Quando criança, enquanto explorava e bisbilhotava a casa, Heder de Jesus encontrou um livro enorme e cheio de números. O pequeno ainda nem sabia direito o que era matemática, mas, mesmo assim, encantou-se com aquelas equações quase indecifráveis. Agora, quando a matemática já é uma paixão, o adolescente de 12 anos conquistou a medalha de prata na Olimpíada Brasileira das Escolas Públicas (OBMEP) 2019.

Morador da Boca do Rio, o tímido Heder foi um dos 16 estudantes de escolas públicas de Salvador que tiveram destaque – 15 deles receberam menção honrosa. No total, 18 milhões de estudantes se inscreveram para a OBMEP do ano passado e 1.725 ganharam medalhas de prata. Outros 575 foram premiados com o ouro, sendo 14 baianos. 

A meta de Heder agora é, na edição deste ano da Olímpiada, fazer parte daqueles que levaram o ouro para casa e conta com um aliado: o bom desempenho na escola. “Como as provas da competição acontecem no final do ano, nesta época eu já estou praticamente passado. Em 2019 mesmo, eu consegui focar exclusivamente na OBMEP”, revela ele, que concluiu o sexto ano e estudava cerca de duas horas por dia para a disputa.

A forte rotina de estudos, porém, não é um fardo para o adolescente, que encara como um momento de lazer as horas que passa em frente aos livros e ao computador assistindo a videoaulas. “Tem vezes que eu, por vontade própria, desligo o videogame ou deixo de jogar bola para estudar”, conta. 

(Foto: Betto Jr./CORREIO)

Esses gostos e rotina diferentes da maioria de seus amigos deixa Heder feliz. “A maioria de meus colegas tem muita dificuldade em matemática. Eu acho isso bem legal porque desta maneira eu posso ajudá-los. Alguns até me pedem ‘pesca’, mas isso eu não dou”, brinca o garoto, que diz não ter dificuldade em nenhum dos assuntos da disciplina.

Mas, como bom amigo, após negar dar a cola, ele faz questão de mostrar o caminho para os colegas. As dicas que ele dá são sempre prestar atenção nas aulas, fazer bastante exercícios e cálculos e assistir a videoaulas para poder entender melhor o assunto. Mas, para Heder, o mais importante é se interessar pelo tema. “Desse jeito você nunca vai descansar enquanto não aprender”, afirma.

Futuro engenheiro
O talento com as ciências exatas fez os professores de Heder incentivá-lo a cursar alguma das engenharias. O jovem também se empolgou com a ideia e já escolheu a mecânica para poder trabalhar com robótica e tecnologia, outras de suas paixões.

“Quando eu era mais novo, por exemplo, eu consegui consertar sozinho um controle de videogame meu que estava quebrado. Fui na internet e vi alguns tutoriais que me ensinaram. Daí eu fiz tudo direitinho e ele voltou a funcionar. Também adoro mexer com programação. Várias vezes eu entro na loja de aplicativos do celular e abro o código de alguns jogos para entender como eles funcionam”, revela.

Apoio dos pais
Mãe de Heber, a vendedora Leila de Jesus, 26, tinha 14 anos quando o seu filho único nasceu. Por conta da maternidade, ela precisou deixar os estudos de lado por alguns anos para cuidar do pequeno. Apesar disso, ela fez questão de voltar para a escola algum tempo depois para concluir o ensino médio.

Essa dedicação aos estudos foi o principal ensinamento que Leila buscou dar ao seu filho. “Sempre disse para ele correr atrás de seus sonhos e objetivos. Ele tem muito talento e facilidade para aprender, mas precisa se dedicar para poder alcançar o futuro brilhante que eu enxergo para ele”, defende.

Para felicidade da mãe, Heder parece ter incorporado e segue à risca os seus conselhos. “Graças a Deus, não tenho preocupação nenhuma com ele. É uma bênção. O único problema são as ‘pintanças’ normais de criança. Meu menino não desiste fácil, é muito empenhado e corre atrás. Não desiste até conseguir resolver algo. Às vezes para, pensa e encontra outra forma para sair do problema”, celebra.

Fonte: Correio