Esta história se passa no interior de Minas Gerais. Para entendê-la, precisamos voltar no tempo. Mais precisamente em 5 de novembro de 2015. Nesta data, 39 milhões de metros cúbicos de rejeito vazaram após o rompimento da barragem de Fundão. Ao longo do percurso, a lama atingiu as comunidades de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana, e Gesteira, em Barra Longa. Quatro anos se passaram desde o ocorrido. Agora, as famílias atingidas vivem um recomeço.

“É o início de um sentimento de muita alegria, né? Agora a alegria será maior quando cada um tiver a sua chave na mão, entrando pra dormir, pra levantar no outro dia. Este vai ser o melhor sentimento da vida”, diz o morador José do Nascimento Jesus.

Mais conhecido como ‘Zezinho do Bento’, ele morava no distrito de Bento Rodrigues atingido pelos rejeitos e, hoje, acompanha o renascimento do local onde sempre viveu.


José do Nascimento de Jesus, mais conhecido como ‘Zezinho do Bento’, fala sobre a expectativa de morar no reassentamento Bento Rodrigues.
Foto: Diego Luís

“Hoje, um mora longe do outro. A gente voltando para aqui a gente vai ver um ao outro na alegria na tristeza é um sonho realizado. – prevê o morador”, destaca.

As obras são conduzidas pela Fundação Renova – criada para reparar e compensar os danos provocados pelo desastre. Neste processo de reassentamento, a comunidade teve “voz” e “vez” na construção.

Para chegar a esta etapa do projeto do reassentamento de Bento Rodrigues foi preciso desenvolver estudos, aprovar projetos, escolher o terreno, planejar a urbanização, definir como seriam as casas e aguardar a validação da prefeitura.

“A comunidade participou em duas etapas do projeto: uma delas na localização dos equipamentos ao longo da área, assim como era antes, e também no desenvolvimento dos programas: como seria a escola, o posto de saúde”, ressalta Alfredo Zanon, especialista em Projetos e Obras da Fundação Renova.

Quem comanda os trabalhos no canteiro de obras é o Frederico Silva, líder de obras e infraestrutura: “Nós estamos mobilizados com 1100 trabalhadores aqui e temos previsão de chegar a 2500 pessoas no pico de obra. A gente se encontra na fase de obras de infraestrutura: abertura de ruas, serviços de drenagem, esgoto e água para posterior pavimentação. E já estamos vindo com a obra de execução das residências”.


Moradores das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, participaram de várias fases do projeto do reassentamento
Foto: Fundação Renova

O barulho das máquinas dita o ritmo do dia. Elas se movimentam de um lado para outro. Tratores, escavadeiras, caminhões… Ao mesmo tempo, sinaleiros controlam o tráfego de trabalhadores. São pedreiros, engenheiros, ajudantes, encarregados. Todos com o mesmo objetivo: a construção de um novo vilarejo.

Em Bento Rodrigues, serão, aproximadamente, 250 casas, além de escola, pracinha, igreja, posto de saúde, quadras de esporte, campinho de futebol… Paracatu de Baixo e Gesteira seguem um modelo semelhante de reconstrução. Somando os três distritos, mais de 400 famílias participam ativamente de todas as etapas do processo. Tudo para que, em breve, um novo capítulo seja escrito na história dessas comunidades.

Fonte: Agencia Brasil