Professores, funcionários e ex-alunos estão sendo impedidos de entrar no Colégio Estadual Odorico Tavares. A medida teria começado a ser adotada na quarta-feira (8) e foi denunciada por professoras da instituição na quinta-feira (9). 

Segundo as professoras, a mudança foi comunicada pelo diretor da instituição, em uma mensagem no grupo de funcionários no Whatsapp. No texto, ele diz que soube, por uma funcionária do chamado Núcleo Territorial de Educação (NTE), que outros dois vigilantes passariam a trabalhar em cada uma das portarias do colégio. 

Assim, o número de vigilantes em cada portaria aumentaria de um para dois. O objetivo, segundo a mensagem do diretor, seria de impedir a entrada de funcionários, professores e alunos durante a realização do inventário. 

Anúncio foi feito através do Whatsapp (Foto: Reprodução)

“Logo que os trabalhos forem finalizados (previsão de terminar entre a proxima sexta-segunda), vocês serão convidador a comparecer no colégio para pegar seus pertences pessoais”, completou o diretor. 

Em seu perfil no Facebook, a professora Luciana Senna publicou o print da mensagem do diretor. “Estamos proibidos de acessar a escola. Uma ação de enorme desrespeito com todos e todas que fizeram parte da história dela, pois até para retirada dos documentos de estuantes, de ex-alunos, por eles ou por seus responsáveis, terão um controle de acesso para entrar de três em três (segundo fomos informados)”, escreveu a professora.

Ao CORREIO, outra professora, que não quis se identificar por medo de represálias, confirmou o impedimento. “Com todo mundo de férias, tem dois vigilantes em cada portaria para impedir o nosso acesso. Isso mostra que o problema não é dinheiro. A indicação da secretaria é de que a escola seja aberta para a comunidade até em fins de semana, feriados”, afirmou. 

Manifestações
De acordo com ela, as manifestações contra o fechamento e a venda do colégio estão mantidas. Nesta sexta-feira (10), está prevista uma oficina de confecção de cartazes em defesa do Odorico Tavares, na frente do prédio. Depois, o grupo deve seguir, com os cartazes, para apoiar a posse da nova reitora do Ifba, Luzia Mota, a partir das 16h. 

“Mesmo com essas restrições, a gente vai continuar fazendo a mobilização. A confecção de cartazes está marcada para 14h. E, na segunda-feira (13), a gente tinha marcado dentro do Odorico a exibição de um documentário”, explicou. Após a exibição do documentário Entre o Céu e o Subsolo, estava previsto uma sessão de debates sobre educação. Por enquanto, a programação está mantida. 

A Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) informou que a escola está em recesso escolar. “Funcionam, no momento, apenas os setores administrativos, não havendo restrição de acesso, apenas um controle do fluxo de pessoas para melhor controle em período de menor circulação”, completaram.

Setor imobiliário
O anúncio de que o Colégio Estadual Odorico Tavares seria desativado foi feito no mês passado. Na terça-feira (7), estudantes e funcionários fizeram uma manifestação cultural contra a medida. Na quinta-feira (9), o governador Rui Costa encaminhou um projeto de lei à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para autorizar a venda do colégio. 

Se aprovado, o projeto autorizará o governo do estado a alienar o imóvel. Segundo o texto da proposição, os recursos financeiros arrecadados serão destinados à infraestrutura, ampliação e melhoramento da rede física escolar estadual. 

Na semana passada, o CORREIO mostrou que o imóvel já está sendo cobiçado pelo setor imobiliário. A área conta com 5 mil metros quadrados no Corredor da Vitória, o bairro que tem o metro quadrado mais caro de Salvador (em média, R$ 15 mil). 

O colégio, que funcionou ali por 25 anos, no passado já teve filas de mães para conseguir uma vaga para os filhos e chegou a 2019 com apenas 308 matriculados — menos de 9% de sua capacidade, que é de 3,6 mil alunos, segundo dados da Secretaria de Educação do Estado (SEC).

Em nota, o governo do estado afirmou que os alunos que estudavam no Odorico Tavares serão remanejados para instituições nas proximidades de casa, o que, na avaliação do governador Rui Costa, reduzirá gastos dos estudantes com transporte público. “O governador Rui Costa também tem pontuado que o Odorico não chega a ter 300 alunos matriculados e está sendo subaproveitado”, escreveu.

Fonte: Correio