Técnicos que monitoram o avanço das manchas de petróleo no Nordeste analisam a possibilidade de aumentar a vazão das usinas hidrelétricas do rio São Francisco para evitar que o óleo avance para dentro do curso de água. O material já foi encontrado na foz do rio, na divisa de Alagoas e Sergipe. 

Como a água do mar avança diversos quilômetros rio adentro nos horários de baixa, a ideia é liberar maior volume das hidrelétricas para evitar esse deslocamento. Ontem, uma sala de acompanhamento da operação do Sistema Hídrico do Rio São Francisco teve uma reunião extraordinária na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), e por videoconferência, para discutir o assunto. 

O rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, em MInas Gerais, e chega ao oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe, após se estender por, aproximadamente, 2.800 km, passando ainda por Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. O Velho Chico é o rio 100% nacional com maior extensão. A bacia drena territórios de 503 cidades e engloba parte do semiárido. Em seu percurso, há 11 barragens de hidrelétricas, sendo a de Sobradinho a maior delas, que funciona como um reservatório de regularização de água para as demais.

Avanço da mancha. O óleo que se espalha pelo litoral nordestino chegou ontem às praias em Salvador. De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), foram observados resquícios da substância, apontada como petróleo cru, nas praias de Piatã, uma das mais frequentadas por banhistas, na capital baiana, e de Vilas do Atlântico, no município vizinho de Lauro de Freitas. 

Segundo o Inema, em todo o Estado, já são 19 as praias contaminadas pelo óleo. Um vazamento de petróleo cru se espalha pelos nove Estados do Nordeste. O poluente foi identificado em uma faixa de mais de 2.000 km da costa brasileira. O governo federal afirma que análises já apontaram ser petróleo cru, de origem venezuelana.

Fonte: Agencia Brasil