Quatro em cada dez famílias baianas gastam mais do que ganham por mês, segundo dados de 2018 divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As famílias mais atingidas são justamente as que têm menor rendimento, aponta o IBGE. 

O cenário teve uma melhora em relação a 2008. Naquele ano, em média, as famílias baianas gastavam 102,5% a mais do que ganhavam, no segundo pior cenário do Brasil. Hoje, as famílias da Bahia comprometem 90% do orçamento com as despesas baianas. As 4,9 milhões que moram na Bahia têm rendimento total de R$ 3.803,08, em média, e os gastos com despesas chega a R$ .3,423,63, mostra a pesquisa.

Segundo os dados de 2018, as cerca de 1,9 milhão de famílias na menor faixa de renda total (até R$ 1.908 ou 2 salários mínimos) têm média salarial de R$ 1.201,34 por mês e gastavam, ao todo, R$ 1.358,20, o equivalente a 113,1% do seu rendimento. Essas são as famílias mais representativas do estado – 38,1% do total.

Com esses números, a Bahia é o quinto estado com famílias com maior comprometimento orçamentários no país, abaixo de  Rio Grande do Norte (96,2%), Amapá (95,2%), Maranhão (94,5%) e Pará (92,1%). No outro extremo, em média, as famílias do Espírito Santo (79,3%), Distrito Federal (79,3%) e Roraima (70,0%) tinham os orçamentos menos comprometidos do país. 

O nível de comprometimento do orçamento com as despesas mensais cai no grupo de famílias com rendimento entre R$ 1.908 e R$ 2.862 (91,8%) e volta a subir na faixa seguinte (95,8% entre as famílias com rendimento de R$ 2.862 a R$ 5.724). A partir daí, o peso das despesas vai diminuindo conforme aumenta o rendimento médio. O menor comprometimento é de 68,7%, para as 1,3% de famílias baianas que têm mais de R$ 23.850 de renda mensal.

Moradia, comida e transporte 
Os três grupos de despesas com peso maior para o orçamento familiar, em 2018, foram habitação, alimentação e transporte. Juntos, correspondiam a R$ 6 de cada R$ 10 gastos pelas famílias da Bahia, representando 59% da despesa total. Esses grupos lideram o ranking de despesas na Bahia desde 2003.

Para famílias com menor rendimento (até R$ 1.908), esse trio de despesas básicas tem peso maior, chegando a quase 70% dos gastos totais. Esse peso vai diminuindo e ocupa menos da metade da despesa total das famílias no outro extremo, da maior faixa de renda (48,1% do total).

(Foto: Divulgação)

Gastos com habitação aparecem na ponta, representando 27,2% dos gastos das famílias baianas. Alimentação aparece em seguindo, com 18,3%. Transporte aparece em terceiro, representando 13,5% dos gastos totais. Em quarto lugar aparece despesa com assistência à saúde, com 7,4% do total.

As despesas com educação, em dez anos, mais que triplicaram entre as famílias baianas. Saíram de uma média mensal de R$ 42,06, em 2008, para R$ 138,92 em 2018, aumento de 230,3%. Esse foi o grupo de despesas de consumo que mais cresceu no estado durante o período.

Para comparação, em 2008 os gastos das famílias baianas com educação correspondiam a 2,1% da despesa total média, ocupando a oitava colocação no ranking. Dez anos depois, já represnetam 4,1% do gasto total da família média do estado, chegando ao sexto lugar no ranking das despesas.

Fonte: Correio