A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Ministério Público do Rio, pediu no final da tarde de ontem para se afastar do caso de Marielle e Anderson. A decisão vem à reboque da divulgação de fotos em que aparece demonstrando apoio ao presidente Jair Bolsonaro. As imagens desencadearam críticas, sendo posta em questão a isenção dela na investigação do assassinato da vereadora.

Em uma das imagens divulgadas anteontem, pelo site The Intercept Brasil, a promotora aparece ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim, que quebrou uma placa com o nome da vereadora no ano passado. 

Carmen era uma das três promotoras que, em coletiva de imprensa na última quarta-feira, garantiram ser mentiroso o depoimento do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, no Rio.

O funcionário, que não teve identidade revelada, afirmou em duas ocasiões que, no dia do assassinato de Marielle, Élcio Queiroz, ex-policial militar suspeito de envolvimento no crime, disse na portaria do condomínio que iria à casa 58, de Bolsonaro, na época deputado federal, mas teria seguido até a casa de Ronnie Lessa, preso sob suspeita de matar Marielle. 

As promotoras garantiram que quem autorizou a entrada de Elcio no condomínio foi Ronnie Lessa, vizinho do presidente e acusado de disparar os tiros contra a vereadora em março de 2018.

A apuração do caso tem sido alvo de críticas. A perícia realizada pelo Ministério Público e que embasa a tese apresentada pelo órgão, por exemplo, foi finalizada em menos de duas horas e meia e não avaliou a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado antes de ser entregue às autoridades, aponta documento apresentado à Justiça.

MP elogia; Freixo pede nova perícia

Em carta publicada pelo Ministério Público (MP), a promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho disse que a repercussão das fotos afetou seu ambiente familiar e de trabalho. Embora a Lei Orgânica Nacional do MP vede “atividade político-partidária”, ela defendeu que seu posicionamento pessoal não influenciou a atuação no órgão investigativo.

“Em razão das lamentáveis tentativas de macular minha atuação séria e imparcial, em verdadeira ofensiva de inspiração subalterna e flagrantemente ideológica, optei, voluntariamente, por não mais atuar no caso da Marielle e Anderson”, escreveu.

Em nota, o MP informou que os pais da vereadora se reuniram com o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ontem e defenderam a permanência de Carmen no caso. Ela, porém, pediu para ser afastada. Por outro lado, a viúva e a irmã da parlamentar, Mônica Benício e Anielle Franco, eram contra.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), amigo e principal aliado político da vereadora assassinada, havia protocolado pedido de afastamento de Carmen. Na representação, ele também solicita que seja realizada uma nova perícia nos arquivos que registram as entradas no condomínio Vivendas da Barra, onde moram Bolsonaro e o policial Ronnie Lessa, suspeito de participação no crime.

Fonte: Agencia Brasil