A abordagem policial feita a dois jovens de 19 anos, por volta das 14h deste sábado (9), no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, mobilizou um grupo de teatro e militantes do movimento negro contra a ação classificada por eles como truculenta e que resultou na prisão de um dos meninos.

De acordo com o cientista social, ator e professor, o ex-BBB Rodrigo França, que estava no local e acompanhou o jovem até a Central de Flagrantes, na região do Iguatemi, não houve nada que justificasse a apreensão do jovem que apenas teria questionado a razão da prisão.

“Estávamos nos dirigindo a um restaurante no Santo Antônio para almoçarmos quando nos deparamos com dois jovens negros sendo abordados violentamente por dois policiais militares. Um deles chamou uma viatura, alegando ter sido desrespeitado pelo jovem. Resolvemos acompanhar até para evitar que houvesse violência por parte da polícia”, contou França, que está de passagem em Salvador com o espetáculo Contos Negreiros do Brasil.

Coletivo que fez a denúncia (Foto: Divulgação)

Ele relatou ainda que enquanto acompanhavam e tentavam acalmar os ânimos, uma das atrizes resolveu filmar o procedimento e que, por conta disso, os policiais teriam colocado o jovem na viatura – o CORREIO vai preservar o nome das vítimas.

Na Central de Flagrantes, o representante do Coletivo de Entidades Negras, Marcos Rezende, fez questão de pontuar que a situação refletia o racismo institucional presente no Brasil.

“Esses jovens não têm passagem pela polícia, são trabalhadores, mas o fato de serem negros os condena por antecipação”, pontuou Marcos, que mobiliou a Secretaria Municipal da Reparação para tentar reverter a apreensão do jovem. “No mês da Consciência Negra, esse não será mais um caso de racismo que passará em branco”, disse.

Em nota, a assessoria de comunicação da Polícia Militar afirmou que orienta as vítimas a registrarem o ocorrido através da Ouvidoria da PM-BA – pelo telefone 0800 284 0011 ou no site www.pm.ba.gov.br – ou na sede da Corregedoria Geral. “De toda forma, já encaminhamos os dados para a Corregedoria, para verificar se já houve a formalização da denúncia”, disse a corporação, em nota.

Fonte: Correio