Eram tantas as paixões dele que fica difícil definir qual delas mais o fascinava, mas as filhas do artista plástico e capoeirista Moa do Katendê disseram que ficaram felizes em ver o rosto do pai estampado no alto de um berimbau gigante. O monumento é a nova atração do Dique do Tororó e foi inaugurando ontem, como uma homenagem ao homem que se dedicou à arte, em especial, à música.

Mestre Moa tinha 63 anos e foi assassinado em outubro do ano passado durante uma discussão em um bar, por diferenças políticas. O assassino, o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, 36, foi condenado há 22 anos de prisão em regime fechado, em novembro deste ano. 

Público foi conferir o espaço (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

A iniciativa de criar um monumento em homenagem ao artista partiu da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). A titular da pasta, Fabya Reis, disse que ele servirá para manter viva a lembrança do capoeirista e que é uma forma de afirmar a importância dos artistas locais. 

“Ele foi nosso músico, poeta, mestre de capoeira, ativista da luta antirracista e foi tirado da gente de uma mineira bárbara. A gente quer fazer essa referência justamente para fortalecer esse legado. Moa foi um pedagogo e educador, um exemplo de amor e de luta pela democracia. Então, essa é uma homenagem do povo negro da Bahia a esse grande legado e a esse homem extraordinário que foi Moa do Katendê”, disse. 

Teve roda de capoiera antes do evento (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

A secretária entregou para a fisioterapeuta Jasse Mahi Costa, 29, filha de Moa, uma escultura de capoeirista como uma segunda homenagem ao artista. Jasse agradeceu e disse que também ficou feliz com o monumento. O berimbau fica próximo à área dos restaurantes, de frente para a Arena Fonte Nova, e a ilustração é assinada por Cristiano Siqueira.

“O monumento está bem característico, condiz com o homenageado. O Dique do Tororó é um dos cartões postais da Bahia e o local onde ele viveu, onde fez história. Isso é importante para as pessoas lembrarem de onde ele nasceu e de onde levaram a vida dele. Aqui, no Dique, tem muitos artistas que já morreram e outros que estão vivos e que merecem ser lembrados”, contou Costa. 

Jasse Mahi, filha de Moa, aprovou a homenagem (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

A cerimônia de inauguração começou com uma roda de capoeira. Cinco músicos deram o ritmo, enquanto no centro da roda capoeiristas se revezavam no sobe e desce frenético de braços e pernas. O público se reuniu em volta para assistir e acompanhou com palmas. Algumas autoridades fizeram breves discursos sobre a importância de Mestre Moa para a cultura e para o movimento negro e, em seguida, descerraram a placa que fica aos pés do berimbau.

A dançarina Somonai do Katendê, filha do artista, se emocionou. Ela disse que a homenagem foi inesperada, e que ficou feliz com o resultado.

“É uma alegria por dentro e por fora. Essa é uma surpresa que deixa o coração contente e emocionado ao mesmo tempo. Para meu pai a capoeira era tudo, assim como a dança afro, a música, a percussão, e o afoxé. Era o que ele sonhava. Ele aprendeu capoeira com Mestre Bobó, desde pequeno, e foi ele quem me ensinou. Então, era algo importante para ele. Estou muito feliz com a imagem dele em um berimbau”, afirmou. 

Fabya Reis e Somonai durante a inauguração (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

O evento terminou com o público dando as mãos e formando um círculo no entorno do monumento, simbolizando um abraço. Em seguida, os músicos iniciaram novamente o som dos berimbaus e o público deu uma salva de palmas aos gritos de “Moa do Katendê, presente!” e “Mestre Moa vive!”. 

A inauguração faz parte da agenda do Novembro Negro. 

Fonte: Correio