O Bahia não tem à toa a quarta melhor defesa do Campeonato Brasileiro, com 20 gols sofridos em 23 rodadas disputadas, média de menos de um por partida. O desempenho defensivo é excelente, fruto de uma equipe treinada para explorar de forma certeira as características do elenco formado no início da temporada, com jogadores de meio-campo com bom poder de marcação e atacantes velozes, sempre prontos para disparar em contra-ataques.

Da análise fria dos números, além dos 20 gols sofridos, saiba você, caro leitor, que a equipe de Roger Machado saiu de campo sem ser vazada em 12 rodadas, a segunda melhor marca da Série A, atrás apenas do Corinthians. Os números defensivos são fortes e ajudam a explicar a sétima posição na tabela, com apenas dois pontos de diferença para o quinto colocado, o São Paulo, adversário de logo mais, na Arena Fonte Nova.

Os números de nada valem, entretanto, se você não os associa aos comportamentos da equipe dentro de campo. Eles, sozinhos, não explicam nada. Por isso, na coluna de hoje, decidi analisar o desempenho defensivo tricolor a partir do seguinte critério: como nascem os gols sofridos pelo Bahia? E, para facilitar, farei um recorte das dez últimas rodadas do Brasileirão.

Primeiro de tudo, foram oito gols sofridos nas dez últimas rodadas, mantendo a média de menos de um por partida. Agora, o detalhe que mostra o quanto o Bahia se defende bem: foram cinco de bola parada, dois surgidos a partir de contra-ataques e apenas um sofrido a partir de uma jogada construída pelo adversário, o Corinthians, quando a defesa tricolor estava organizada para se defender.

Mas o que isso significa? Que o Bahia raramente sofre gols quando completa sua transição defensiva e tem sua estrutura montada para impedir a progressão do rival e proteger a meta de Douglas. Significa que a equipe mantém suas linhas compactas, executa bem os sistemas de cobertura e nega espaço aos adversários. Que os atacantes de lado se preocupam em voltar para ajudar os laterais e evitar que a equipe sofra com inferioridade numérica pelos lados do campo. E, quando tudo isso falha, o Tricolor conta com um goleiro em excelente fase.

A derrota para o Athletico-PR ainda está fresca na memória do torcedor, que certamente anda remoendo as duas bolas na trave acertadas por Gilberto. Que pecado! Mas o assunto aqui são os gols sofridos por Douglas. O primeiro saiu de uma cobrança de escanteio bem executada pelo Furacão. O segundo, de um contra-ataque. Percebe como há um padrão?

O segundo gol do Athletico ainda traz outro detalhe interessante. Se você assistir ao lance novamente, vai perceber que Gregore e Lucas Fonseca se comunicam durante o contra-ataque. Quando Thonny Anderson é lançado, o zagueiro tricolor é o jogador mais próximo para dar o combate, mas o volante faz a leitura da jogada e entende que Lucas deve proteger a área, por isso ele mesmo sai na caça ao adversário. De fato, era a leitura correta e mostra que os atletas estão em sintonia, conseguem ler e executar a melhor jogada em questão de segundos. Mas não se pode negar o crédito ao jogador do Athletico pelo passe preciso fora do alcance dos defensores tricolores.

Rafael Santana é repórter do globoesporte.com.

Fonte: Correio