Às vésperas do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio 2019 (Enem), estudantes de todo o Brasil se preparam para a maratona de 6h30 de prova nesse domingo (3). Só na Bahia, 390 mil alunos farão o exame.

De acordo com a Secretaria Estadual de Educação (SEC), 983 escolas públicas (estaduais e municipais) e particulares, distribuídas em 160 municípios, serão entregues ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) neste sábado (2) para realização do primeiro dia de provas.

Nesse domingo (3), o exame terá duração de cinco horas e meia, de 13h30 às 18h (no horário de Brasília) e serão aplicadas 45 questões de Linguagens e Códigos (questões 1 a 45) e outras 45 de Ciências Humanas (questões 46 a 90), além da Redação.

Já no segundo dia, a prova terá duração de cinco horas, das 13h30 às 18h30, quando serão aplicadas 45 questões de Ciências da Natureza (questões 91 a 135) e 45 questões de Matemática (questões 136 a 190). 

Transporte
A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) anunciou o reforço de 79 linhas da frota que circulará nesse domingo, totalizando 490 veículos, o que representa um acréscimo de 55% em relação aos domingos normais. As outras linhas mantêm o funcionamento normal na cidade.

As linhas reforçadas atendem aos principais corredores da Orla, Miolo e Subúrbio. A operação especial de transporte vai acontecer das 8h às 18h. Além destes ônibus extras, a Semob terá o reforço de nove veículos reguladores nas estações Acesso Norte, Pirajá e Mussurunga.

Em Salvador, os estudantes se dividem entre pressão interna para conseguir um bom resultado, e dos pais e amigos, que criam expectativas em torno de seus esforços.

Andressa Neves, 19 anos, estuda no terceiro ano do ensino médio no Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira, no Vale dos Rios. Ela contou que fez o Enem no ano passado para pegar experiência para este ano, onde vai tentar ingressar na faculdade no curso de Psicologia.

No entanto, a estudante, que mora com a avó em Pau da Lima, garantiu que está se sentindo ansiosa e preocupada com a prova, mas revelou que recebe total apoio dos familiares quando o assunto é a preparação para o Enem.

Eu me sinto ansiosa e preocupada ao mesmo tempo porque em algumas matérias eu sinto que não estou tão preparada, mas não me torturo por isso. Meus pais apoiam minha escolha e não me pressionam por resultado. Meu pai me incentiva muito a estudar e fala que não devo me preocupar tanto, pois terei muitas outras chances de ingressar na faculdade e que ainda tenho muito tempo”, disse a estudante.

Apesar dos conselhos do pai, Andressa montou um cronograma de estudos num cursinho on-line desde o início do ano para estudar em casa para a prova. Mas, faltando dois dias para a realização do exame, ela afirmou ontem que pretende descansar a mente para chegar inteira no dia.

Embora não sinta tanta pressão dentro de casa, fora dela o negócio é diferente. Andressa afirmou que na escola e entre amigos, a expectativa por um bom resultado é cada vez maior, a ponto dela se dedicar muito mais aos estudos para o Enem do que para as demais matérias do ano letivo.

“Eu converso muito com algumas amigas na escola, nunca fui uma estudante ruim, mas sinto um pouco de pressão por parte delas. Às vezes, eu foco tanto em conseguir me dar bem no Enem que acabo tendo problemas com as notas na escola”, lembrou.

Medo
Para Niliane Brito, psicóloga especializada em psicologia clínica, esse comportamento é consequência de toda pressão imposta pelos pais e pessoas que convivem com os estudantes em momentos antes da realização de provas como o Enem, em que está em jogo seu futuro acadêmico, e que pode causar um problema psicológico mais grave.

“A pressão, principalmente a externa, pode acarretar em muitos problemas para o estudante. O jovem tem um medo do fracasso diante das expectativas criadas pela família e por si mesmo. No momento em que ele está prestes a fazer a prova, na cabeça dele passa mil coisas. Ele lembra de toda a pressão de casa, dos amigos. Chega a ponto de olhar para o colega que está do lado e enxergá-lo como um adversário, que vai pegar a vaga dele. Toda essa pressão gera uma ansiedade e com isso pode levar o estudante a uma síndrome do pânico, uma fobia. Caso isso aconteça, é preciso um acompanhamento psicológico”, afirmou a psicóloga. 

Niliane Brito aproveitou para dar dicas de como o estudante pode se preparar mentalmente para a maratona que é a prova do Enem. Segundo ela, independente do desempenho, é necessário que o estudante trabalhe a sua autoestima.

“O passo mais importante é ter leveza na sua saúde mental, pois ele vem de um processo de estudos pesados, uma maratona intensa. Ele precisa ter autoconhecimento, saber os seus limites. No momento em que se sentir ansioso, é preciso trabalhar a respiração. É uma terapia dele com ele próprio para se organizar mentalmente. Manter o equilíbrio emocional, apesar de ser difícil, principalmente para os jovens, é fundamental.

A estudante Thaís Magalhães, 19, também está indo para seu segundo Enem e espera conseguir uma vaga no curso de Fisioterapia. Ela, que concluiu o ensino médio no ano passado, iniciou a preparação para a prova com aulas no Youtube, e afirmou estar com sintomas de ansiedade e tensão antes da prova.

“Estou muito tensa, por medo do tema da redação. Participei de um aulão recentemente no shopping Bela Vista e também me reuni com alguns amigos para estudar juntos. Eu separava os conteúdos em mais leves e mais pesados. Os mais pesados eu estudava durante o dia e os leves à noite.”

Thaís revelou que havia dado uma pausa nos estudos na quarta-feira (30), mas que vai aproveitar as últimas horas para fazer um resumo dos assuntos estudados.

“Pretendo ver mais vídeos dos assuntos que eu havia estudado para tentar um resumo. Durante o dia vou descansar a mente, e à noite, faço uma breve leitura antes de dormir para no domingo ir fazer a prova tranquila”, disse a estudante que tem recebido conselhos de pais e amigos para não desistir, independente do resultado final.  

A psicóloga Niliane Brito voltou a afirmar que é preciso que o estudante se desligue um pouco e não pressione tanto a mente nas vésperas da prova.

“É preciso focar na alimentação, em atividades físicas para encarar a maratona da prova, manter sua vida social e interpessoal ativa. Um vestibular, o Enem, ambos são como um ritual de passagem na vida do adolescente para a fase adulta”, disse.

Direito
Prestes a fazer o Enem pela terceira vez, a estudante Estefane da Silva, de 23, tirou de seu gosto por filmes e séries de investigação e justiça o interesse em cursar Direito. Ela conta que com o estudo é possível fazer a diferença contra as injustiças do país.

Durante os meses que antecederam o Enem, Estefane, que está desempregada e não tinha condições de fazer um curso preparatório, optou por estudar em casa. Ela viu na internet a oportunidade de se manter atualizada sobre os mais variados assuntos. No entanto, afirmou que sentiu falta de um acompanhamento nos estudos.

“Eu sempre estudo em casa, sozinha. É o terceiro Enem que eu faço, quero conseguir a vaga em Direito, que venho buscando desde a primeira edição. Penso que, com toda injustiça que existe no mundo, não sei se conseguirei fazer grande diferença, mas pretendo fazer o que estiver ao meu alcance para poder mudar ou melhorar um pouco a situação do país”, contou a estudante, que espera conseguir a tão sonhada vaga através do Enem.

A rotina de preparação de Estefane, que mora em Pituaçu e vai fazer a prova numa faculdade perto de sua casa, na Avenida Pinto de Aguiar, já começa dias antes da realização do exame. Ela, que afirma deixar tudo preparado desde o dia anterior à prova, revelou que não sente pressão dos pais e familiares por um bom resultado.

“Estudar em casa é difícil, sem ninguém para acompanhar é mais difícil ainda. A gente pensa até em desistir. Mas, nos meus estudos eu costumo, além de fazer revisões nos assuntos, buscar na internet possíveis temas que podem cair na redação, que é a nota de maior peso. Apesar de querer tanto cursar Direito, não é uma pressão imposta por mim, nem por meus pais, nunca tive problemas quanto a isso. Mas, no dia da prova eu costumo sempre chegar mais cedo, 1 hora antes para não correr o risco de me atrasar. Faço questão de deixar tudo arrumado desde o dia anterior”, completou a estudante, que vai tentar uma bolsa parcial ou integral, caso não consiga, optará por um financiamento do curso.

Confira as dicas do Ministério da Educação (MEC) para ficar ligado no dia do Enem:

  • antes de entrar na sala, guarde os objetos não permitidos no envelope porta-objetos, feche o lacre e deixe debaixo da sua cadeira até terminar a prova;
  • confira seus dados no cartão-resposta e na folha de redação;
  • confira seus dados na ficha de coleta do dado biométrico. Aguarde a autorização e o auxílio do aplicador para fazer a coleta;
  • destaque, com muito cuidado, o cartão-resposta/folha de redação e a folha de rascunho do caderno de questões. Eles não poderão ser substituídos se forem danificados.

O MEC orienta o candidato para que, durante o primeiro dia de prova, fique atento às seguintes orientações:

  • na prova de Língua Estrangeira, não é permitido trocar a opção (Inglês e Espanhol) que você escolheu na hora da inscrição;
  • lembre-se de tudo o que pode te dar nota zero na redação, como:
  • fugir do tema proposto;
  • letra ilegível;
  • não atender a proposta pedida;
  • entregar a folha de redação sem nada escrito;
  • escrever predominante ou integralmente em língua estrangeira;
  • usar desenhos e outras formas propositais de anulação;
  • fazer uma estrutura de texto diferente do tipo dissertativo-argumentativo;
  • apresentar nome, assinatura, rubrica ou qualquer outra forma de identificação.

Por fim, e não menos importane, o estudante não deve esquecer que durante a realização da prova, a caneta indicada para realziar a prova é de cor preta e fabricada em material transparente. Além disso, o estudante deve apresentar um documento oficial de identificação. É recomendável levar o cartão de confirmação.

*Com supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Fonte: Correio