As manchas de óleo que atingiram várias localidades do litoral no Nordeste chegaram à Bahia na quinta-feira (3), segundo confirmação do Ibama e da Marinha. O ponto de contaminação é no distrito de Mangue Seco, na cidade de Jandaíra, no Litoral Norte. 

Não há detalhes sobre o tamanho da área atingida nem outros impactos causados pela mancha. Em nota, a Marinha diz que as manchas de óleo estão em área de sua jurisdicação e o Comando do 2º Distrito Naval encaminhou ao local uma equipe de Inspeção Naval (IN).

A equipe da Capitania dos Portos da Bahia que já está lá confirmou a presença de resíduos oleosos que têm as mesmas características visuais dos que foram encontrados em todos os outros estados do Nordeste. A equipe está colhendo amostras, que serão encaminhadas para análise no Instituto de Pesquisas do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), para confirmar que se trata do mesmo material.

O Ibama diz em nota que “está confirmada a chegada do óleo na Bahia”. Diz ainda que equipes do órgão estão em campo para mais averiguações e que até o fim do dia vai atualizar todas as localidades afetadas. O último balanço, divulgado ontem ao fim da manhã, traz 124 localidades afetadas em 59 municípios de oito estados nordestinos – até então, todos menos a Bahia.

Lista de locais atingidos segundo último levantamento do Ibama:

  • Alagoas: 13 locais
  • Ceará: 10 locais
  • Maranhão: 11 locais
  • Paraíba: 16 locais
  • Pernambuco: 19 locais
  • Piauí: 2 locais
  • Rio Grande do Norte: 43 locais
  • Sergipe: 10 locais

Investigação e impacto
Uma investigação do Ibama, com apoio do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, aponta que o petróleo que está poluindo todas as praias seja o mesmo, e a origem não é do Brasil.

“Esse tipo de acidente nunca tinha acontecido aqui no Brasil. Normalmente, as manchas de origem desconhecida, que é o caso dessa, são de pequeno impacto e abrangem só um estado. É a primeira vez que a gente está vendo um acidente, sem poluidor conhecido, atingir tantos estados”, explicou a coordenadora geral de Emergências Ambientais do Ibama, Fernanda Pirillo.

Segundo Fernanda, o número de localidades atingidas pelo óleo ainda pode aumentar. “A gente ainda está fazendo o diagnóstico. Muitas praias ainda não foram vistoriadas. Pode ser que óleo seja encontrado em outros locais, aumentando esse número”.

O petróleo foi encontrado em nove tartarugas, seis delas encontradas mortas, e em uma ave, também morta. Segundo o Ibama, não há evidências de contaminação de peixes e crustáceos, mas a avaliação da qualidade do pescado capturado nas áreas afetadas para fins de consumo humano é competência do órgão de vigilância sanitária.

“A gente orienta aos banhistas que não tenham contato com esse óleo e que se o encontrarem em alguma praia, que façam contato com os órgãos públicos indicando o local em que foram encontradas”, disse a coordenadora. A orientação vale para pescadores e demais profissionais que atuam nas praias.

Foi encontrado óleo em locais turísticos como Porto de Galinhas, em Ipojuca (PE); Boa Viagem, em Recife (PE); Pipa, em Tibau do Sul (RN); Tambaba e Praia do Amor, em Conde (PB); entre outras.

Origem
A investigação do Ibama aponta que o petróleo que está poluindo todas as praias é o mesmo. Trata-se de petróleo cru, ou seja, não se origina de nenhum derivado de óleo, como gasolina e outros. Contudo, a sua origem ainda não foi identificada. Em análise feita pela Petrobras, a empresa informou que o óleo encontrado não é produzido pelo Brasil.

Mesmo sendo de origem estrangeira, os responsáveis estão sujeitos a multas de até R$ 50 milhões, em conformidade com a Lei de Crimes Ambientais, Lei 9.605/1988, segundo Fernanda.

O Ibama informou que requisitou apoio da Petrobras para atuar na limpeza de praias. Nos próximos dias, a empresa disponibilizará um contingente de cerca de 100 pessoas.

O Ibama orienta as pessoas que identificarem manchas de óleo em alguma praia a entrarem em contato com a prefeitura do local e com o instituto por meio da Linha Verde, no número 0800618080.

Fonte: Correio