiga, no Rio de Janeiro, que dizia que vivia preso em muros invisíveis. E o Lucas, que foi nosso aluno no Complexo da Maré e que dizia que vivia na era jurássica. Esse sentimento aconteceu quando, no primeiro dia de aula, o educador pediu para que eles ligassem o computador e eles não sabiam ligar. Sabiam usar um smartphone, mas não sabiam usar um computador”, completou.

Portas abertas 
Em sua palestra, Rodrigo pontuou que, em um país onde 50% dos jovens não trabalham e não estudam, e 25% dos estudantes de escola não têm acesso à internet ou computadores, o empoderamento digital é uma ferramenta de cidadania. Ao alavancar esse acesso, novas oportunidades se abrem para pessoas que estejam à margem do desenvolvimento social. “Depois do curso, Marina pôde criar um site sobre feminicídio para falar com a comunidade dela. Ela virou uma agente de transformação, ela identificou um desafio da favela que ela vivia e passou a usar tecnologia pra gerar uma solução que pudesse impactar. Isso é empoderamento digital. Renan criou um aplicativo sobre política, o Na Linha, para ajudar os seus amigos a votarem. Isso é um novo tipo de empreendedor aparecendo, o empreendedor social, o empreendedor cívico. O Renan é um empreendedor cívico. E o Lucas? Ele desenvolveu um site de maquiagem acessível para drag queens. Esse site virou rede social para a população LGBTQ+ no Complexo da Maré”, exemplificou. “É isso que me traz o sentimento de dever cumprido”, concluiu. 

Fonte: Correio