O jornalismo baiano perdeu uma grande referência nesta sexta-feira (10). Morreu, no Hospital Santa Izabel, em Salvador, o jornalista Erival Guimarães, 61 anos, ex-assessor de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA) e ex-editor de segurança do antigo jornal Correio da Bahia.

De acordo com a família, ele estava internado desde o início do mês, devido a complicações associadas a uma série de acidentes vasculares cerebrais sofridos nos últimos dez anos. Ele deixa quatro filhos e dois netos. Horário e local do sepultamento ainda não foram divulgados pela família.

Com mais de 30 anos de profissão, Erival graduou-se em comunicação pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e atuou nos principais jornais de Salvador. Além do CORREIO, ele registra passagem pelo A Tarde e pelos extintos Bahia Hoje e Jornal da Bahia. Profissional ético, Erival é responsável pela formação de vários repórteres policiais que iniciaram a profissão sob sua orientação.

“Erival foi um professor para muitos de nós. Ele formou uma grande equipe do bem na redação. Muito sereno e ético, era um querido”, lamentou a editora-chefe do CORREIO, Linda Bezerra.

Para a atual gestora do jornal, ele deixa um legado de profissionalismo e respeito para as futuras gerações.

O repórter do CORREIO Bruno Wendel definiu o jornalista como um ‘verdadeiro mestre’ e afirmou que Erival será sempre uma referência para ele na profissão. “Erival foi um menstre. Sempre teve o compromisso pela verdade. Sempre foi um chefe muito criterioso, muito preocupado com o nosso trabalho. Apesar de não estar mais no jornal, sempre foi pra mim e para vários colegas uma referência. Ele ensinou sobre como ser um repórter policial, como atuar, agircom cautela, com zelo e responsabilidade com as fontes. Erival era muito preocupado com a informação, com a apuração do texto. E era muito corajoso também. Lá se foi um dos grandes jornalistas policias, referência para muitos, referência no jornalismo investigativo. Estou arrasado”, disse Bruno.

Entre as características de Erival, o jornalista lembra que ele liderava pelo exemplo, sempre sempre contando as histórias do que ele já fez e apurou para encorajar a equipe com o trabalho. “O jeito dele de ser, de se empolgar era únivo. Ele fez várias matérias muito boas. Ele sempre contava que fez uma série de matérias sobre o Jogo do Bicho. Ele era um cara que impunha medo, mas era muito brincalhão. A gente brincava, brigava, mas era uma família lá na editoria”. acrescentou.

Em nota de pesar, o Sindicato dos Jornalistas no Estado da Bahia (Sinjorba) lamentou a morte de Erival Guimarães. “Familiares, amigos e companheiros de Erival recebam o abraço solidário da diretoria do Sinjorba. Perdemos um dos bons, profissional dedicado, ético e competente, com atuação nos principais jornais de Salvador, como Correio da Bahia, A Tarde, Bahia Hoje e Jornal da Bahia, além de assessorias em órgãos públicos. Descanse em paz, querido companheiro”, diz a nota.

Ex-servidor da  Prefeitura de Salvador, de onde se aposentou recentemente, passou pelas secretarias de Comunicação e Superintendência de Transportes Públicos (STP), entre outros órgãos municipais.

Antes de atuar na assessoria da SSP, Guimarães vivenciou diversas experiências como jornalista investigativo. Em um dos casos, Erival teve a oportunidade de participar ativamente no processo de condenação de um major do Exército Brasileiro, que havia assassinado um jovem de 20 anos dentro de um shopping no bairro do Imbuí.

Em sua rotina de repórter policial, Erival Guimarães acabou se habituando a fortes sentimentos e também ao sofrimento de outras pessoas, mas isso não impediu de inúmeras vezes chegar em casa arrasado, como nos contou em sílabas pausadas: “Tinha dias que eu chegava em casa ar-ra-sa-do”, contou, em entrevista ao CORREIO, em 2012. 

‘Jornalista das antigas’, em seu blog, Erival relatou alguns casos vivenciados por ele com desfechos felizes, frutos de uma apuração bem realizada. Na entrevista ao CORREIO, ele disse que a boa apuração estava sendo prejudicada pela pressa de publicar em primeira mão, de sair na frente, o que dava vazão às críticas à ‘mídia eletrônica’, como ele chamava o jornalismo feito na internet. “Você tem que ter uma conduta definida. Seja repórter, seja assessor, seja ético”, disse Erival.

Fonte: Correio