Pelas ruas da Bahia ninguém tinha dúvida: Irmã Dulce era gigante, apesar dos 1,47 m de altura física. E nesta quinta-feira (10) ela ficou ainda maior. Pela manhã, quando entrei pela primeira vez na Praça de São Pedro, no Vaticano, e vi a foto de Irmã Dulce, fiquei estático. A voz embargou e a pele arrepiou. 

Pesquiso sobre a vida dela desde 2011. Sempre ouvi que ela fazia de tudo para estar onde os seus pobres e doentes precisavam que ela estivesse. Aquela janela é, sem dúvidas, mais um desses lugares. Dulce odiava holofotes e certamente se incomodaria com tanta parafernalha em seu nome. Na verdade, ela só ia se acalmar quando percebesse que isso iria ajudar suas obras.

Fiquei parado uns 5 minutos olhando a bandeira tremular pela força do vento. Me sentei no chão e comecei a observar a reação das pessoas diante das imagens dela e dos outros quatro beatos que também vão virar santos no domingo (13). Mesmo aqueles que não sabiam quem era ela não ficavam impávidos diante do seu semblante estampado no tecido. 

As janelas da Basília de São Pedro, agora, 27 anos após sua morte, amplificam a sua voz. Quando eu tive que explicar para a empresária alemã (obrigado, Google) quem era Irmã Dulce, percebi que o que está acontecendo diante dos meus olhos é maior do que aquilo que eu estava enxergando. 

Helena Muller – empresária da indústria têxtil em Berlim – ficou extasiada quando eu lhe disse que Dulce, por 30 anos, dormiu em uma cadeira, e que passou quase 70 anos dedicados à caridade. Os olhos dela se encheram de lágrimas. ‘Era uma santa de verdade. Preciso ajudar a obra dela a seguir’, prometeu a católica naquilo que deve ser – para quem acredita – o real motivo de Dulce: ocupar aquele lugar, naquela janela, para se tornar santa no próximo domingo e atrair mais ‘ajudantes’ para as Obras Sociais Irmã Dulce. 

A religiosa conseguiu, durante seu período na terra, levar o nome da Bahia para espaços nunca antes vistos. Agora, isso se torna maior. Na ‘vitrine’ da santidade vejo que o Anjo Bom da Bahia ganhou asas para mundo conhecer seu trabalho e dedicação. E isso vai além da religião. Dulce era maior que isso também .

Fonte: Correio