Aquilo que está por vir sempre foi alvo do mais profundo encantamento humano. Na arte, religião ou ciência, pensar o futuro sempre conseguiu despertar os mais diversos sentimentos nas pessoas. Medo, esperança, expectativa, curiosidade… Tudo, menos a indiferença. Pois em um auditório com ares futurista e um palco tecnológico, no Senai Cimatec, o Fórum Agenda Bahia deu uma palhinha do que pode ser o amanhã para uma plateia atenta. 

O que está por vir surgiu na apresentação de um futurista assumido. Peter Kronstron, líder na América Latina do Copenhagen Institute for Futures Studies, cumpriu a missão de prever as próximas décadas da humanidade. 

Discutir o futuro é discutir o agora, filosofou. “Nós, do Copenhagen Institute, falamos que o amanhã não existe, ele está sendo criado agora”, explicou. Num alento para aqueles que temem pelo que está por vir, o futurista lembrou de visões catastróficas em relação ao futuro em séculos passados e ressaltou a responsabilidade de todos na construção do que virá. 

Peter Kronstron afirmou que pensar no futuro é algo que o ser humano faz em 80% de seu tempo. “O seu cérebro passa a maior parte do dia refletindo sobre coisas que irão acontecer no curto e no médio prazo”, disse. As pessoas já acordam pensando no que irão comer, vestir e que caminhos irão tomar. 

“Agora, em um evento como o Agenda Bahia, nós temos a possibilidade de pensar em algo a longo prazo”, diferenciou o pensador.  Kronstron destacou a necessidade de se estudar rápido as grandes mudanças futuras para que a humanidade faça as correções de rumo necessárias o quanto antes. 

Mas como seria possível criar um cenário diferente do previsto? Reforçando a ideia de que o amanhã precisa de muita imaginação para ser vislumbrado, Peter Kronstron complementou: “O futuro, quando chega, é sempre mais maluco do que a gente imaginou lá atrás”. 

Isso acontece porque sempre vão surgir as wild cards (cartas coringas), ou os cisnes negros – situações que são difíceis de prever e que modificam todo o cenário. “Nunca houve tantos cisnes negros ao mesmo tempo”. 

Para facilitar um pouco o trabalho de construção de um cenário, Peter Kronstron diz que o Copenhagen Institute trabalha com  macrotendências que devem influenciar a construção da realidade nas próximas décadas.

Automação vai mudar o mercado de trabalho 
Desde o início da revolução industrial, ainda no Século XIX,  o futuro do mercado de trabalho é a grande preocupação da humanidade diante da inclusão das máquinas no processo de produção. Agora, quando a humanidade vive a quarta onda da revolução, o homem se depara com o desafio de conviver com a automação. 

Durante um bate-papo com a jornalista Flávia Oliveira, colunista do Jornal O Globo, Peter Kronstron, líder na América Latina do Copenhagen Institute for Futures Studies, e Rodrigo Baggio, do Recode, discutiram soluções possíveis para o mercado de trabalho. 

Para Kronstron, a superação dos desafios exige um esforço de “retreinamento”, atraindo os que vão perder espaço. “O desafio é que quem mais vai precisar se reposicionar são aqueles que estão mais distantes”, ressaltou o dinamarquês. 

“A automação é um desafio desde a primeira revolução industrial e as pessoas sempre se reinventaram. Para que isso aconteça novamente, precisamos ressignificar as  escolas”, ponderou Baggio. Ele considera primordial a inclusão do ensino da programação desde o início do processo educacional. 

Peter Kronstron acredita que muita coisa que é ensinada para as crianças atualmente nas escolas serão desnecessárias no futuro. E, por outro lado, conhecimentos necessários deixam de ser aplicados. 

Após o advento da chamada era dos especialistas, em que uma pessoa deveria conhecer com profundade um determinado assunto, Kronston acredita que a formação deveria voltar a focar na multiplicidade de conhecimentos. “É o que eu chamo de neogeneralistas”. 

O  que não deve mudar por enquanto é a importância da língua inglesa. “Robôs tradutores vão ajudar no futuro, mas é um conhecimento importante”, diz Baggio.

O Fórum Agenda Bahia 2019 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Sotero Ambiental, apoio institucional da Prefeitura de Salvador, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) e Rede Bahia e apoio da Braskem e DD Education.

Fonte: Correio