Apesar do anúncio, por parte das autoridades brasileiras, de que um navio de bandeira grega foi a fonte do petróleo que atingiu a costa nordestina nos últimos dois meses, muitas questões sobre o desastre ambiental ainda seguem sem respostas. E, pelo visto, permanecerão dessa forma por um longo período. A mais urgente de todas: por quanto tempo as praias baianas e de outros paraísos da região vão continuar aparecendo sujas das manchas de óleo? Uma semana? Um mês? Um ano? Ninguém arrisca uma resposta diante das informações colhidas até agora.

Mesmo sobre a fonte do petróleo, cuja investigação aponta com convicção a responsabilidade do navio Bouboulina, administrada pela empresa Delta Tankers Ltd, ainda permanecem uma série de dúvidas. Ontem, em comunicado, a Delta disse que uma busca nas câmeras e sensores não revelou evidências de que o navio “tenha parado para fazer qualquer tipo de operação entre dois navios, vazado óleo, desacelerado e desviado do seu curso”. E assegurou que o material obtido será compartilhado com as autoridades brasileiras.

Se de fato for culpada, como as investigações que tiveram a colaboração da Interpol apontam, a empresa tem milhões de motivos para querer se safar. Pelo derramamento do óleo, ela pode ser condenada a pagar multa de até R$ 50 milhões por crime ambiental. E mais: pode ter de indenizar os trabalhadores afetados, a exemplo de pescadores, e os governos federal, estaduais e municipais, conforme o gasto que tiveram com a operação de contenção e recolhimento do óleo. Um valor ainda impossível de calcular, mas com potencial para ultrapassar as centenas de milhares de reais.

(Foto: Delta Tankers/Divulgação)

As investigações foram conclusivas, segundo a empresa que monitorou o rastro do óleo – a HEX, especializada em tecnologias geoespaciais. Segundo relatório feito por ela e que embasou o trabalho da Polícia Federal, somente o navio , de bandeira grega foi identificado no ponto e na data de origem do vazamento, a cerca de 700 quilômetros da costa entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba nos dias 28 e 29 de julho. “Não existe margem de erro. Somente uma embarcação intersectou o polígono da mancha naquela data”, afirmou o presidente da empresa, Leonardo Barros.

Outras questões demandam também respostas urgentes por parte de autoridades, cientistas e pesquisadores em geral. Mas, infelizmente, elas poderão levar décadas para serem respondidas. Isso em razão do óleo está no fundo do mar, como explicou o professor Ícaro Moreira, pesquisador do Departamento de Engenharia Ambiental da Ufba.

Ele alertou para o risco “da poluição dentro da cadeia alimentar, com compostos cancerígenos chegando até o homem, decréscimo de fertilidade dos organismos marinhos, desequilíbrio ecológico e, a médio e longo prazos, o desaparecimento gradual da flora e da fauna”.

A despeito da curiosa observação do secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior (para quem, “o peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo ali, ele foge, ele tem medo”) é muito cedo ainda para avaliar as consequências não só para o meio ambiente como para saúde da população.

O bolso de muita gente, no entanto, já acusou o golpe. O comércio de pesca e marisco na região atingida pelo óleo foi afetado e o impacto no turismo ainda é incalculável.

Pai e irmão saem em defesa de Eduardo Bolsonaro
Depois de falar em um “novo AI-5” no Brasil para conter as manifestações como as que ocorrem no Chile, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) não só tomou chumbo de tudo que é lado como agora vê o seu mandato parlamentar sob risco. Deputados dos partidos de oposição já anunciaram que vão entrar com pedido de cassação do seu mandato no Conselho de Ética da Câmara, por quebra de decoro parlamentar, na próxima terça-feira. A possibilidade de punição foi levantada pelo próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), poucas horas após as declarações do filho do presidente.

O irmão, Flávio, foi o primeiro a sair em defesa de Eduardo. “A simples tentativa de cassar o mandato de um deputado POR FALAR já é o próprio AI-6”, escreveu ele, em suas redes sociais na sexta-feira. Ontem, foi a vez do presidente. “Punição, só se for perseguição política. Não acredito que isso aconteça, porque abre brecha para punir qualquer parlamentar por suas opiniões”.

O Ato Institucional nº 5 foi o mais duro instituído pela ditadura militar, em 1968, ao revogar direitos fundamentais e delegar ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e Estados. Também suspendeu quaisquer garantias constitucionais, como o direito a habeas corpus.

Incêndio consome a Chapada (Foto: Divulgação)

Sem controle: Incêndio consome serra na Chapada Diamantina
O incêndio que há quatro dias atinge o Parque Natural da Serra das Almas, em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, segue sem controle. Homens do Corpo de Bombeiros e brigadistas estão com dificuldades de combater o fogo por conta das áreas de difícil acesso. Nem os quatro aviões enviados pelo governo para auxiliar no combate às chamas estão tendo resultados.

BOAS DA SEMANA

1 – AMAZÔNIA
Em outubro, a Amazônia registrou o número mais baixo de queimadas para o mês desde o início da medição da série histórica, em 1998. Ao todo, foram identificados 7.855 focos de incêndio na região. O índice representa uma redução de 26,2% comparado ao mesmo período do ano passado.

2 – BAÍA DE TODOS-OS-SANTOS
Aos 518 anos da chegada dos portugueses, a Baía de Todos-os-Santos tem o que comemorar. Características próprias a protegeram das manchas de óleo que atingiram a costa baiana. Entre elas, estão a entrada estreita e as correntes de maré vazante mais fortes.

3 – TAXA DE JUROS
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica da economia de 5,50% para 5% ao ano. Este é o terceiro corte da taxa no atual ciclo, após período de 16 meses de estabilidade. Com isso, a Selic está agora em um novo piso da série.

‘Independente de quem ela vote ou partido que apoie, o trabalho dela sempre foi pautado pela isenção. Somos testemunhas disso. Infelizmente, apesar do nosso apelo para ela continuar à frente das investigações e da ação penal, não nos ouviram’

Antônio Francisco da Silva Neto
O pai de Marielle Franco lamentou a saída da promotora Carmen Eliza Bastos da investigação sobre os assassinatos dos da parlamentar e do motorista. Ela decidiu se afastar após publicações em que elad emonstrava apoio ao presidente Jair Bolsonaro vieram à tona

Fonte: Correio