O início do Censo experimental do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em Poços de Caldas foi marcado por problemas pontuais em questionários e por uma avaliação positiva sobre respostas recebidas pela internet.

O levantamento na cidade mineira, que testa a estrutura de coleta de dados e tem como objetivo detectar falhas para corrigi-las antes da aplicação dos questionários em todo o país, teve início nas ruas na última terça-feira (1º).

Com a supressão de questões envolvendo emigração e sem a inclusão de perguntas envolvendo autismo -por questões técnicas, só serão aplicadas no Censo oficial, em 2020-, 180 recenseadores estão em busca de respostas em 64 mil domicílios do município. Na prática, o IBGE considera que 57 mil desses imóveis estarão ocupados.

A pesquisa de 2020 está sob escrutínio maior, após a supressão de perguntas do questionário. Foram retiradas oito questões do formulário básico, aplicado a 90% dos cerca de 71 milhões de domicílios brasileiros. O completo, aplicado aos 10% restantes, foi reduzido de 112 para 76.

Nos três primeiros dias de coleta, foram visitados 6.243 locais, dos quais 3.234 estavam ocupados. Outros 2.323 responderam pela internet.

Foram detectados ao menos três problemas. Um morador que respondeu pela internet, por exemplo, passou a receber disparos de SMS e email para preencher seu questionário, que já estava respondido.

Num segundo lugar, com sete moradores, o sistema travou quando os dados da sétima pessoa foram incluídos. Já em outro, o sistema não compreendia a inserção de dados sobre a ocupação do imóvel e apagava informações.

“São problemas como esses que a gente quer pegar no experimental. Essa é a fase de dar problemas. Tudo que está aparecendo está sendo registrado e resolvido pelas equipes aqui e no Rio, para que não ocorram em 2020”, disse o coordenador técnico do Censo em Minas Gerais, Humberto Sette.

Segundo ele, surpreendeu o total de respostas pela internet em uma semana, 4,07% dos domicílios.

Na segunda quinzena de setembro, foram enviadas correspondências a todos os domicílios da cidade, com códigos de acesso individuais para resposta pela internet. O prazo para usar a senha expirou, mas o morador ainda poderá responder pela rede até 2 de dezembro, quando a coleta terminará. Para isso, porém, precisará informar o recenseador quando este o visitar. A resposta foi maior em áreas de alta renda, disse Sette.

A Folha acompanhou recenseadores durante entrevistas no bairro Nossa Senhora Aparecida. Em média, cada questionário básico foi respondido num tempo que oscilou entre 7 e 10 minutos. Já o questionário completo deve levar até 15 minutos.

A aposentada Neide Constantino, 68, respondeu o básico em 11 minutos e considerou as perguntas adequadas. Por duas vezes, afirmou se considerar preta, mas trocou para branca.

Entre as questões estão sexo, nome, cor e data de nascimento de todos os moradores, quem é o responsável pelo imóvel, a forma de abastecimento de água, o total de banheiros com chuveiro e vaso sanitário, a destinação do esgoto, se sabem ler ou escrever, o rendimento bruto mensal e se algum morador da casa morreu no último ano.

A saída de questões envolvendo emigração não causará prejuízos, conforme Sette, já que há outras formas de o IBGE obter esses dados atualmente, como PF (Polícia Federal) e Ministério de Relações Exteriores.

Perguntas como a existência de TV, rádio e fogão foram descartadas, devido à universalização dos mesmos. A existência de máquina de lavar e a serviços de internet estão entre mantidas.

Já o sapateiro Márcio de Freitas, 57, disse ter sido recenseado pela primeira vez na vida. “O maior empecilho é quando o morador fica desconfiado e não quer responder, mas o que mais facilita é quando ele é receptivo e sabe da importância de responder”, disse Thaisa Fraga Pierre, uma das supervisoras do Censo.

Após o término do questionário, Constantino ofereceu café e bolo às funcionárias do IBGE. “Ah, mas está calor, eu faço um suco. Querem?”

PESQUISA DE 2020

Em 2020, Poços terá a coleta novamente, desta vez de forma oficial. Os dados deste ano não poderão ser usados, para que a cidade mantenha a mesma base de comparação com o restante do país. Os dados do Censo são usados, por exemplo, para definir o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) de cada localidade.

Além de Poços, em Minas Gerais também está havendo coleta em Juiz de Fora, nos chamados aglomerados subnormais -favelas e locais ocupados ilegalmente, por exemplo.

“Aqui [Poços] não tem esse tipo de aglomerado, mas não poderia deixar de se testar isso”, disse Sette. A cidade tem coleta em oito setores, feita por dois recenseadores.

Conforme o IBGE, outros locais que envolvem, por exemplo, terras quilombolas ou com domicílios com moradores não falantes da língua portuguesa também estão sendo testados, o que ocorrerá em sete estados.

Fonte: Agencia Brasil